Meus Filmes Favoritos de 2025!
Críticas GeraisVoltei.
Na verdade, eu nunca fui embora de verdade. Sempre estive aqui, sempre acompanhando o cinema. Mas eu preciso ser honesto com vocês, eu não estou tendo muito tempo. Hoje eu estou trabalhando, estudando, saindo muito cedo de casa e voltando muito tarde. E, quando chega o final de semana, a única coisa que eu penso em fazer é dormir. Vocês entendem como é, né?
Mesmo assim, no meio desse cansaço, eu tento. Tento assistir alguma coisa no final de semana, tento desopilar um pouco dessa rotina corrida. Só que, às vezes, o tempo passa… e eu acabo deixando de escrever. E nisso eu sei que pequei.
Principalmente por não ter trazido críticas de alguns dos grandes filmes que passaram. O próprio “O Agente Secreto”, por exemplo, que é um filme que eu… CALMA! Sem spoilers, porque ele ainda vai aparecer por aqui.
Mas a vontade de voltar a escrever é grande. Eu gosto de estar aqui, de entrar em contato com vocês, de ler os comentários, ver as curtidas. Isso me faz bem.
Então, eu estou de volta. E nada melhor do que voltar olhando pra trás.
Agora que a temporada de 2025-2026 se encerra, com o fim do Oscar, venho aqui falar sobre os filmes que mais me marcaram nesse período. Aqueles que ficaram comigo depois da sessão, que ecoaram por dias e até hoje matutam na minha cabeça.
Então bora pra lista!
Meus 10 filmes favoritos da temporada:
10. "Copan"

Se destacando por transformar um dos maiores símbolos de São Paulo em um organismo vivo, onde diferentes histórias, tensões e afetos coexistem. “Copan” de Carine Wallauer encontra sua força principalmente no olhar dedicado aos funcionários do edifício, trazendo à tona vozes que raramente ocupam o centro da narrativa. Ao acompanhar essas rotinas, conversas e pequenos momentos do cotidiano, constrói-se uma dimensão íntima que revela como a grandiosidade do prédio depende dessas engrenagens humanas quase invisíveis.
Ao mesmo tempo, o documentário articula de forma muito precisa o individual e o coletivo. As tensões políticas, os conflitos entre moradores e o caos das assembleias refletem diretamente o cenário mais amplo do país, criando um microcosmo social dentro do próprio edifício. A alternância entre momentos de caos e instantes contemplativos reforça essa construção, fazendo do Copan não apenas um espaço físico, mas um retrato vivo das contradições, afetos e disputas que atravessam a sociedade brasileira contemporânea.
9. “O Bolo do Presidente”

Uma narrativa profundamente humana ao escolher olhar para a guerra a partir da perspectiva de quem menos a compreende, uma criança. Ao acompanhar a jornada de Lamia em busca de ingredientes para um bolo em um país devastado por sanções, o filme transforma uma tarefa simples em um percurso de sobrevivência. A escassez, o medo e a incerteza atravessam cada espaço, mas são filtrados por um olhar ainda marcado pela ingenuidade, criando um contraste constante entre a brutalidade do contexto e a delicadeza da infância.
O longa ganha força justamente nesse equilíbrio entre fábula e realidade. Elementos como o galo que acompanha a protagonista trazem leveza e afeto, funcionando como respiro em meio ao desespero, enquanto o contraste entre a festa do presidente e a miséria das ruas evidencia a desigualdade de forma silenciosa, porém contundente. Sem recorrer a imagens explícitas de violência, o filme expõe o absurdo da guerra através da ausência de comida, de estabilidade, de futuro. O resultado é um retrato sensível e perturbador, onde a busca por um bolo se torna, na verdade, uma tentativa de preservar a humanidade em um mundo sem respostas.
8. “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”

Rose Byrne, que atuação impressionante, construindo um retrato sufocante de um cotidiano em colapso. A narrativa acompanha uma protagonista cuja vida parece desmoronar aos poucos, assim como o próprio teto de sua casa, que simboliza de forma direta esse acúmulo de pressões, falhas e desgastes. Tudo ao seu redor parece ruir, criando uma sensação constante de instabilidade que atravessa o filme do início ao fim.
O longa encontra sua força nesse desconforto. Ao misturar um humor ácido com situações profundamente angustiantes, constrói um retrato de uma sociedade exausta, onde seguir em frente se torna uma obrigação, mesmo quando não há estrutura para isso. Há uma ironia potente no fato de a protagonista ser psicóloga, alguém que precisa acolher o colapso dos outros enquanto o seu próprio se intensifica silenciosamente. O filme expõe, com certo sarcasmo e crueldade, essa lógica contemporânea em que tudo precisa continuar funcionando, mesmo quando já está colapsado.
7. “Foi Apenas um Acidente”

Jafar Panahi, reafirma um dos traços mais marcantes de seu cinema. A capacidade ímpar de abordar as marcas deixadas pelos regimes iranianos a partir de uma perspectiva íntima e profundamente humana. O filme se debruça sobre aqueles que permaneceram, sobre os corpos e as mentes que carregam as consequências de um passado violento, mostrando como essas experiências não se encerram no tempo, e sim, continuam reverberando, silenciosas, no presente.
Há uma angústia constante que atravessa a narrativa. Mesmo quando tudo parece ter passado, os fantasmas permanecem. Pequenos gestos, lembranças e encontros são suficientes para reabrir feridas que nunca cicatrizaram por completo. O filme constrói, assim, a sensação de que certas experiências transformam definitivamente quem as viveu, tornando impossível qualquer retorno a uma suposta normalidade. Uma inquietação do inicio ao fim, existe, de fato, perdão para tudo?
6. “O Último Azul”

O longa constrói uma distopia que, na verdade, soa perigosamente próxima da realidade. Ao imaginar um país em que idosos são afastados da sociedade e privados de autonomia, o filme escancara o etarismo estrutural que ainda atravessa o presente, transformando a velhice em sinônimo de descarte. Mas, em vez de seguir por um caminho de denúncia direta, a obra opta por uma abordagem sensível e poética, onde a resistência se manifesta através do afeto, do desejo e da recusa em aceitar o fim como destino inevitável.
No centro dessa narrativa está Tereza, vivida de forma monumental por Denise Weinberg, cuja trajetória ressignifica a ideia de jornada heroica. Aqui, o gesto mais revolucionário não é salvar o mundo, mas insistir em viver, sonhar e desejar até o último instante. Encontrando sua força justamente nesse contraste entre a dureza da realidade e a delicadeza com que constrói seus símbolos, especialmente ao transformar o ato de “voar” em algo que ultrapassa o físico e se torna uma metáfora de liberdade, um gesto de resistência íntimo.
5. “O Agente Secreto”

Um filme que se revelou aos poucos para mim. Quanto mais pensei sobre ele, mais camadas surgiram, mais detalhes ganharam peso, mais o meu olhar se transformou. É uma obra que cresce no tempo, justamente por não se apoiar no óbvio. Ao abordar o golpe militar, o filme escolhe um caminho silencioso, quase invisível, onde o regime não precisa se materializar em imagens explícitas de violência para ser sentido.
A ditadura está nos detalhes, em olhares, em falas interrompidas, em objetos, em pequenos gestos carregados de medo. É uma presença constante, mas nunca escancarada, como um fantasma que atravessa tudo. E, ao mesmo tempo, o filme constrói um retrato profundamente vivo do Brasil. O carnaval, as ruas, os corpos, a cultura popular. Tudo pulsa como se o próprio país fosse o grande personagem da narrativa. Existe uma beleza nessa forma de encarar o Brasil, não como cenário, mas como força.
Esse contraste entre a vitalidade cultural e a opressão silenciosa é o que dá potência ao filme. Ele não apenas denuncia, mas afirma. Afirma a existência, a resistência e a identidade de um país que insiste em viver, mesmo sob ameaça. O impacto não vem só do que é mostrado, mas do que permanece. Uma sensação de que, apesar de tudo, há algo no Brasil que resiste para não ser apagado.
4. “Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe”

A presença da fotojornalista palestina Fatma Hassona é o centro do documentário. Muito jovem, ela carrega um olhar sensível sobre o mundo ao seu redor, alguém que registra não apenas a destruição, mas também os pequenos respiros de beleza e humanidade que ainda existem na Faixa de Gaza. Suas imagens e sua fala revelam uma vida cheia de sonhos, planos e desejos que, aos poucos, vão sendo atravessados pela brutalidade da guerra.
E é justamente aí que o filme é devastador. Porque não se trata apenas de acompanhar uma história, mas de testemunhar uma interrupção. A morte de Fatma não é construída como choque gratuito, mas como consequência inevitável de um contexto que destrói vidas antes mesmo que elas possam se realizar por completo. Tudo aquilo que ela representava é brutalmente interrompido. O impacto do documentário está exatamente nessa impossibilidade de continuidade.
Menção Honrosa: “Duas Vezes João Liberada”

Antes do top 3, não poderia deixar de fora um dos filmes mais instigantes que vi, justamente por recusar o caminho mais fácil. Em um momento em que o cinema parece cada vez mais interessado em revisitar o passado, o longa se destaca por questionar esse próprio movimento. Ao abordar a história de João Liberada, uma mulher trans marcada por apagamentos e violências, o filme não se limita a reconstruir sua trajetória, mas expõe as tensões envolvidas em tentar transformá-la em narrativa.
A estrutura metalinguística, que acompanha os conflitos entre atriz e diretor durante a produção de uma cinebiografia, revela uma crítica contundente à forma como a indústria audiovisual muitas vezes molda histórias reais para torná-las mais “vendáveis”. Existe um desconforto constante nessa tentativa de encaixar uma vida complexa em fórmulas narrativas, como se fosse necessário suavizar ou adaptar o passado para que ele seja consumido no presente.
Se posicionando como um gesto de resistência. Ao recusar a espetacularização e insistir na reflexão, ele devolve à figura de João Liberada sua humanidade, ao mesmo tempo em que provoca uma discussão mais ampla sobre quem tem o direito de contar certas histórias.
3. "Sîrat"

Uma experiência que se constrói na fronteira entre o concreto e o abstrato. Desde sua própria definição, a ponte entre o paraíso e o inferno, o filme já se estabelece como uma travessia, um espaço de passagem onde tudo parece existir em estado de suspensão. A narrativa acompanha uma jornada física, mas rapidamente se revela como algo mais profundo. Um percurso existencial, onde o que está em jogo não é apenas o destino, mas o próprio sentido de continuar caminhando.
O longa encontra sua força justamente nessa ambiguidade constante. Ao misturar paisagens áridas, raves hipnóticas e encontros que parecem surgir como miragens, constrói uma atmosfera onde realidade e delírio se confundem. Há uma sensação permanente de incerteza, como se tudo estivesse sempre prestes a colapsar narrativamente. Não oferecendo respostas, se sustenta nessa instabilidade. A busca que move seus personagens deixa de ser apenas concreta e passa a habitar um campo simbólico, onde vida e morte, presença e ausência, salvação e perdição coexistem no mesmo plano.
2. “Ato Noturno”

“Ato Noturno” se constrói como um mergulho nas contradições entre o que se mostra e o que se esconde. O filme explora uma sociedade marcada por discursos moralistas, mas que, na intimidade, revela desejos, impulsos e comportamentos que entram em choque com essa aparência pública. Essa dualidade é o motor da narrativa, evidenciando como as máscaras sociais não apenas protegem, mas também reprimem. Até o ponto em que deixam de sustentar o que está por trás.
O teatro surge, então, não apenas como cenário, mas como linguagem e metáfora central. Os personagens transitam entre papéis, encenações e performances, borrando os limites entre representação e verdade. Ao incorporar elementos explícitos e situações-limite, o filme não busca apenas provocar, mas expor essa hipocrisia estrutural. Aquilo que é condenado em público muitas vezes é vivido em segredo. Nesse jogo entre palco e vida, o que está em questão não é apenas o desejo, mas a necessidade constante de escondê-lo. E o quanto isso revela sobre quem se é quando as luzes se apagam.
1. “Tudo o que Restou de Você”

Um épico familiar que atravessa gerações para retratar as marcas profundas deixadas pela guerra. Ao acompanhar diferentes membros de uma mesma família ao longo de décadas, o filme transforma histórias individuais em algo maior, quase como se cada personagem carregasse não apenas sua própria trajetória, mas também a memória coletiva de um povo. Essa dimensão multigeracional revela como o trauma não se encerra em um único momento, mas se prolonga, se transforma e se instala nas relações e nas escolhas de quem vem depois.
A força do longa está justamente nessa combinação entre escala e intimidade. Um olhar maduro, que Cherien Dabis, diretora do longa, constrói. Uma narrativa que equilibra beleza estética e densidade emocional, sem perder de vista a humanidade de seus personagens. A guerra não aparece apenas como evento histórico, mas como algo que molda identidades e conflitos internos, fazendo com que cada geração se torne, de certa forma, continuação dessa história.
Bom, esses foram os filmes que mais me marcaram entre o ano passado e o começo desse ano. De alguma forma, todos eles parecem conversar entre si. São histórias atravessadas por guerras, por perdas, por sonhos interrompidos ou colocados à prova. Filmes que, cada um à sua maneira, refletem nosso mundo atual. Esse mundo em tensão, onde a esperança muitas vezes parece frágil diante de tanta violência, desigualdade e absurdo. A sensação de que estamos vivendo em um tempo em que tudo pode ruir, em que o ser humano revela, com frequência, suas faces mais duras e contraditórias.
Mas enfim… Que esse seja um ano de retomada por aqui, de mais textos, mais filmes e mais trocas. E que, acima de tudo, seja um ano mais leve.
Até a próxima!
























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