Convite 19

Conto

O conto a seguir é inspirado em uma música de minha autoria chamada “Carona (Convite)”, lançada no meu EP “Das Dores ou Lapsos Diários”. Sou músico, compositor e produtor, e lanço meus projetos artísticos com o nome de Ander Cover. O esboço da canção nasceu em meados de 2016, inspirado em um dos primeiros contos que escrevi na vida. Porém fui modificando a sua letra ao longo dos anos. Até que na pandemia, alterei alguns versos para adaptar à época em que estávamos vivendo. Gravei a música em outubro de 2021, e a lancei em agosto de 2022. A história é contada em primeira pessoa, como uma confissão em um diário, na perspectiva de um jovem que, durante a pandemia do COVID-19, cria laços com um senhor que perdeu sua família para o vírus. A letra da música se encontra ao final do texto.

Aviso:  o texto a seguir contém temas sensíveis como depressão e suicídio, podendo ativar gatilhos em algumas pessoas.

 

8 de Junho de 2020.

E acabo me sentindo cada vez mais como no filme “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day, 1993). “Hoje é o dia da marmota… de novo”. Pois é, hoje é mais um dia de pandemia, com tudo fechado, longe de tudo, longe da família, de amigos, preso aqui no cubículo do meu apartamento com o meu maior inimigo: a minha sombra. Inclusive estou deixando tudo registrado nesse pequeno diário velho que tinha guardado aqui em casa, pois eu realmente não sei como será o dia de amanhã. Na real, é uma agenda velha de 2017. Percebo que nada mudou. No começo de Janeiro, planejei inúmeras tarefas, e lembro que havia prometido pra mim mesmo que iria continuar aquele ano assim. Pobre ilusão.

 

Eu deveria ter vivido mais. Tô me sentindo cada vez mais um produto do meu fracasso no passado. Abro o celular e vejo no Instagram que existem pessoas que literalmente estão fingindo que nada tá acontecendo. Isso me dá uma raiva desgraçada, porque eu não sei se tenho essa coragem. Sou um fracassado de uma covardia tão grande, que não tenho coragem de sair da quarentena, mesmo sabendo que não vou entrar em contato com ninguém. Tenho tanto medo de pegar essa doença maldita e morrer, mesmo desejando minha morte todas as noites antes de dormir. Sou covarde a ponto de rezar para partir dessa para uma melhor dormindo.

Não sei. Sei que tô cansado. Preciso sair, respirar ar puro. Preciso viver um pouco. Não tenho ninguém aqui nessa cidade mesmo. Meus pais moram na minha terra natal, em outro estado. Meus amigos nem devem lembrar da minha existência. Já faz alguns anos que não faço nada, apenas acordo, trabalho, volto para a casa, jogo um pouco no computador, assisto a mesma série pela quinta vez, e durmo. Acordo e tudo se repete.

De novo, de novo, de novo e de novo.

 

10 de Junho de 2020.

Não escrevi ontem. Fiquei o dia todo batendo a minha cabeça contra a parede. No sentido figurado, a princípio, até eu querer fazer isso literalmente e cair com tudo no chão. Na minha lembrança não foi uma pancada tão forte. Mas acho que a cabeça estava tão esgotada que tudo se desconectou. Isso me fez pensar que talvez eu seja uma pessoa frágil.

Eu lembro de não ser muito bom em esportes na escola. Porém, havia um que era bom. Queimada. Sempre arremessei bem a bola, de uma forma rápida, e até que durava nos jogos. Dificilmente eu era queimado com facilidade. Isso me criou uma falsa sensação fixa na minha mente, de que eu era alguém forte e resistente. Meu porte físico nem era tudo isso. Hoje, inclusive, estou até em sobrepeso. Pelo menos, foi isso que o médico me disse na última consulta que eu fiz. Aliás, nem era uma consulta que eu compareci porque queria. Era um exame periódico do trabalho. Meu antigo trabalho de caixa do mercado. Ficava o dia todo sentado. Não tinha como eu ficar em forma mesmo…

Divaguei de novo. Desculpe…

Ora, que idiota! Por que estou pedindo desculpa pra mim mesmo? Nem sou eu de verdade. É apenas a droga de um papel velho. Não sei nem se eu vou ler isso depois. Quem dirá outras pessoas?

Enfim, o ponto é que sempre achei que era forte por causa desse jogo. Nunca mais senti essa sensação novamente. Hoje vejo que aquilo não significava nada. Era só uma meia hora que acontecia por semana. E nem era toda semana. Até porque queimada acontecia vez ou outra. A maioria das aulas de educação física era de esportes regulares. Futebol, vôlei, basquete. Todos esses eu era ruim. Até handebol que quando joguei pela primeira vez pensei que me sairia bem. Afinal, eu era bom no arremesso. Doce ilusão.

Aprendi que não é sobre técnicas, repetições, dons. Aprendi que é sobre momentos, picos, passagens. Vida, felicidade, essas duas coisas se encontram apenas poucas vezes durante nossa passagem. Quando eles falam que “tudo passa”, não querem passar a mão na sua cabeça e dizer que tudo ficará bem. Eles querem dizer que literalmente tudo é passageiro. Nada permanece. Nem o bem, nem o mal. Acontece que chega um ponto da vida em que o mal e a monotonia se tornam quase sinônimos. Por isso, temos a impressão que o bem é ainda mais passageiro. Talvez seja mesmo. Ou, talvez, eu só esteja entediado…

 

11 de Junho de 2020.

Eu acho que ontem foi um dos dias mais depressivos da minha vida. Eu não dormi quando escrevi aquilo. Eu tive uma insônia desgraçada. Encontrei essas cordas elásticas com ganchos nas pontas caídas na frente do meu prédio, depois que desci para buscar meu pedido do iFood. É, eu voltei a fumar, e pedi por aplicativo. Que deprimente…

Sem hesitar, peguei aquela corda e subi. Quando estava voltando para o meu apartamento, mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Eu estava doido para usar aquela merda e me matar. Só que essa corda era muito pequena. Não era o suficiente para contornar o pescoço. Desisti, então.

Depois disso comecei a chorar, e fiquei chorando durante toda a noite, enquanto deixei tocando o Stone Flower, do Tom Jobim, na minha televisão. Foi um misto de emoções, pois ouvia esse álbum quando era pequeno e ficava tão feliz. Tão maravilhado e hipnotizado com a música. E essa noite fiquei chorando pensando em minha morte, enquanto ouvia isso.

Bom, estou aqui às 16:53 de uma quinta-feira, escrevendo e deixando registrado. Que eu não sei o que pode acontecer. Mas eu vou sair daqui a pouco. Eu quero que se foda! E se for pra acontecer, vai acontecer.

 

12 de Junho de 2020.

Eu não sei dizer muito bem. Mas sabe quando você se sente um lixo? Como se seus problemas não fossem tão maiores quanto os dos outros. Bom, eu saí, eu fiz exatamente a mesma coisa que estou condenando. Mas eu não saí pra alguma festa ou coisa assim.

 

Eu fui à praça central. Cheia de árvores bonitas, e alguns bancos enferrujados. A grande maioria estava completamente suja. Até que sentei em um desses bancos, estava um pouco apertado, pois algumas partes estavam tortas. Não sei explicar, mas o espaço que estava ali para sentar era pequeno. Só tinha aquele banco limpo vazio onde eu estava. Na realidade, havia outro banco limpo. Só que já estava ocupado. Era um senhor que parecia estar descuidado. Parecia não. Ele estava. Mas já chego nesse ponto. Ele usava uma blusa de lã, com a manga encharcada. Pensei que fosse apenas um andarilho. Até que comecei a ouvir seu choro. Não apenas um choro, mas um desabafo.

 

Resumo da ópera: ele começou a desabafar sobre a desgraça que tinha passado recentemente. Tudo isso em prantos. Falou que há uma semana atrás tudo estava normal. Mesmo com a pandemia, ele e sua esposa estavam em uma fase boa. Ele estava feliz que a filha deles havia voltado para casa, iria ficar um mês já que o marido dela ia viajar a trabalho. Só que aí veio a pandemia. No começo, eles até ficaram um pouco felizes, pois poderiam passar um tempo juntos. Aí foi passando o tempo. E eles, e o mundo todo, começaram a perceber o tamanho desse apocalipse. Estavam trancados em casa. Ele enfatizou bastante isso, inclusive. Porém, do nada começaram os sintomas. Primeiro na sua filha. Em seguida, na sua esposa. Ele permaneceu intacto. Apenas com a preocupação arrematando o seu peito. Até que ele recebeu a notícia. As duas se foram. Precisou intubação e se foram. Em questão de dias, tudo acabou. Eu não entendi quantos dias foram ao certo, porque ele começou a gaguejar e a soluçar aos montes. Apenas fiquei ouvinte.

 

Até que percebi o motivo da manga encharcada. Ele estava chorando o dia inteiro, e secava as lágrimas com ela. Eu não sabia o que dizer, apenas que sentia muito, e que se ele quisesse desabafar sempre comigo estaria aqui neste mesmo horário.

 

Já não havia tanto sol aquele horário, mas o pouco que tinha não nos abalou. Estávamos sob uma sombra densa e enorme de uma árvore gigante. Depois de se acalmar um pouco, o senhor começou a alimentar os pombos que estavam perambulando naquela praça. Prontamente, ajudei-o com aquela tarefa. Passamos o resto do fim da tarde assim.

 

Voltei para casa e abri o maço. Coloquei na boca e quando acendi o fósforo, deparei-me com uma força estranha. Alguma coisa me segurou e não foi meu eu consciente. Senti como se alguém quisesse que eu parasse. Comecei a encontrar justificativa para isso. Antigamente, até que era espiritual. Mas hoje me encontro mais cético. Só que depois disso, comecei a pensar que era algo ancestral em mim dizendo pra eu parar de fumar. Porque o ar já está ruim com essas máscaras, e pretendo conversar amanhã no fim da tarde com aquele senhor. Não quero ficar fedendo cigarro de novo. Decidi dormir. E aqui estou, pela manhã, tomando um café e ouvindo a rádio local que as mortes não param, e que o governo atual está escondendo os números reais. Eu tô preferindo ouvir apenas o rádio, porque a TV tá me deixando muito paranoico. Ficar vendo as imagens reais me deixam neurótico. Pois é, cara prosperidade, talvez não tenha sido apenas uma gripezinha.

 

13 de Junho de 2020.

Ontem minha conversa com o senhor foi melhor. Quer dizer, não no início. Quando a gente se viu, ele acabou me contando a última coisa que assistiu com sua família. Era um filme antigo dos anos 70, com o nome “Um Momento, Uma Vida” (Bobby Deerfield, 1977). Estrelado pelo Al Pacino. O senhor estava falando o quanto era encantado pelo Al Pacino na infância. Achava ele um máximo, mesmo sendo um pouco baixinho. Falou que se via nele. Assisti a poucos filmes do Al Pacino, confesso. Mas pelo que sei, ele realmente tinha uma semelhança vaga.

A questão é que o filme falava sobre momentos. Sobre quando você conhece alguém, vive algo intenso com ela, e ela vai embora. De modo definitivo. Ele me disse que o filme é como se fosse uma viagem, sendo que na ida Al Pacino está feliz, aberto à novas experiências e, principalmente, acompanhado. Já na volta, ele estava sozinho. Havia perdido o amor de sua vida para sempre, por causa de uma doença. Quando ele falou essa palavra, começou a gritar. Não aguentava, não suportava aquela dor que sentia. Foi então que eu vi alguns calos em sua mão, entre outros hematomas. Na hora, percebi que ele tava se flagelando.

Então, cheguei mais perto dele, e bati em sua coxa, dizendo que estava tudo bem. Ele se voltou para mim e disse “Desculpe, filho. Hoje não me sinto muito bem”.

 

Bom, como disse, esse foi o início. Depois disso, ficamos até altas horas conversando sobre filmes que ele assistia na minha idade. Falamos um pouco sobre tudo na verdade. Política, religião, fofocas. Achei engraçado porque nunca sabíamos o nome real de várias coisas. Apenas as ideias centrais. Não que isso importasse. Na verdade, nada disso importou. Apenas os nossos papos fluindo bem.

 

14 de Junho de 2020.

Ontem ele me contou uma coisa que estou matutando até agora. Estou falando com um sobrevivente, definitivamente. Ele me contou que quase morreu 18 vezes. Eu tô totalmente em choque. Nem lembro mais quantas vezes foi tal coisa, mas só sei que ele teve uns três infartos, uns par de atropelamento, até assalto à mão armada já sofreu.

 

Eu ri quando ele me disse que se considerava o ‘maior estraga prazer da Morte'. “A Morte deve me odiar”, ele disse. “Costumo chamar todas essas minhas experiências de convite. Também gosto de enumerá-los. O convite 18, por exemplo, foi quando sofri uma queda ao tentar trocar uma lâmpada. Rapaz, dessa vez eu vi a luz no fim do túnel, viu? Só depois que eu percebi que tinha conseguido trocar a lâmpada”.

 

É, posso dizer que ontem a gente conseguiu rir um pouco. Vamos ver hoje.

 

18 de Junho de 2020.

Eu tô feliz, prosperidade. Eu confesso que tô feliz. Estou escrevendo isso pela manhã de uma quinta-feira. Na verdade, são 05:53 da manhã. Vou ver o sol nascer. Fiz isso durante a semana, para ser honesto.

 

Fiquei um pouco longe, certo? Pois bem, eu vivi um pouco essa semana. Eu e meu amigo estávamos rindo sobre a forma que as cidades pequenas apresentam inúmeros estabelecimentos com o nome do dono somado ao ofício. Tudo isso começou quando a gente estava brincando sobre adivinhar onde cada um estava lendo alguma coisa. Até que mencionei a palavra “fibras”. O senhor, meu amigo, então, ao se deparar com um estabelecimento chamado ‘Biro Fibras’ caiu na gargalhada. Começamos a rir um monte durante aquela noite. Até que peguei o meu carro que não dirigia há tempo, fiz um convite irrecusável para meu amigo. Este, definitivamente, foi melhor do que os convites da Morte. Viajamos sem rumo para cidades aqui da redondeza.

 

Conseguimos nos divertir aos montes, falamos sobre a vida, sobre os sonhos, sobre as frustrações, assistimos o sol nascer todos os dias. Voltamos porque ele me disse essa noite que queria buscar uma foto de sua família para me mostrar. Não sei se continuaremos nossa road trip. Quem sabe? Posso garantir que ele foi a minha melhor companhia no banco do carona.

 

19 de Junho de 2020.

Hoje não me sinto muito bem.

 

São 23:44, e eu tô em casa. Fazia tempo que não escrevia à noite. Não tive o mesmo ânimo ao acordar hoje. Desculpe, prosperidade. Ou seja lá o que você for de fato.

 

Ontem fui até a praça, e fiquei esperando por horas, mas meu amigo não apareceu. Foi só depois disso que eu percebi que não havíamos trocado nossos números, nem pensamos nisso. Não tinha como eu entrar em contato com ele. Ele também já tinha me falado que não gostava de mexer nessas redes sociais, que nunca aprendeu de fato. Isso nunca foi o cerne da nossa relação. Talvez a graça estava nisso. Graças a ele, deixei de me aborrecer com o Instagram.

 

Divaguei de novo. Tô voltando com isso, pois bem vamos abrir a ferida logo.

 

Fiquei sabendo hoje pela manhã, na rádio local, de um tal suicida. Meu coração começou a acelerar, eu não conseguia pensar direito. Só ouvi dizer que iam enterrar ele, sem velar nem nada nos moldes tradicionais. Aparentemente é isso que estão fazendo agora, por conta do COVID.

 

Mas eu não podia deixar de ver com os meus próprios olhos. Fui até o cemitério e não me deixaram entrar. Havia apenas um coveiro, estavam reduzindo os funcionários. Eu disse que precisava ter a certeza que era meu amigo, porque se fosse não teria ninguém para avisar, ele só tinha a mim. O coveiro ficou sensibilizado e abriu a porta para mim rapidamente. Disse que se alguém o pegasse ele iria para a rua, e que eu iria junto. Não me importava se era uma ameaça ou não. Só queria ver meu amigo uma última vez. Quando ele abriu o caixão, pude ver a manga da sua blusa de lã. Totalmente seca. Nunca esteve tão seca assim. Não quero descrever como estava o resto de seu corpo. Seu pescoço… Vou preservar sua memória.

 

Só sei que aquela manga seca me dizia alguma coisa. À essa altura já não estou tão cético assim, e tô começando a acreditar em comunicação com o outro plano. Pois a partir do momento que vi essa imagem, imediatamente sua voz veio até mim dizendo: “Hoje eu me sinto muito bem”. Não sei se foi ele, se foi coisa da minha cabeça, ou se estou delirando agora. Só sei que falamos sobre a morte algumas vezes. Não contei inteiramente sobre os 18 convites. Mas alguns deles foram tentativas de suicídio. Acabei trocando muitas confissões com meu amigo sobre isso. Por isso, parte de mim sabe que hoje ele se sente muito bem. Eu sei disso. Eu me sentiria também. Mas não tenho coragem. Não ainda.

 

Vou dormir, espero. Hoje eu realmente não estou bem.

 

Até amanhã, prosperidade.

 

 

Letra completa da música que inspirou este conto:

Carona (Convite)

  • Composto por Ander Soares

 

Nesses dias, quando estava sentado

Num banco da praça

Um pouco apertado

 

Ouvi um choro de um senhor ao lado

Contando a desgraça

Que tinha passado

 

Falou que há uma semana atrás

Vivia em paz com sua família

Até que, do nada, tudo acabou

Sua mulher o deixou e levou sua filha

 

Secava a lágrima com a lã da manga

Pra ter a lembrança do eterno luto

Passou o dia alimentando os pombos

Sob densa sombra num clima enxuto

 

Não aguentando começou a gritar

Por não suportar toda a dor que sentia

Denunciados calos, o autoflagelo

Com um olhar sincero, triste dizia

 

“Hoje não me sinto muito bem

Hoje não me sinto muito bem”

 

À toda peste uma maldição

Cega uma nação

Dedução inventiva

 

Não por afeto, empatia forçada

Chegou atrasada

Vida coletiva

 

Fiquei sabendo hoje pela manhã

Na rádio local

De um tal suicida

 

Enterra seca a manga daquela lã

Num ato final

Feliz induzia

 

“Hoje eu me sinto muito bem

Hoje eu me sinto muito bem

Hoje eu me sinto muito bem

Hoje eu me sinto muito bem”

 

É na dor de perder toda cor que eu sei dizer

Que não é fácil de tratar esse amargo e me acalmar

 

Hoje não preciso de ninguém

Hoje eu evito ser alguém

Hoje já absorvo o desdém

Hoje eu me sinto muito bem

 

Link YouTube (Faixa 3): https://youtu.be/2yPMKbYvQ5M?si=SFooJO3Yv_XKPYmo

Link Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/3rIWUWCdrPN2SXEyepVZhv?si=803db933163b49df

Comentários 1

B
Brie Moreno5 de abril de 2026
Texto lindo, sensível, parabéns 🤍

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