Crítica | Pressão
Críticas Gerais
Longa estreia nesta quinta (3)
Por Natália Viana
Dirigido por Anthony Maras, Pressão (Pressure, EUA, 2026) não é tudo isso que promete. A proposta de acompanhar a Segunda Guerra Mundial por uma perspectiva diferente, colocando os meteorologistas no centro de uma decisão que poderia mudar os rumos do Dia D, é interessante e tinha potencial para resultar em algo muito mais original. Maras tenta fugir do tradicional filme de guerra ao acompanhar James Stagg, interpretado por Andrew Scott, e a importância das previsões meteorológicas para a invasão da Normandia. O problema é que, no fim, essa nova visão não é aproveitada como poderia e o filme acaba sendo somente mais um filme de guerra.
A ideia de transformar a meteorologia em elemento central do conflito é justamente o que poderia diferenciar Pressão de tantos outros filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Porém, o roteiro parece não saber o que fazer com essa proposta durante boa parte da narrativa. Em vez de aprofundar o trabalho dos meteorologistas e fazer o espectador compreender o peso daquela decisão, o filme frequentemente retorna para conflitos e situações que já vimos inúmeras vezes em produções do gênero. A novidade está na premissa, mas nem sempre está na maneira como ela é desenvolvida.
O roteiro também sofre com arcos que são iniciados sem muito sentido e acabam ficando inacabados ou pouco desenvolvidos. Personagens são apresentados com possibilidades interessantes, mas essas possibilidades não chegam a lugar nenhum. Existem conflitos que parecem importantes em determinado momento e depois simplesmente perdem força, deixando a sensação de que algumas ideias foram colocadas na história apenas para preencher espaços, sem uma verdadeira função narrativa.
As atuações são competentes, especialmente Scott, que consegue carregar boa parte do peso dramático de James Stagg, mas nem mesmo um bom elenco consegue compensar completamente os problemas do roteiro. Brendan Fraser, como Dwight D. Eisenhower, também entrega uma atuação sólida, mas seu personagem acaba limitado pelas próprias escolhas narrativas do filme.
Para completar, o longa recorre a clichês que o público já está saturado de assistir em filmes de guerra. As relações entre os personagens, os conflitos internos e algumas das decisões dramáticas parecem seguir caminhos já conhecidos, diminuindo justamente o impacto que a proposta diferente poderia proporcionar. Quando o filme finalmente poderia se aprofundar naquilo que o torna único, ele acaba voltando para o terreno seguro do gênero.
Pressão tinha uma grande história escondida dentro de uma premissa excelente, mas não consegue transformá-la em um grande filme. A tentativa de mostrar a guerra através daqueles que observavam o céu, e não daqueles que estavam no campo de batalha, poderia ter criado uma experiência realmente diferente. Porém, entre arcos mal aproveitados, clichês já conhecidos e uma narrativa que não consegue sustentar sua própria proposta, o filme termina sendo apenas mais um drama de guerra. Talvez essa seja a maior frustração: não é a falta de uma boa ideia que o prejudica, mas a incapacidade de levá-la até o fim.
Nota: 📼📼½









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