Sendo Bem Sincero: Dia D é Sensacional!

Críticas Gerais

Dia D é um filme de 2026 da Universal Pictures, dirigido por Steven Spielberg. O roteiro é de David Koepp, baseado em uma história original do próprio Spielberg. O elenco é liderado por Emily Blunt e Josh O'Connor, com Colin Firth e Colman Domingo em papéis coadjuvantes. A trilha sonora foi composta pelo colaborador de longa data de Spielberg, John Williams. Produzido com um orçamento de US$ 115 milhões, o filme já arrecadou US$ 120,5 milhões nas bilheterias até o momento.

Durante a primeira cena do filme, uma amiga se inclinou na minha direção e disse: "Isso parece um filme." Ela quis dizer isso como uma crítica. E, embora eu entendesse o ponto dela, acho importante lembrar por que Dia D passa tanto essa sensação. Afinal, estamos falando de um filme do Spielberg. Em muitos aspectos, ele é a referência máxima do que entendemos como um blockbuster. Foi ele quem criou (ou pelo menos aperfeiçoou) muitos dos elementos que hoje associamos às grandes produções, a ponto de vários deles já parecerem prontos para serem parodiados. Se este fosse o filme de outro diretor, eu concordaria que ele parece derivativo. Mas criticar Dia D por parecer "filme demais" seria como dizer que um filme de Hitchcock parece suspense demais ou que um filme de Scorsese tem mafiosos demais.

Para mim, isso nunca foi um problema. Eu entendia o que minha amiga queria dizer, mas este é o Spielberg. Era exatamente isso que eu esperava. Conforme a história avançava, ela realmente passava por alguns momentos bem característicos dos grandes blockbusters, mas a diferença é que tudo era executado por um mestre do cinema. Quando alguém no auge do seu talento abraça o convencional, ele consegue transformá-lo em algo extraordinário.

Isso não significa que Dia D seja apenas um conjunto de clichês muito bem executados. Eu diria que Spielberg continua sendo bastante experimental, mesmo nesta fase da carreira. O aspecto mais curioso do filme é a estrutura da narrativa. Durante boa parte da projeção, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Normalmente isso seria um defeito, se levado longe demais. Mas Spielberg me conduziu habilmente até a beira da confusão sem nunca me deixar completamente perdido. Eu queria descobrir mais. Queria entender. E foi justamente esse mistério mais cerebral que me manteve completamente envolvido durante toda a primeira metade do filme.

O domínio de Spielberg sobre a construção de tensão também fica muito evidente aqui. Há uma cena envolvendo um trem. Mesmo sabendo, por já ter visto filmes suficientes, que aquilo acontecia na metade da história e que não havia chance de os protagonistas sofrerem algum dano realmente grave, eu continuei na ponta da cadeira. Spielberg tem um talento impressionante para elevar os obstáculos a níveis quase impossíveis antes de permitir que seus heróis triunfem. Foi um prazer assistir. Eu sentia que estava sendo guiado por um mestre através de um universo cinematográfico repleto de surpresas inesperadas.

O diretor já conhece muito bem o universo das histórias sobre alienígenas. Ainda assim, nesta nova incursão pelo tema, ele encontra maneiras de tornar esses OVNIs surreais, instigantes e fascinantes. Embora os extraterrestres tenham um visual clássico, a forma como interagem com os humanos pareceu completamente nova para mim. A maneira como eles se comunicam foi sensacional. O uso de memórias reprimidas e recriações mentais é fascinante. E a revelação final não tinha o menor direito de ser tão emocionante!

Dito isso, ainda existem alguns elementos característicos dos filmes de Spielberg que nunca estiveram entre os meus favoritos, e eles também aparecem aqui. O principal é o vilão, interpretado por Firth, que em muitos momentos acaba sendo apenas uma figura exageradamente irritada, quase caricata. Os vilões de Spielberg nunca foram meus preferidos. Ainda assim, neste caso, apesar de Firth parecer um pouco exagerado, gostei das motivações do personagem. Gostei do fato de ele ser movido pelo medo do desconhecido. Ele não era contra revelar a existência dos alienígenas. Apenas não sabia o que aconteceria quando o mundo inteiro descobrisse a verdade. Não era ganância nem maldade que o impulsionavam. Era medo. E isso, para mim, é bastante interessante.

Dia D é um filme, no sentido mais literal da palavra. Isso claramente desagradou parte do público, e a recepção acabou sendo dividida. Para mim, sob o comando de um mestre como Spielberg, um filme que simplesmente parece um filme continua sendo algo revigorante e extremamente divertido. Eu adorei. Dá para argumentar que existem elementos formulaicos, e eu nem vou discutir isso. Ainda assim, acredito que Spielberg encontra espaço para ser criativo, experimentar coisas novas e entregar uma experiência cinematográfica simplesmente fantástica.

 

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