Crítica - Resident Evil

Críticas Gerais

Após um imenso sucesso nos games, Resident Evil veio a se tornar uma franquia nos cinemas de sucesso comercial (mas de forte rejeição da crítica e de boa parte dos espectadores, em especial os fãs dos jogos) dirigida em grande parte por Paul W.S. Anderson (sendo também um dos melhores títulos a utilizar a linguagem 3D de forma espetacular) ao trazer a saga da protagonista Alice, e que eu particularmente adoro e me divirto. Depois de uma tentativa mais fiel aos games e que era um filme fraquíssimo (apesar de um e outro bom elemento), eis que a franquia retorna para mais um novo título aos cinemas, e felizmente, Resident Evil se revela um filme intenso e divertidíssimo em seu equilíbrio perfeito entre ação, terror e bom humor.
Trazendo um jovem entregador que precisa levar uma carga importante para um hospital em Raccoon City sem saber que uma epidemia está tomando conta daquela cidade, este Resident Evil busca fugir quase que completamente da mitologia dos jogos (o que inclui seus icônicos personagens) e se interessa em ambientar-se em seu mais que conhecido universo, criando uma narrativa movimentada onde o roteiro não teme investir justamente nos elementos de fases dos games, o que leva o protagonista a precisar encontrar armas, munições, e por vezes, atravessar diferentes cenários para chegar a outro, o que leva ao ápice dele precisar se situar em um mapa para ir a outro, o que nos leva à sensação de estarmos jogando (algo que remete também a Resident Evil 5: Retribuição, um dos meus favoritos da saga de Alice, que também trazia fases em suas várias e espetaculares sequências de ação). Investindo na ação e no suspense quase constantes, este novo filme surge compacto em sua duração, mas com um ritmo absolutamente incessante, e que se torna fascinante vindo do diretor Zach Cregger, que aqui, abandona a disciplina e o ritmo mais deliberado de A Hora Do Mal para algo bem mais acelerado.
Por sinal, o primeiro ato acerta por utilizar perfeitamente a ironia dramática (quando sabemos de uma informação que algum personagem não sabe), já que basta uma citação a Raccoon City (e o fato de estarmos em um filme de terror) para que saibamos o que o protagonista Bryan enfrentará inevitavelmente (como comprova a divertida sequência que o protagonista atropela acidentalmente uma mulher e ela sobrevive), conseguindo criar ansiedade no espectador, mas sem deixar de provocar um riso nervoso no espectador. Com isso, apesar de sabermos o que está acontecendo, a tensão e o completo desconhecimento do protagonista em relação à epidemia eleva a tensão.
Conferindo um caráter quase de odisseia à jornada do protagonista, Austin Abrams não poderia ser um melhor protagonista. Servindo tanto como nosso avatar dentro do filme como também é um perfeito personagem, o ator acerta por demonstrar um pavor autêntico ao que acontece, sem deixar de reagir com certa irreverência ao que acontece, como se não acreditasse na própria sorte. Além disso, ao investir na sua vulnerabilidade (como o seu completo despreparo para utilizar armas ou a divertida relação com cadeados inquebráveis) e em elementos que o humanizam (como a bela sequência que ele liga para a namorada no terceiro ato após retirar parte da roupa, e que em um detalhe de extrema sutileza do ator, ao perceber que estava sendo ouvido e visto, leva a cobrir parte do seu peito, como se tivesse se exposto demais), isso nos aproxima de seu personagem, mesmo quando o roteiro investe nos clássicos clichês do gênero (desde atitudes impulsivas e por vezes, absurdas, mas que curiosamente, soam orgânicas dentro da narrativa por remeter às raízes dos games), tanto que o único momento que o filme quase quebra isso é na sequência do elevador.
Por outro lado, é ótimo ver a evolução de Zach Cregger como cineasta, já que além da condução da história, ele aposta no movimento constante do protagonista, onde encontra um equilíbrio perfeito entre o terror absoluto, a ação incessante e um divertido bom humor (que surge rápido em suas tiradas) sem um afetar o outro, e que ainda melhor, potencializa a experiência no geral. Nesse aspecto, o diretor é muito feliz ao conseguir sustentar a tensão da história, alcançando sustos surpreendentes e que em sua maioria, surgem em momentos inesperados logo após estabelecer uma situação já naturalmente tensa ao espectador. Inclusive, o próprio diretor presta breves homenagens como as sequências em um túnel escuro vista nos dois primeiros filmes da franquia Extermínio ou uma criatura que remete curiosamente àquela de A Morte Do Demônio: A Ascensão, e até mesmo a maneira que ele trabalha com a câmera surge bastante interessante, onde salta desde enquadramentos disciplinados na maneira com que planta tensão no espectador (como ao deixar espaços vazios na esquerda ou direita do enquadramento, nos levando a temer que algo pode surgir) ou em como a conduz para a ação (como no momento que a mulher atropelada e o protagonista correm ao redor de um veículo, ou no meu favorito, o que o protagonista atravessa a rua enquanto diversos infectados se jogam dos prédios, levando a uma explosão de sangue na tela chocante, mas muito divertida), sem contar a referência quando adota planos subjetivos que remetem a games como Doom.
Contando ainda com uma fotografia bastante eficaz na atmosfera tensa que cria (e embora a escuridão frequente e a iluminação mais sóbria beneficiem a experiência, a sequência que se passa em uma maternidade é prejudicada pela escuridão), uma trilha sonora muito boa (e que se inspira nos temas eletrônicos de John Carpenter para conferir intensidade e pulsão à narrativa, remetendo um pouco aos games no processo), ótimos efeitos especiais (que complementam-se com a maquiagem para trazer infectados e criaturas assustadoras e diferentes daquelas que vimos antes), e ainda por cima, finalizando com um desfecho que consegue ser divertido e trágico ao mesmo tempo, Resident Evil revitaliza a franquia de forma surpreendente, revelando-se um filme excelente e muito, muito bom.
 

 

Baseado no Videogame da Capcom.

 

Gênero: Terror/Suspense
Duração: 94 Minutos
Classificação Indicativa: 18 Anos (Violência Extrema, Violência Contra Vulnerável, Medo e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Sony Pictures
Direção: Zach Cregger
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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