O Macaco é Como a Vida
Críticas GeraisDiferentemente dos outros filmes de Oz Perkins, The Monkey não tem grandes segredos ou mistérios a serem desvendados. Aqui, Perkins abandona a densidade atmosférica, a sutileza do terror que se esconde nas sombras e a elegância de seus complexos alter egos femininos. O slowburn dá lugar a um literal lança-chamas já na cena de abertura, quase num estilo grindhouse — tudo é muito frontal, escrachado e explícito. Não há nada para descobrir: a inscrição na caixa, logo no início, já nos diz que o macaco é como a vida. Ele simplesmente gira, toca sua música e mata alguém aleatoriamente de forma brutal.

E é justamente nessa dinâmica simples e cruel que Perkins decide fazer a sua obra mais autobiográfica. O filme funciona como uma reflexão da sua própria história familiar: a relação distante com o falecido pai, Anthony Perkins; a relação do pai com o próprio pai ausente, Osgood Perkins (com quem Oz compartilha o nome em homenagem, assim como acontece com o personagem Petey no filme); a perda trágica da mãe, Berry Berenson, nos atentados de 11 de setembro, e a relação muito próxima com o irmão, Elvis Perkins.
Apesar de toda a dor e do trauma, não há ressentimento. Perkins escolhe trabalhar com o perdão e a reconciliação. Seu alter ego paterno ocupa o centro da história, interpretado por Theo James, e possui um irmão gêmeo que, aqui, parece simbolizar a vida secreta que Anthony escondia da família. E, apesar de tudo, o cineasta parece não guardar raiva. Há uma profunda empatia por esses homens, por seus fracassos, seus medos e pelas coisas que herdaram sem escolher.

Perkins transforma sua própria relação com a vida e, especialmente, com a morte em uma grande piada de humor macabro, como se a melhor maneira de parar de chorar diante delas fosse rir junto. Para isso, ele abraça o niilismo, o absurdo, a falta de sentido da existência e a estupidez da morte, e decide brincar com o macaco de brinquedo que pegou emprestado de Stephen King.
O resultado é um filme cheio de diálogos bobos, entregues por atuações cínicas em personagens caricaturais, mas surpreendentemente sinceros e carregados de sentimento. Tatiana Maslany, por exemplo, entrega um mórbido e lindo monólogo sobre a inevitabilidade da morte. E, em se tratando deste filme, ela se torna mais inevitável ainda, com uma sucessão de mortes grotescamente cartunescas — e muito bem executadas. Embora a segunda metade se torne um pouco menos divertida e envolvente, Perkins sustenta essa mistura de comédia, violência e melancolia com bastante convicção.

Existe uma relação quase infantil com o próprio gênero. Recuperando a tradição do splatstick, Perkins parece se divertir genuinamente inventando maneiras cada vez mais absurdas de assassinar pessoas, mas sem abandonar aquilo que o torna perturbador. Afinal, por trás de toda a galhofa, existe o medo decorrente de crescer cercado pela morte. Quando ela está presente desde cedo, deixa de ser apenas um acontecimento futuro e passa a ocupar a imaginação o tempo inteiro. Pensamentos intrusivos transformam as pessoas que você ama em possíveis vítimas de todas as mortes horríveis que sua cabeça consegue inventar. Existe um medo constante de perdê-las. E, quando a morte parece estar sempre acontecendo ao seu redor, surge uma ideia ainda pior: talvez você seja o motivo. Talvez todos aqueles que você ama estejam destinados a morrer por sua culpa. Ou talvez tudo isso seja obra de uma divindade com um senso de humor doentio.
The Monkey pega esse medo e, em vez de tentar exorcizá-lo, coloca em um macaco mecânico no meio da sala e começa a rir. Talvez essa seja a forma de Perkins dizer que, no fim, não há explicação. A morte não tem elegância, propósito ou justiça. Todas as pessoas que você já amou, admirou, conheceu, viu de relance ou desejou vão morrer — e não há nada que nenhum de nós possa fazer a respeito.
O macaco gira.
A música toca.
Alguém morre.
E tudo o que nos resta é escolher se vamos dançar antes da última batida.






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