Crítica - Na Zona Cinzenta

Críticas Gerais

Na Zona Cinzenta é um filme de ação divertido e muito eficaz na direção de Guy Ritchie, mesmo com alguns probleminhas.
Trazendo um grupo de personagens cujo objetivo é recuperar uma dívida bilionária, Na Zona Cinzenta traz uma narrativa movimentada e que aposta tanto na ação física dos tiroteios e explosões quanto na parte de estratégias entre seus personagens, se saindo bem nas duas partes e em como uma afeta a outra de certa forma. Aliás, ao retratar as estratégias o filme fascina com a inteligência dos personagens, nos levando a um sorriso torto por reconhecermos as peripécias e ambições dos mesmos para alcançar seus objetivos, e mesmo que o filme se esforce para retratar que o que estão fazendo é difícil, há um certo elemento que a direção do prolífico Guy Ritchie parece reconhecer aquilo tudo como cinematográfico demais, o que é sempre divertido. Trazendo ainda ótimas sequências de ação (cujos pontos altos, embora curtos, são satisfatórios, como uma breve perseguição entre motos e carros, e outra no clímax envolvendo um helicóptero e um quadriciclo), que surgem sempre claras em sua decupagem (Ritchie raramente decepciona nesse aspecto), o filme ainda surge rápido e eletrizante, sendo incrivelmente enxuto em sua história, e até mesmo Ritchie usa de forma discreta algumas das suas assinaturas (como letreiros explicativos ou os momentos que retornamos para uma mesma cena sob outra perspectiva).
Por outro lado, ao trazer a sequência de planejamento mais longa e detalhada que já devo ter visto em um filme (geralmente, elas duram menos que cinco minutos em grande parte dos filmes), o roteiro cria uma armadilha para si já que os detalhes e o planejamento são tão minuciosos e precisos que acaba não abrindo muita margem para dar errado, e mesmo quando ocorre algo que desvia do planejamento (obrigando algum improviso), estes são rapidamente superados (ou até previstos no planejamento). E o fato dos personagens conseguirem se livrar dos obstáculos de forma eficaz (ou espetacular como comprova a fantástica sequência da emboscada em um bar) faz com que falte um pouco de tensão, algo que seria importante para o filme, e olha que a pulsante – e ótima – trilha sonora de Chris Benstead se esforça ao máximo para isso (e consegue relativamente bem). Com isso, o filme opera em uma curiosa zona cinzenta: Ele se leva a sério, e ao mesmo tempo traz momentos hilários entre os personagens, como se piscasse ao espectador se tratar de um filme (reconhecendo também que os personagens não parecem estar em perigo), e mesmo as baixas que ocorrem entre os personagens acabam soando como clichês do que algo que sentimos de fato. Por outro lado, a sintonia entre Henry Cavill e Jake Gyllenhaal é hilária e merece destaque, confesso que eu adoraria ver os dois atores retomando a parceria em uma continuação ou em outro filme.
Competente como filme de ação e eficaz em seu objetivo, o filme ainda conta com ótimas atuações (Henry Cavill e Jake Gyllenhaal conferem imensa disciplina aos seus personagens, mas também uma autoconsciência de quão eficazes eles são, trazendo uma sintonia perfeita em cena, Eiza González confere inteligência, ambição e uma divertida arrogância à sua personagem que se torna impossível não admirá-la, e se Rosamund Pike tem pouco mais que uma ponta glorificada, ao menos Carlos Bardem busca transformar seu personagem em um sujeito perigoso e imprevisível através dos seus modos cuidados e disciplinados), uma fotografia eficiente, ótimos efeitos especiais e sonoros, enfim, é um ótimo filme.
 

Gênero: Ação/Suspense
Duração: 97 Minutos
Classificação Indicativa: 14 Anos (Violência, Atos Criminosos, Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Diamond Films
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Henry Cavill, Jake Gyllenhaal, Eiza González, Kristofer Hivju, Carlos Bardem, Fisher Stevens e Rosamund Pike

 

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