Crítica | Ponto Sem Retorno
Críticas Gerais
Novo longa de Ridley Scott estreia nesta quinta (27)
Após envolvido com a produção de franquias como Alien, Ridley Scott retorna à direção em ficção científica com Ponto Sem Retorno (EUA, 2026) que chega aos cinemas neste final de semana. A história se passa nove anos após uma pandemia eliminar grande parte da humanidade. Hig (Jacob Elordi) vive isolado em um aeroporto abandonado ao lado de seu cachorro, Jasper, e de Bangley (Josh Brolin), um ex-fuzileiro naval. Hig perdeu a esposa grávida durante a pandemia e carrega um luto que transpassa o outro lado da tela.
Piloto e mecânico, ele mantém um pequeno avião e ainda alimenta a esperança de encontrar algum lugar onde seja possível recomeçar. Quando recebe um sinal de rádio, decide seguir a única pista que possui. Mas o combustível é suficiente apenas para a ida. Por isso Ponto Sem Retorno, além do título do filme, é uma decisão complexa para Hig em meio a possíveis ataques, um risco que traz o clima de ação e sobrevivência.
No caminho, ele encontra Pops (Guy Pearce) e Cima (Margaret Qualley), que também carrega suas próprias perdas - como Hig, ela também perdeu o marido. A aproximação entre Hig e Cima, no entanto, é uma das partes menos convincentes do filme. Existe uma tentativa de criar intimidade entre os dois, mas a relação permanece morna, com pouca química e pouco carisma. Hig fica muito preso ao passado e tem dificuldade de se abrir e recomeçar, mas ainda assim quando ele fica mais vulnerável emocionalmente, o envolvimento amoroso não funciona.
Jacob Elordi entrega uma atuação contida e consegue transmitir a dor do personagem mesmo quando não diz nada. Há momentos em que sua expressão é suficiente para que se sinta a situação daquele momento, traz uma reflexão importante sobre sobreviver ao próprio passado.
Ponto Sem Retorno demora um pouco para encontrar seu ritmo. A primeira parte exige paciência e a narrativa é construída lentamente, mas, quando a jornada finalmente engrena, as escolhas anteriores começam a fazer mais sentido. Apesar do cenário pós-apocalíptico, o longa parece mais interessado em foca o luto e o drama de um fim de mundo de uma pandemia. Scott peca na maneira desnecessária em sexualizar o corpo de Qualley em uma das cenas. No meio de uma narrativa marcada pelo luto e possibilidade de ataques, a câmera faz questão de focar na marcação dos seios da atriz que interpreta Cima, sem justificativa e completamente desconexo com o clima do filme.
Visualmente bem produzido, o longa mistura ficção científica pós-apocalíptica, drama, ação e sobrevivência, mas não reinventa um gênero que já conhecemos muito bem. O diferencial está na carga dramática e na tentativa de colocar o luto no centro da experiência.
Ridley Scott entrega um filme competente, mas Ponto Sem Retorno não chega a se tornar uma obra particularmente marcante dentro do cinema pós-apocalíptico. Para quem gosta de histórias de sobrevivência, fim do mundo e personagens tentando encontrar algum sentido depois de perder tudo, vale a sessão. É um bom filme, bem produzido e com seus momentos. Porém, permanece dentro de um limite que não avança.
Nota: 📼📼½











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