63 anos de Quentin | Era Uma Vez no... Tarantinoverso

Recomendações

Quando eu tinha entre 16 e 17 anos, uma das minhas camisetas favoritas era uma bem maneira do Tarantino. Ela era toda branca, com a estampa sendo uma fotografia em preto e branco do diretor toda manchada de sangue. O contraste monocromático com o vermelho vivo do sangue sempre me deixou intrigado. Em negação com as mudanças que o tempo proporciona para o nosso corpo, insisti em usá-la até meados dos 18, mas já estava pequena demais (culpa do méqui, vulgo Big Kahuna Burger da vida real). Estava na hora de outras camisetas ocuparem o posto de ‘roupa cool’. É com essa analogia tosca que reflito agora: ainda é cool gostar de Tarantino? Ou melhor, o Tarantino continua cool? Ou o tempo transformou o diretor mais influente de sua geração careta?

Quentin Tarantino: 9 coisas que você não sabia sobre o diretor - Revista  Galileu | Cultura

Nos últimos anos, boa parte das novas notícias que circulam envolvendo o nome do Taranta reforça seu lado mais polêmico, do qual sempre foi uma de suas marcas carimbadas - desde o início de sua carreira. Ame ou odeie, Tarantino sempre incomodou de certa forma. Por vezes sendo ovacionado por muitos, e considerado superestimado por outros. Ame ou odeie, Tarantino frequentemente vai ser encontrado naquelas listas cafonas de ‘melhores diretores de todos os tempos’. Cafonas no sentido bom da parada, sério. Amo uma lista, como qualquer outra pessoa - até por razões de recomendações. Dependendo da minha preferência pela curadoria então… irei mergulhar de cabeça nos filmes que estão sendo citados. Mas não deixam de ser cafonas, pois tudo que envolve listas de diretores e músicos acaba me incomodando, porque sempre sinto que faltou um filme X ou um álbum Y. Cafona porque a arte é subjetiva. Não dá para concordar integralmente com o fã nerdola da Marvel, nem com o cinéfilo performático de filme iraniano hipotético.

Qual é o melhor filme dirigido por Quentin Tarantino? O próprio cineasta  responde - Ingresso.com

E todo cinéfilo precisa começar de algum lugar. No meu caso não foi com Tarantino. Mas ele sempre esteve ali, de alguma maneira - desde o começo. Ame ou odeie, é quase impossível não ficar vidrado em sua filmografia, principalmente se você conhecer isso na sua adolescência. Aquilo, de certo modo, até vai moldar seu gosto musical. Ao menos parte dele. Ora, por mais redundante que seja essa afirmação, é muito legal ser cool. Porém, Tarantino não está imune ao tempo. Assim como é para todos, podemos revisitar seus filmes e testemunhar nossas opiniões mudando, conforme novas vivências e preferências. Já gostei e desgostei de muito filme nessa vida, o contrário é mais que verdadeiro também. Acontece que, mesmo não aguentando mais ouvir as últimas declarações do nosso eterno Mr. Brown, não posso fechar os olhos e pensar com carinho sobre seus filmes. E nesta sexta (27/03/26), Tarantino completa 63 anos, isto é, acaba sendo uma ótima oportunidade de (re)ver algum clássico do diretor.

Em que ordem você classificaria os filmes do Quentin Tarantino, do melhor  para o pior? : r/moviecritic

O Tarantino nunca foi meu diretor favorito, mas eu sempre me diverti assistindo seus filmes. Aliás, guardo uma agradável memória envolvendo sua última produção, “Era Uma Vez em… Hollywood”. Assisti na pré-estreia, à meia noite. Lembro de gostar tanto que, mesmo apresentando uma narrativa mais arrastada na primeira metade, já o considerava como um dos meus favoritos do diretor naquela época. Saí daquela sessão rumo à minha casa, à pé. Conhece essa sensação, né? Sair do cinema, voltar para a casa tentando se reconectar com o mundo real, observando tudo ao seu redor. Prédios, luzes, semáforos abrindo e fechando sem nenhum carro na rua.

Eyeglasses worn in the movie theater by Sharon Tate (Margot Robbie) in Once  Upon a Time… in Hollywood | Spotern

O nono filme de Tarantino é um dos meus favoritos. Não só pela relação afetiva, mas também pela temática. Em alguns textos já deixei exposto meu carinho pela arte dos anos 60 e 70, principalmente na música e no cinema. E naquele período de 1969 havia muita efervescência. Isso sempre me atraiu. Quando soube da ambientação do longa, a minha reação foi como aquela frase do personagem de Leo DiCaprio em “Django Livre”: “você tinha minha curiosidade, agora tem minha atenção”. Aliás, frases de efeito e diálogos envolventes sempre foram o ponto crucial para a construção da personalidade de Tarantino no cinema. E é com essa linguagem que ele se destaca. Ame ou odeie, Tarantino é muito autoral. Por mais que haja uma chuva de referências em seus filmes, arte é referência. Isso é diferente de plágio, essencialmente. Inspiração e homenagem também são formas de se expressar.

Film.Ca Cinemas's Gif on X

Mas chega de divagar, essa lenga-lenga é mais para emular aquelas conversas maravilhosas de Jules e Vincent, em “Pulp Fiction”, que não levam à lugar algum. Ou levam? Depende… é só seguir o flow. Este texto tem o objetivo de prestar homenagem ao Quentin neste dia de aniversário. Nunca falei sobre ele aqui no Peliplat. Pretendo falar mais sobre diretores individualmente. Quase publiquei um texto sobre Lynch no seu aniversário no começo do ano, porém não o terminei (mas ainda pretendo).

Dito isto, irei comentar brevemente sobre seus filmes em formato de ranking (tenho alguns textos em formato de ranking por aqui, o meu preferido é sobre as Princesas da Disney - fica aí o convite). Porém não apenas os supostos nove filmes dirigidos pelo cineasta (supostos pois não consigo ver os dois volumes de “Kill Bill” como uma parte só - daria até para considerar o “The Whole Bloody Affair”, mas não quero…), mas sim todos os filmes do verdadeiro Tarantinoverso. Isto é, considerando filmes que ele atuou no roteiro e argumento, como “Amor à Queima Roupa”, “Assassinos por Natureza”, “Grande Hotel” (aqui ele co-dirigiu) e “Um Drink no Inferno”, além de haver uma menção honrosa para “Planeta Terror”, que faz parte de sua double feature “Grindhouse”.

What if all of Quentin Tarantino's films are connected? The references make  it clear - Softonic

Pensei até em considerar outros filmes que Quentin assina como produtor executivo, como “Curdled” (que é protagonizado por uma personagem misteriosa de “Pulp Fiction”) e “My Name Is Modesty: A Modesty Blaise Adventure”, mas aí é forçar a barra demais. Mesma lógica com “Sin City”, mesmo com Tarantino sendo convidado por Rodriguez para dirigir uma sequência, isto não faz parte do místico Tarantinoverso. Por fim, também não estou contando seu primeiro curta “My Best Friend's Birthday” porque não faz sentido aqui na graça do negócio. Menção honrosa para o curta brasileiro “Tarantino's Mind”, dirigido por Manitou Felipe e Bernardo Dutra, estrelado por Selton Mello e Seu Jorge. Sem esse curta, a conversa sobre o Universo Cinematográfico de Tarantino não teria graça. Vamos aos finalmentes…

 

15º - Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015)

Os oito são odiados mesmo, e talvez eu vou falar que odeio esse se a gente tiver em uma conversa de botequim à la Tarantino's Mind, com algumas cervejas e Red Apple na mesa. Mas isso será performance, já adianto. Eu não detesto esse. Mas é, de longe, o que menos gosto do Tarantino. Para ser sincero, da minha primeira vez que assisti há muitos anos, eu genuinamente achei ruim. Fui assistir anos depois e (pasmem)... dormi. Depois disso pensei, ‘talvez esse filme não seja para mim’. Portanto, fui encará-lo pela última vez. E, de fato, sua fotografia é linda, sua trilha sonora é impecável (maestro Ennio Morricone, né), e sua premissa é muito boa. De fato, mesmo. Aquela sensação claustrofóbica que algum mistério acontece e todos são suspeitos determina toda a nossa atenção na narrativa. Porém, sinto que o lado roteirista do Tarantino aqui pesou além da conta. Sou um grande admirador de seus textos, e adoro seus personagens neste longa. Entretanto, não consigo engrenar nos diálogos arrastados e infinitos que existem nessas mais de 3 horas. Dentre os faroestes do Quentin, sou mais “Django” mesmo. Destaque para Jennifer Jason Leigh e sua performance no violão.

→ 5 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬

The Hateful Eight' Review: Quentin Tarantino Rewrites the Old West

 

14º - Kill Bill - Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003)

Aqui muitos irão me julgar. Para boa parte dos tarantiners, “Kill Bill” é sua obra-prima como um todo. Mas caso não tenha ficado claro ainda (antes de me julgar): eu gosto do Tarantino e sua filmografia é ótima. Mesmo o filme que menos gosto já acho muito bom. E com os dois volumes de Kill Bill não é diferente. Porém, estamos falando de gosto pessoal. Sinto que sou muito mais apegado às homenagens com o cinema oriental mostradas no segundo volume do que no primeiro. Aqui no “Vol. 1” é diversão pura. Isso é inegável. Ótimo filme para hoje, por exemplo (sexta à noite, no caso). Estourar a pipoca e ficar vendo a Uma Thurman descer o cacete em geral. Além do fator divertido, há a autoralidade do diretor em reverenciar suas referências. Aqui é uma homenagem pura e muito linda de assistir - um deleite visual. Destaque para a banda The 5.6.7.8’s e sua hipnótica “Woo Hoo”.

→ 6 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Kill Bill: Vol. 1: Quentin Tarantino, Uma Thurman's Film Turns 20

 

13º - Planeta Terror (Planet Terror, 2007)

Aqui começa a roubalheira da lista. Mas isso aqui está sim no Tarantinoverso, tá? Dirigido por Robert Rodriguez, “Planeta Terror” faz parte do projeto “Grindhouse”, uma sessão dupla de Rodriguez/Tarantino, ao lado de “À Prova de Morte”. Particularmente eu gosto muito dessa trasheira toda que é o “Grindhouse”. Não só com os dois filmes principais, mas com os trailers-fake também dirigidos por nomes como Eli Roth, Rob Zombie e Edgar Wright. Aqui no “Planeta Terror” inclusive, temos Quentin Tarantino atuando como um soldado escroto. Ele é bom em fazer caras escrotos nos filmes do Rodriguez. Além disso, temos um combo muito interessante de zumbis, gore, Marley Shelton com sangue nos olhos ao lado de Rose McGowan com perna de metralhadora matando geral. Acho que isto já é um ponto positivo e tanto. Além disso, também temos o personagem mais recorrente do Tarantinoverso, o xerife Earl McGraw (interpretado por Michael Parks), aparecendo tanto aqui quanto em “À Prova de Morte”, “Kill Bill” e “Um Drink no Inferno”. Detalhe para a boa trilha composta pelo próprio Rodriguez, com seu hard rock neo-western empolgante.

→ 6 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Mercenary Garage - Custom Bike, SciFi & Punk Engineering Blog: Planet Terror

 

12º - Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996)

Fazendo a dobradinha do Rodriguez, temos “Um Drink no Inferno”. Aqui sim foi escrito pelo Tarantino. Portanto, não é tão roubalheira assim. Além de assinar o roteiro, Tarantino também atua como o irmão de George Clooney. Inclusive, um dos personagens mais odiáveis de todos já escritos pelo roteirista. É realmente satisfatório quando o personagem de Clooney nocauteia ele no banheiro. O grande diferencial desse filme é a famosa mudança de gênero na sua segunda metade. A princípio, temos um filme bem à la Tarantino, envolvendo sequestro, personagens excêntricos e frases de efeito. No entanto, após os dois protagonistas presenciarem a icônica dança sensual de Salma Hayek no Titty Twister, tudo muda quando geral daquele bar começa a virar monstros vampiros. Esse filme é um ótimo pipocão maneiro para se divertir no fim da noite. Além de mostrar as famosas marcas fictícias de Tarantino, é um dos principais pilares do Tarantinoverso, até mesmo pela importância na carreira do cineasta. “Um Drink no Inferno” foi o primeiro roteiro do qual Tarantino foi contratado para escrever. É válido mencionar que não foi seu primeiro roteiro a ser lançado, mas sim a ser contratado. Isto é, os primeiros trocados do cara nesta área foram por causa desta produção. Filme obrigatório para quem é fã. Destaque para Harvey Keitel com o poder do protagonismo demorando um monte para virar vampiro depois de uma mordida, enquanto os secundários se tornavam quase que instantaneamente.

→ 6 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬

From Dusk Till Dawn – IFC Center

 

11º - Kill Bill - Volume 2 (Kill Bill: Vol. 2, 2004)

Gosto muito mais do 2 que do 1. Toda a sequência do Pai Mei é absurda. É minha parte favorita de tudo que envolve Kill Bill. Sem contar da própria sequência final com o Bill, com todo aquele monólogo e o fim minimamente anticlimático. Diferente do final da parte 1, com toda aquela luta coreografada, aqui temos algo muito mais íntimo e visceral. Com a conversa e o diálogo valendo mais do que necessariamente a ação (embora a ação esteja presente também). Sinto que muita gente prefere o primeiro por conta de ser mais empolgante e divertido, enquanto o segundo adota um tom mais contemplativo. E é justamente por isso que não consigo tratá-los como uma coisa só. A beleza em Kill Bill está nesse yin yang, o ato e o pensamento, a luta e a reflexão. Destaque para a cena que Beatrix consegue escapar do caixão enterrado no meio da chuva.

→ 7 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Buried Alive: The Bride Faces Death – Kill Bill Vol. 2 | CLIP ⚡ 4K

 

10º - Grande Hotel (Four Rooms, 1995)

Aqui temos uma semi-roubalheira na lista. “Four Rooms” se passa em um hotel durante a noite de véspera do Ano Novo. Acompanhamos o carregador de malas, interpretado por Tim Roth, entrando em altas confusões nesse lugar onde só tem maluco. Sim, esse filme daria uma ótima Sessão da Tarde, mesmo paralelamente apresentando essa característica típica de filmes de fim de noite, principalmente pela ambientação da narrativa. Aqui temos quatro histórias em quatro quartos diferentes. Cada capítulo é dirigido por diretores diferentes. O primeiro (The Missing Ingredient) é escrito e dirigido por Allison Anders, e conta com a participação de Madonna como uma bruxa, ao lado de seu coven, prestes a realizar um ritual. O segundo (The Wrong Man) é escrito e dirigido por Alexander Rockwell, e mostra Tim Roth entrando no quarto 404 por engano, presenciando uma situação peculiar de um casal fetichista. Neste, temos a participação de Jennifer Beals, a eterna Alex de “Flashdance”. Já no terceiro (The Misbehavers), temos o que seria a ideia inicial para “Pequenos Espiões”, pois temos duas crianças filhas de Antonio Banderas aprontando poucas e boas, escrito e dirigido por Robert Rodriguez. Na minha opinião, é o pior capítulo do filme, porém é um dos que Tim Roth mais se ferra, e isso é engraçado deveras. Por sua vez, temos o quarto e último capítulo, intitulado “The Man From Hollywood”, escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Aqui temos um longo plano sequência acompanhando um grupo de amigos fazendo apostas insanas e inconsequentes, com Tarantino atuando como um diretor famoso. Definitivamente, é o melhor capítulo. Temos tudo de Tarantino, diálogos mirabolantes, violência, situações que vão se escalonando em espiral. Destaque para Salma Hayek dançando na TV no capítulo 3 como se fosse um prenúncio de “Um Drink no Inferno”.

→ 7 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Four Rooms (1995) - Quentin Tarantino as Chester (segment: The Man from  Hollywood) - IMDb

 

9º - Django Livre (Django Unchained, 2012)

Tarantino gosta muito de brincar com gêneros de cinema. E aqui temos um declarado faroeste do diretor, o que estaria presente em todos os seus filmes a partir deste (“Era Uma Vez..” aproveita do personagem Rick Dalton para explorar bons minutos de faroeste com o filme dentro do filme). Todos os personagens principais aqui são fascinantes. Jamie Foxx está fascinante no papel principal, Christoph Waltz consegue suprir as expectativas pós-Hans Landa com seu carismático Dr. Schultz, além dos detestáveis personagens de Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio. As performances estão deslumbrantes. Além disso, sinto que “Django Livre” é um dos filmes mais ‘reassistíveis’ do Tarantino. Acho que foi o que mais revi. É muito divertido com um final altamente satisfatório, além de apresentar com exatidão todos os elementos carimbados do diretor, como a escolha de músicas pop para compor as cenas. Destaque para a participação especial de Franco Nero, o Django original.

→ 7 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

DJANGO UNCHAINED" - Next Best Picture

 

8º - À Prova de Morte (Death Proof, 2007)

Já comentei anteriormente sobre o projeto “Grindhouse” em si. E, como comentei, gosto muito de toda a energia por trás dos filmes. Mas sinto que “Death Proof” se sobressai em relação ao “Planet Terror” de Rodriguez, não só pelo fato do Tarantino ser, de fato, um diretor mais inventivo, mas também pelo personagem central e misterioso de Kurt Russell como o dublê Mike. Além disso, também tem a escolha estética dos gastos da película, a escolha da trilha, as bravura das final girls, sem contar do próprio carro dito ‘à prova de morte’, um Chevrolet Nova maneiríssimo. Um detalhe curioso é que o próprio Tarantino fala como se esse fosse seu pior filme. E, tecnicamente, dá para se notar que ele tem um teor mais experimental, justamente por se tratar de um projeto entre amigos. Àquela altura, Tarantino já não precisava tanto se provar, deixando-o mais à vontade. Destaque para a dublê fixa nos filmes de Tarantino, Zoë Bell pegando o protagonismo para si na segunda metade.

→ 8 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

10 Behind-The-Scenes Facts About The Making Of Quentin Tarantino's Death  Proof

 

7º - Assassinos Por Natureza (Natural Born Killers, 1994)

Dirigido pelo grande Oliver Stone, aqui temos uma história original de Quentin. O detalhe curioso é que, a princípio, Tarantino escreveu “Natural Born Killers” e “True Romance” como se fosse um filme só. Até que depois as histórias foram se desmembrando e dividida em dois projetos diferentes. Um ponto que merece ser mencionado é o fato de que Tarantino não ficou tão contente com o resultado final, pois Stone reescreveu boa parte de seu roteiro. Mesmo assim, podemos notar muitos elementos presentes na filmografia de Tarantino aqui. Inclusive, um dos casais mais emblemáticos tarantinescos está aqui. Mickey e Mallory, interpretados por Woody Harrelson e Juliette Lewis, são dois assassinos apaixonados que vivem perigosamente fugindo da polícia. Na primeira metade, acompanhamos boa parte de seus crimes, já na segunda presenciamos os dois presos dando início à uma grande rebelião. Destaque para o grande arco de redenção do repórter sensacionalista vivido por Robert Downey Jr.

→ 8 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

There's nothing like it: “Natural Born Killers: Collector's Edition”

 

6º - Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)

Para muitos, o melhor de Tarantino. Talvez seja um dos mais famosos. Noto uma sensação muito semelhante com “Django Livre”. Ambos são extremamente divertidos e satisfatórios. Outrossim, temos um dos personagens mais engraçados escritos pelo cineasta, o tenente Aldo, de Brad Pitt. Muito se fala sobre o quão poético é o modo como Tarantino reescreve um dos capítulos mais dolorosos da história recente. O fato de Shosanna ter planejado minuciosamente o ataque contra os nazistas, dentro de uma sala de cinema. Certamente, um dos melhores momentos de toda a filmografia de Quentin Tarantino: a cena do cinema no final. Aquilo é maravilhoso. Sem contar que aqui, temos a representação de um dos maiores vilões do cinema pós-anos 2000. Hans Landa é daqueles vilões que te deixam vidrados ao mesmo tempo que amedrontados, gerando inúmeros momentos de tensão absoluta. Destaque para Brad Pitt tentando falar em italiano e falhando miseravelmente, até cortar para o personagem de Omar Doom pronunciando corretamente, surpreendendo a todos (aliás, o Omar Doom também é músico e suas canções são bem da hora).

→ 8 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

INGLOURIOUS BASTERDS" - Review

 

5º - Amor À Queima Roupa (True Romance, 1993)

Dirigido por Tony Scott, e escrito por Quentin Tarantino, aqui temos o meu casal tarantinesco favorito: Alabama e Clarence, interpretados por Patricia Arquette e Christian Slater. Aqui podemos notar muitas semelhanças com Mickey e Mallory, evidenciando que essa seria apenas uma história. No entanto, as principais diferenças estão nas intenções dos protagonistas. Diferente dos protagonistas de “Natural Born Killers”, aqui o casal não entra para o mundo do crime porque querem, eles são levados à isto. E o grande ponto é que não são mocinhos o tempo todo, eles manifestam suas ambições acinzentadas. Além disso, sinto que Tarantino se projetou demais no personagem de Slater. Dá para notar claramente que este personagem é uma extensão do verdadeiro Tarantino. O cara é super nerd e trabalha em uma loja de quadrinhos, sendo que Quentin na vida real trabalhou em uma locadora. Muito se fala também das conexões da personagem Alabama com Mr. White em “Cães de Aluguel”. Outro ponto importante é a trilha super fofa de Hans Zimmer, contrastando com o tom violento do filme. Destaque para a pequena e grandiosa participação de Gary Oldman fazendo um cafetão exótico.

→ 8 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

An Open Road to Collaborative Success: Quentin Tarantino and Tony Scott's 'True  Romance' • Cinephilia & Beyond

 

4º - Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994)

Um dos pôsteres mais reconhecíveis da cinefilia moderna e, para muitos, o melhor filme de Quentin Tarantino. Aqui preciso comentar sobre um CD que tem aqui em casa - escuto direto no carro. É um disco duplo com a trilha de “Pulp Fiction” e “Reservoir Dogs”. Esses dois, juntamente com “Jackie Brown”, apresentam as melhores músicas de todos os filmes do Tarantino. Só com essa trinca, você já monta uma playlist sensacional. É quase impossível alguém não ter visto “Pulp Fiction”, pelo menos por curiosidade. Aqui temos um dos roteiros mais inventivos do cineasta, afirmando seu posto como um dos autores mais influentes de sua geração. Ame ou odeie, aqui temos a definição de ‘cool’ elevada à enésima potência. Ademais, já escrevi aqui no Peliplat que meu filme favorito é “De Volta Para O Futuro”, portanto sou apaixonado por bares e cafés anos 50, e aqui em “Pulp Fiction” temos o bar temático mais sensacional de todos. Destaque para Steve Buscemi como Buddy Holly nesse bar.

→ 8 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Pulp Fiction': 25 fun facts in honor of the 25th anniversary | CNN

 

3º - Jackie Brown (Jackie Brown, 1997)

Aqui temos um roteiro adaptado de Tarantino, pegando como base o romance “Rum Punch”, de Elmore Leonard. Mesmo não sendo personagem original, Jackie é a minha favorita de todas no Tarantinoverso. Pam Grier, a rainha do blaxploitation, destrói nesse papel. Aquela cena final com ela dirigindo cantando “Across The 110th Street” de Bobby Womack diz tanta coisa. A relação de Jackie com Max (Robert Forster) e, principalmente, suas conversas sobre recomeçar a vida depois de muitos anos, revelam tanto sobre a sensibilidade da vida no cenário do etarismo. Definitivamente, é um dos textos mais maduros de Tarantino. Um detalhe que gosto bastante também são os diversos pontos de vista do assalto próximo ao fim do filme, com um relógio no canto da tela para nos ambientar na situação. Adoro esse filme, merecia ser bem mais lembrado. Destaque para Robert De Niro extremamente sacudo com a vida, assim como em diversos outros filmes.

→ 9 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Flashback: Quentin Tarantino's 'Jackie Brown' Revives The Delfonics

 

2º - Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon A Time In… Hollywood, 2019)

Já adiantei que era um dos meus favoritos, contando da minha experiência no cinema. Quando fui rever, tive o mesmo prazer. Eu gosto demais desse filme. Tudo que as pessoas reclamam desse é o que mais gosto. Muitas cenas se arrastam, principalmente com Cliff Booth dirigindo pelas ruas de Los Angeles. Sinceramente, passaria horas vendo essas cenas. Um bom passeio de carro, nesta Hollywood iluminada e idealizada. Aliás, o grande trunfo desse filme é brincar justamente com essa idealização. Acho que este fator é justificado pela escolha da ambientação. Vou deixar aqui textos que fiz sobre a Nova Hollywood e sua maestria na melancolia da frustração (texto sobre a década de 70 do Al Pacino; texto sobre “Dog Day Afternoon”). A segunda metade da década de 60 foi marcada por contestação, com a juventude se rebelando com os costumes conservadores da época, expressando-se através da arte, dando holofote para assuntos como uso de drogas, aborto e direitos civis.

Once Upon a Time in Hollywood review: Quentin Tarantino's Manson murders  movie is packed with winks, revisionist history, and feet.

Havia um certo sonho dourado na flower generation. Make Love, Not War. E um dos grandes divisores de água na época sobre o fim desse sonho foi, certamente, a morte de Sharon Tate. O assassinato brutal de Tate pela seita de Charles Manson marca uma nova era para o mundo e, especialmente, para a cultura pop americana. Não havia mais esperança de um novo amanhã, mas sim apenas ruínas. Por conta disto, o título ganha ainda mais força nessa nova reescrita da história que Tarantino exerce: é um faz-de-conta, é uma fábula. Ela precisa ter esperança no fim do túnel. É como se ao salvar Tate da morte, Hollywood ainda fosse colorida. No entanto, a dura verdade não estaria totalmente isenta nesse cenário, pois a forma brutal e violenta como Cliff e Rick Dalton matam os lunáticos revelam uma fúria adormecida no sonho americano. A violência e a frustração sempre estarão ali, ecoando, apesar de tudo. Filmaço! Destaque para a cena do filme dentro do filme, quando Rick (um dos melhores personagens de DiCaprio dos últimos anos, inclusive) grava uma cena de seu novo faroeste.

→ 10 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

Once Upon a Time in Hollywood Analysis: How Tarantino Directs Suspense

 

1º - Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992)

Se você chegou até aqui, eu já agradeço do fundo da alma. E apresento uma música de minha autoria (link: https://open.spotify.com/intl-pt/track/1ambNeaU3aKCpdSjdGIASp?si=7463dc1027a44b53) chamada “(Kryptonitose) Tyler VS ‘Jack’”, da qual eu menciono diversos filmes e músicas. Um deles é esse filme. “Reservoir Dogs perecerão nessa ambulante metamorfose”. Apenas um fun fact para deixar registrado. Sou vidrado nesse filme. Ame ou odeie, Tarantino tem uma história inspiradora. O cara era só mais um cinéfilo nerdola que escrevia suas próprias histórias, trabalhando em uma locadora, até que começou seu sonho. E seu sonho começou aqui. O primeiro filme de Tarantino é, para mim, a sua obra-prima. 

Reservoir Dogs: 5 Iconic Scenes in the Quentin Tarantino Movie

Tudo aqui funciona, os personagens, as músicas, a simplicidade dos cenários. Sempre achei curioso a semelhança entre o meu filme favorito do Tarantino com o que mais ‘odeio’. Existem muitas semelhanças entre “Cães de Aluguel” e “Os Oito Odiados”, e isso se deve ao fato de juntar um bando de gente em uma sala com um traidor no meio. Porém, sinto que “Cães de Aluguel” se sobressai justamente pela simplicidade. E aqui a coisa toda da ‘metamorfose’/mudança de cenários, o “quem é quem” dessa situação toda, faz o filme ficar extremamente envolvente. Só de ficar vendo aqueles marmanjos se pagando de fodões, e vendo um por um expressar suas fragilidades quando se deparam com suas mortes iminentes, já é muito interessante. Gosto demais desse aqui, desde o momento que vi pela primeira vez. Destaque para a cena de “Stuck In The Middle With You” - é manjada, eu sei, mas é sensacional essa cena.

→ 10 bitucas Red Apple de 10 🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬

The Glorious Bullshit of “Reservoir Dogs,” Twenty-Five Years Later | The  New Yorker

Feliz aniversário, Tarantino! Espero que você pare de ficar falando mal do Paul Dano, e volte ao trabalho para realizar seu tão aguardado ‘décimo filme’. As últimas notícias foram que o “The Movie Critic”, que seria o título do seu décimo e último filme, já foi cancelado. Porém, vamos aguardar. O próximo filme do Tarantinoverso que está à caminho é “The Adventures of Cliff Booth”, de David Fincher. Esperando com muita curiosidade por aqui. Para concluir, boa sessão se você for prestigiar o Taranta hoje à noite! De preferência, assista depois da meia-noite. Isso seria bem cool da sua parte…

Quentin Tarantino Movies Ranked from Worst to Best | Den of Geek

Comentários 1

B
Bia Matera28 de março de 2026
Esse seu texto é muito mais legal do que o Tarantino jamais poderia ter sido

Deste autor