CRÍTICA l A Ilha Esquecida
Críticas GeraisPor Roberto Tavares

Uma das animações mais aguardadas do ano chega aos cinemas brasileiros oficialmente nesta semana. E não satisfeito, aproveitei para assistir A Ilha Esquecida não apenas em sua cabine de imprensa, mas também nas sessões antecipadas que ocorreram dias depois. Isso porque o filme é tão bom que a gente quer assistir outras e outras vezes.

O filme dirigido pela dupla Joel Crawford e Januel Mercado (responsáveis pelo aclamado Gato de Botas 2: O Último Pedido) trazem a tona uma historia que acompanha duas grandes amigas, Jo e Raissa, que acidentalmente vão parar na misteriosa e fantástica ilha de Nakali. As meninas ouviam falar muito de Nakali através da avó de Jô. O dilema central ganha peso emocional rapidamente: o portal que as levaria de volta para casa exige um preço alto demais - a perda progressiva de todas as memórias e sentimentos que elas compartilham desde pequenas. Correndo contra o tempo antes que se esqueçam completamente uma da outra, a dupla precisa cruzar um ecossistema hostil e mágico acompanhada por Raww, um meio cão meio humano que é caricato até demais.

Esteticamente, o filme já começa a brilhar. Ele bebe da mesma fonte que consagrou as produções recentes da DreamWorks e da Sony Animation. O longa mistura renderização 3D com texturas estilizadas, traços que remetem à animação 2D e influências expressivas do estilo anime. As cores da ilha de Nakali sobressaem na tela, com paletas dinâmicas que alternam entre o deslumbrante e o opressivo conforme as memórias das protagonistas se esvaem. O bom disso, é que o filme consegue atingir a todos os públicos, de todas as idades.

Mais do que uma aventura, o filme aborda temas sensíveis sobre juventude, amizade e família. E essa profundidade faz com que o filme fique longe de entregar apenas uma aventura juvenil como tantas outras. A narrativa utiliza o esquecimento como metáfora para o medo de crescer, o distanciamento inevitável entre amigos de infância e o luto pelas fases que deixamos para trás. O roteiro não hesita em tocar em pontos dolorosos, reforçando mais uma vez que o filme conversa com todos os públicos.

Crawford e Mercado demonstram mais uma vez completo domínio do ritmo. As cenas de ação utilizam movimentações de câmera fluidas e ângulos dinâmicos, garantindo sequências ágeis sem nunca perder a clareza espacial ou o peso do drama central.

A trilha sonora é outro show a parte. Nathan Matthew David consegue fazer com que as músicas cresçam ainda mais as cenas unindo memória, beleza e encanto. Tanto a trilha original como as canções clássicas como Don't Stop Believin da lendária Banda Journey fortalecem o apelo emocional que o filme carrega.

O design de mundo e as lendas que cercam Nakali inspiram-se na mitologia filipina, trazendo um frescor bem-vindo ao cenário de fantasia de grandes estúdios e enriquecendo a fauna e flora mágicas.

Dito isso, A Ilha Esquecida é um filme competente em tudo o que se propõe. Divertido, emocionante, caricato e que dialoga com pessoas de todas as idades. Um filme que brilha tecnicamente e que sem dúvidas, ao mesmo na opinião de quem vos escreve terá grandes chances de levar algumas estatuetas no Oscar do ano que vem.
Nota: 5/5






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