CRÍTICA l Se Eu Fosse Você 3
Críticas GeraisPor Roberto Tavares

Dezessete anos após o lançamento do segundo filme, a franquia Se Eu Fosse Você retorna aos cinemas sob a direção de Anita Barbosa e a supervisão artística de Daniel Filho. Mas antes de qualquer coisa precisamos nos perguntar: ainda existe fôlego para a fórmula da troca de corpos que dominou as bilheterias brasileiras no final dos anos 2000?

Se pensarmos no quesito nostalgia e ao mesmo tempo pela força do elenco a resposta é sim. Porém quanto a originalidade nem tanto assim.

A história busca renovar o conflito ao deslocar o foco central de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) para a próxima geração. Duas décadas depois, a dinâmica do casal veterano é de maturidade e cumplicidade, abrindo espaço no holofote para a filha do casal, Bia (Cleo Pires), e seu marido Aquiles (Rafael Infante).

Com a troca realizada, os dois buscam fazer com que a rotina real de ambos não seja prejudicada, mas acabam no início deixando tudo fora do planejado. Ao substituir o foco da história para a nova geração, o filme aposta em trazer de volta uma história de sucesso com a Cleo e Rafael. Apesar de não ter a mesma intensidade de cenas cômicas e engraçadas, ainda assim a história funciona.

Cleo consegue trazer uma Bia real, com sonhos e dificuldades reais na idade e no momento da vida na qual está vivendo. Ao trocar o papel para se transformar em Aquiles, consegue ainda nos fazer enxergar que está de fato mergulhada em outro personagem.

Já Rafael destaca-se desde o início com a sua personalidade real e engraçada, que já o torna único. Mas quando troca de papel interpretando a Bia, é impossível não cair na risada em diversos momentos.

Ambos conseguem cumprir o papel dessa nova geração com muita qualidade, apesar de ser uma repetição de uma mesma história com os mesmos problemas. Neste caso, o roteiro não arrisca. As ações e as piadas sobre linguagem corporal repetem batidas que o público já viu à exaustão nos filmes de 2006 e 2009.

O filme demora a engrenar no primeiro ato, dependendo excessivamente de momentos expositivos para atualizar o espectador sobre os anos que se passaram. Isso incomoda e não sustenta a atenção que o filme precisaria.

A direção de Anita Barbosa opta pelo básico que funciona. A linguagem estética e a montagem parecem presas à linguagem de comédia de TV do início dos anos 2010.

Se Eu Fosse Você 3 funciona acima de qualquer coisa como uma viagem afetiva no tempo. Não revoluciona a comédia nacional nem supera o brilho do longa original de 2006, mas entrega o entretenimento reconfortante e despretensioso que o público acostumou-se a esperar da franquia. O filme deixa claro a falta que faz da maior presença do sucesso de Tony Ramos e Glória Pires que pouco aparecem no filme. Vale o ingresso principalmente pelo carisma inabalável de seu quarteto principal.
Nota: 3,5/5






Comentários 0
Ainda não há comentários.