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“All those moments will be lost in time, like tears in rain.”Há filmes que carregamos por anos. Estas são as páginas que outras pessoas escreveram enquanto os carregavam.
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natan vinicius11 de outubro de 2026A relação entre Hal Jordan e John Stewart remete a um arquétipo já antigo nessas séries de investigação, os dois são uma dupla de “detetives” com poderes e qualificações muita específicas. E é essa relação que sustenta grande parte dos quatro primeiros episódios, junto a um mistério que desaparece — e se dissipa —. Esse mistério parte da ideia de que existe um alienigena — criminoso de guerra, assassino, e genocida — em Rushville, uma cidade ficticia; esse criminoso, vêm diretamente dos quadrinhos e se chama “Manhunter”, quase como um aceno ao filme do Michael Mann que compartilha de estética e narrativa com a série, esse personagem se esconde entre vários “Sósias” que fingem ser ele próprio, mesmo ele não aparecendo — ou sequer sendo sabido quem ele é — apenas poucas informações são sabidas pela dupla de personagens principais, apenas sendo sabido que esse personagem é um dos capturados do Abin-Sur que o perdeu quando veio à Terra.
O Terceiro episódio anda por uma linha tênue, uma balança entre ser muito chato, mas ainda beirando o interessante, se considerarmos o avanço na trama; esse é um Filler.

natan vinicius11 de outubro de 2026Vejo um pouco do cinema de Jean Pierre Melville no inspetor Morosini de Enrico Maria Salerno, e sua incrivel atuação e até um pouco no estilo da investigação; Argento realiza transições suaves, principalmente através (apartir) do que já se é sabido pelo telespectador e (no caso do filme) pelo protagonista, Sam Dalmas, como por exemplo que o assassino tem um quadro específico em seu “covil” (um apartamento de um comôdo (napolitano) de Jef Costello, de Alain Delon em Le Samourai (1967), de Melville;) contendo uma coleção de facas, um pano vermelho numa iluminação Chiaroscuro, um “studio” onde a única luz adjacente ilumina uma máquina de escrever); o assassino carrega uma carácteristica em sua voz, uma rouquidão.
Argento apresenta os pássaros do filme, de forma menor como: uma homenagem ao filme de Hitchcock e um interesse do protagonista, e mais geral, o assassino como a caça e o caçador e a luva deixada na galeria como as plumas, algo deixado por pássaros que podem deixar a localização deles mais fácil de encontrar pelos caçadores (Dalmas e Morosini).

natan vinicius11 de outubro de 2026Contém spoilers
A cidade espanhola que dá nome ao filme, Saragoça, é explêndida e fantástica, de todas as formas que se possa imaginar, sendo até mesmo espantosa; a beleza das atrizes que interpretam as irmãs de forma hipnótica, é isso também: um misto entre hipnose e beleza que agarra o protagonista e já não solta mais, agarrando-o como imãs; se eu fecho meu par de olhos e imagino num David Lynch polonês só poderia pensar em Has, ou melhor: se eu imaginasse um Wojciech Has americano, minha mente só buscaria à Lynch, com seu estilo característico e expoente do expressionismo alemão e do surrealismo latino, como das obras de Buñuel (que fez questão de ver e rever esse filme três vezes, algo fora do comum em sua cinefilia), ou as do gênio, mas asqueroso, Salvador Dali. Os personagens tem características especificas empregadas particularmente por seus atores e atrizes, tem nomes importantes na monarquia espanhola, como Donnas e Dons, além de Condes e “Señores”.
Retornando à Lynch, tanto Alfonse Van Worden, quanto Dale Cooper, estão entre a cruz e a espada, vivendo e passando por terrores numa cidade que pouco conhecem, mas que se apaixonam, sejam por sua estrutura e paisagem; ou de seus habitantes, novamente quero retomar sobre como eu acredito que o personagem de Cybulski, quando passa pelos irmãos criminosos enforcados, ele não apenas atravessou um portal; entre o real e o real fantasioso, como liberou as criaturas que habitavam o lado de lá, as cenas são ainda mais repetitivas pela desgraça de Saragoça, que vive constantes saques e invasões.

natan vinicius11 de outubro de 2026Contém spoilers
Como já é costume na filmografia de Billy Wilder, diretor do longa, esse projeto não se abstém da hermenêutica classicista que havia consagrado Wilder décadas antes e que o colocava no patamar de figuras estrelares do cinema inglês (britânico e americano) — como Alfred Hitchcock —, hermenêutica que ele realizava com tanto prazer nas eras de ouro de Hollywood, mesmo esse filme tendo fortes conexões com a Europa também. Soma-se a isso a conexão com a própria vida de Wilder que, assim como o roteirista vivido por Holden, tinha problemas para captar recursos para realizar sua obra: uma comédia de erros composta por rejeições de elenco, problemas de saúde no set, conflitos com o estúdio e o choque com a nova estética de Hollywood — a Nova Hollywood de Brian De Palma, Martin Scorsese e Steven Spielberg, principalmente, mas contando também com diretores como Francis Ford Coppola, Dennis Hopper, Mike Nichols, George Lucas, Peter Bogdanovich, Hal Ashby e Arthur Penn, que durante vários anos dirigiram e realizaram obras como O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, Taxi Driver, Touro Indomável, Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Guerra nas Estrelas, American Graffiti, Carrie, a Estranha, Vestida para Matar, A Última Sessão de Cinema, MASH*, Nashville, Ensinando a Viver, Muito Além do Jardim e Bonnie e Clyde. Além de realizarem essas obras, alguns deles atuariam futuramente como produtores, caso de Spielberg, que produziu Poltergeist: O Fenômeno (1982), dirigido por Tobe Hooper, Os Goonies (1985), dirigido por Richard Donner, De Volta para o Futuro (1985), dirigido por Robert Zemeckis, Gremlins (1984), dirigido por Joe Dante, e Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Essa forma lucrativa do alto cinema de Hollywood — misturando o estilo europeu com críticas sociais e forte apelo artístico — criaria obras do início do blockbuster: produções de massa com altos lucros e grande investimento de marketing, inauguradas pelo já comentado Tubarão, de Spielberg, e consolidadas como uma forma lucrativa de conseguir dinheiro ao longo de toda a década de 70.
Billy Wilder, por ter se especializado na antiga hermenêutica clássica de Hollywood, tinha aos olhos dos estúdios apenas o estilo europeu, o que causou mais dificuldades para terminar esse filme. Assim como o personagem de Holden, Wilder famosamente teve problemas para captar recursos e verba para produzir o roteiro, realizá-lo e filmar em locação como queria; ainda mais por ter uma pequena ponta do astro Henry Fonda como diretor-presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar. Wilder queria Marlene Dietrich para o papel principal, mas ela odiou o roteiro e recusou o convite. Outros nomes planejados também caíram por terra, até a escalação de Marthe Keller, que sofreu sérios ferimentos no rosto em um acidente de carro durante as filmagens — o que impediu o uso da maquiagem de envelhecimento planejada e obrigou mudanças drásticas no conceito dos personagens.
O filme tem fortes conexões com o cinema e a literatura. Desde sua primeira cena, um dos poucos momentos de "ação" do filme, a governanta da propriedade em Corfu grita o nome de Fedora, que pula nos trilhos e é dilacerada pelo trem. Essa sequência é retomada na metade do filme, permitindo ao público entender o contexto completo: Fedora estaria esperando Michael York — que aparece em uma das cenas mais belas e poéticas de todo o filme, na qual deposita uma rosa sobre a falecida, e com quem ela se comunicava por cartas que nem sequer saíam de sua casa, quanto mais de Corfu. Essa cena referencia ao mesmo tempo a primeira cena do cinema e o final de Anna Karenina: a protagonista se jogando nos trilhos de um trem. O suicídio ecoa diretamente o final trágico do romance de Liev Tolstói, obra que o produtor Barry Detweiler tenta convencer a atriz a estrelar. Ao mesmo tempo, a cena homenageia o nascimento do próprio cinema, remetendo ao histórico e pioneiro filme dos irmãos Lumière, "A chegada de um trem à estação" (L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat), e ainda referencia outro início clássico de Wilder: seu filme mais famoso, "Crepúsculo dos Deuses", apenas trocando a Sunset Boulevard pela estação de trem de Corfu, onde novamente um personagem de William Holden narra a história. Holden trabalhou com Wilder em diversas ocasiões: Crepúsculo dos Deuses (1950), Inferno Número 17 (1953) — pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator — e Sabrina (1954). Anos depois, eles se reencontrariam no drama Fedora (1978).







































