Cara de Nova Pixar, Focinho de Era de Ouro do Estúdio

Críticas Gerais

Lançada nos cinemas em março deste ano, “Cara de um, Focinho de outro” (“Hoppers” no original) é a mais nova animação original da Pixar, e já está disponível no Disney+. Assisti ao filme na época de seu lançamento e me surpreendi demais. Não comentei por aqui por questão de agenda, mas aproveito a oportunidade do Desafio deste mês, juntamente com sua chegada ao streaming do Mickey, para citar brevemente esta deliciosa surpresa de 2026.

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Honestamente, já fazia um tempo que uma obra original e despretensiosa da Pixar não me cativava tanto. A última havia sido “Soul” - “Elementos” tem seus méritos também - sem contar que estava com um gosto amargo com seu, até então, último lançamento, o “Elio”. Este realmente não me desceu. Dito isto, estava com um pé atrás para conferir essa nova produção, porém por se tratar de uma nova animação da Pixar (no meu primeiro mês escrevendo nos Desafios aqui no Peliplat, lá em agosto do ano passado, já deixei explícito o meu amor pela Pixar no texto: Ainda procurando nemos, nostalgias e aceitação nesse imenso mar aberto) não podia deixar de tirar minhas próprias conclusões.

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Aproveitando a deixa, fica aqui o convite para o meu artigo mais recente sobre “Toy Story 5” (Toy Story 5 | Tirando leite de uma pedra preciosa), lançado no último mês de junho. Já adianto que me surpreendi positivamente também, o que me faz recalcular a rota de vez em relação aos meus sentimentos mistos que estava tendo com a Pixar dos últimos anos.

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Dirigido por Daniel Chong, “Cara de um, Focinho de outro” acompanha a história de Mabel, uma jovem idealista e ativista em prol do meio ambiente, determinada a preservar a antiga reserva florestal de sua cidade, onde criou um laço sentimental muito forte entre esse lugar e sua falecida avó. Neste sentido, somos apresentados à trama do prefeito Jerry que está prestes a derrubar a reserva para o progresso do município. Descobrimos que Mabel e Jerry já antagonizaram diversas situações diferentes com cenários semelhantes. Além disso, ao longo da história, Mabel descobre uma tecnologia secreta produzida pela Doutora Sam, da qual consiste em transferir a consciência de humanos para versões robóticas de animais no intuito de se misturar na floresta e entender o cotidiano das espécies.

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Definitivamente, a premissa por si só já mostra o quão longe o roteiro pode seguir. E o que se segue em tela nos prova exatamente isto. A partir de diversas decisões criativas somadas à personagens bem desenvolvidos, o conjunto de situações escalonadas acaba agradando ao público de todas as idades, justamente pelo exagero mesmo. Destaque, por exemplo, para um momento em que um tubarão (muito parecido com o Bruce de “Procurando Nemo” inclusive) está voando com a ajuda de diversas aves, enquanto diferentes animais estão perseguindo o prefeito na rodovia.

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Aliás, esta ideia toda de juntar diversos representantes de reinos e espécies diferentes como se fosse um verdadeiro conselho da ONU é a cereja do bolo. É com isso que conhecemos ainda mais da personalidade do Rei George, o castor líder do reino dos mamíferos, que cria um laço de amizade muito bonito com Mabel quando ela se transforma em um castor-robô. Sem contar a presença dos representantes dos outros reinos que adicionam muito humor à trama - nunca deixando o tom hiperbólico das ideias de lado. Este fator, por consequência, acaba conquistando o espectador no grande final exuberante com algumas viradas de personagens que o filme propõe.

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Por fim, podemos dizer que “Cara de um, Focinho de outro” é uma ótima animação divertida sem nenhuma pretensão da Pixar, da qual segura o engajamento de seu público por não se levar tão a sério assim. É claro que estamos falando de um filme da Pixar, logo a carga dramática se encontra muito presente ali, principalmente no que diz respeito à amizade entre Mabel e George, além do legado que a protagonista quer manter de sua avó. Contudo, não acaba caindo em circunstâncias baratas e sem carisma das quais fizeram me desconectar com “Elio”, por exemplo. Aqui criamos empatia até pelo Jerry, que é um ótimo personagem inclusive. É como se este filme encontrasse a graça de um “Os Sem-Floresta” (da DreamWorks) da vida, ao mesmo tempo de apresentar um peso e elegância de um “Vida de Inseto”, da Era de Ouro da Pixar. Isto é, é um filme dessa nova fase do estúdio, certamente. Porém, existe um retorno às origens ao priorizar roteiro que me agrada demais, particularmente. Uma ótima surpresa de 2026, sem dúvidas.

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Comentários 1

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Cine Cult Brasil3 de julho de 2026
Ótimo texto! Pra mim já ganhou o selo de uma das melhores animações do ano! O filme é gostoso de assistir e a gente cria um apego emocional pelos personagens, torcendo de verdade pra que eles consigam salvar a sua floresta! Até me deu vontade de assistir de novo agora hahaha

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