Criando campeãs

Críticas Gerais

Sem sombra de dúvidas, o filme “Criando Campeãs” me ensinou uma das maiores lições que poderia aprender com a sétima arte. A lição em  não vem do filme, mas de tudo o que o cerca, desde a produção até a entrega do Oscar. Da obra em si, não gostei muito. Nem da obra, tampouco da atuação de Will Smith, que, apesar de ter sido premiado, sempre deixa a sensação de que conseguiria fazer mais e melhor.

A narrativa retrata a vida das irmãs Williams, multicampeãs de tênis, especialmente o empenho do pai das meninas no sentido de inseri-las no mundo do esporte. Will faz o papel do pai que , sinceramente, como já disse, não chegou a me impressionar.

A grande lição não vem do filme em si, mas da premiação do Oscar. Em dado momento, “Todo mundo Odeia o Chris, (Chris Rock) fez uma piada a respeito da esposa de Will, Jada Pinket Smith. O resto, acho que não preciso dizer porque os leitores já sabem.

Já se vai algum tempo desde que Will Smith aplicou um sonoro tabefe na cara de Chris. O ar congelou. O mundo ficou alguns segundos pensando “e agora, a vítima vai revidar”. Sim, revidou, da forma mais inteligente possível. Calou-se, esperou pela passagem do tempo.

A motivação de Will Smith para fazer tal bobagem, ninguém sabe ao certo. Lembro de ouvir ele dizendo que dentro do filme “Criando Campeãs” sua tarefa era proteger as meninas e que essa tarefa teria transbordado os limites da obra, culminando com aquele tapa com o qual, segundo ele, estava protegendo sua esposa de uma piada maldosa. Lembro que na época o mundo se dividiu: fez certo, fez errado¿ Acho que a resposta para essa pergunta vem de outro dos filmes de Will, “Lendas da vida”.

Em Lendas da Vida, Will interpretara Bagger Vence, uma versão de Krishna, treinador de Ranolph Junuh, (Arjuna) que são personagens do livro Baghdavad Guita. Baghdavad Guita é um dos livros sagrados indianos que fala sobre uma suposta batalha que ocorreria entre os Pandavas e Curavas, ambos os grupos parte da família de Arjuna e que se enfrentariam numa luta mortal. Arjuna está no meio do campo de combate recebendo os conselhos de Krishna sobre a carnificina que iria ocorrer. Aliás a filósofa Lúcia Helena Galvão dá uma palestra incrível acerca do tema.

A batalha que se desenvolve em Baghdavad Guita é uma luta interna, nós contra nós mesmos, tão cruenta e dolorida como se precisássemos matar alguém do nosso sangue. Um confronto cruel e doloroso que irá  ferir de morte. Entretanto, cabe a cada um  perceber que é fundamental que saibamos controlar nossos demônios. Nos momentos de maior aflição, é necessário parar, pensar, ter calma para fazer as coisas.

As razões pelas quais Will desferiu o tapa no comediante podem ser muitas. Talvez o ego tenha inflado a ponto de ele achar que as pessoas aprovariam aquilo. Talvez o relacionamento com a esposa já estava tóxico. Pode ser que o autor tenha se perdido no papel e esquecido de que era só um papel. De fato, nesse dia, perdeu a guerra contra si mesmo.

O que um ator tem a oferecer além de seu desempenho é a sua imagem. As notícias que correm é que a reputação de Smith ruiu depois do episódio, chegando a perder muitos papéis e oportunidades de trabalho, que antes eram muitas.

A grande lição que aprendi com esse filme e a partir desse episódio é a de que se faz necessário autocontrole e discernimento principalmente por dois motivos: o primeiro deles, ético, o segundo de ordem pragmática, uma vez que dizem que o ator perdeu muitas oportunidades por conta de seus modos.

 

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