Crítica - Como Vender a Lua

Críticas Gerais

Como Vender a Lua é um pouco inchado em sua duração, mas também é um filme simpático e bem divertido.
Trazendo uma mulher que fica responsável pela publicidade da missão da Apollo 11, Como Vender a Lua tem um primeiro ato divertidíssimo e que se aproveita da inteligência de sua protagonista (e sua divertida canalhice para alcançar seus objetivos publicitários) para nos envolver na história, onde adota uma lógica racional e implacável por parte de seus personagens e de como Kelly Jones e Cole Davis ajudam um ao outro em seus próprios objetivos (e a boa sintonia entre Scarlett Johansson e Channing Tatum ajuda muito). Aliás, como alguém que se formou em Administração, posso assegurar que o filme se transforma em uma excelente e fascinante aula de marketing e publicidade, onde a protagonista ressalta as diversas estratégias que ela encontra para vender o produto para os americanos (no caso, a missão da Apollo 11), e o fato de ter que lidar com questões paralelas (a Guerra do Vietnã e os recentes fracassos da NASA, mais especificamente a Apollo 1) adiciona uma camada extra para pensar em como atingir o público e levá-los a torcer para o que se tornou um dos maiores acontecimentos na História da humanidade, e isso inclui não só a missão em si, mas utilizar uma série de marcas e produtos relacionados ao evento, que irão plantar neles a expectativa de um grande acontecimento dentro de alguns meses.
Infelizmente, depois de todo um primeiro ato excelente, o filme perde o ritmo e despenca de modo que demora muito a retomar o ritmo, e é aí que a sua longa duração é sentida. Para complicar, ao inserir na história a famosa teoria da conspiração de que o pouso na lua foi falso (com direito até ao divertido diálogo de que deveriam ter contratado Stanley Kubrick), o filme faz o inacreditável ao conseguir tornar artificial esse elemento da história, com isso, praticamente toda essa parte do filme (que domina a metade do filme) soa cansativa e arrastada. E a relação entre os protagonistas, que inicialmente bem conduzida e desenvolvida, se torna repetitiva e entediante ao se entregar aos velhos clichês de comédias românticas, e que embora isoladamente funcionem (e tenha um apelo clássico adorável), parece deslocado no próprio filme. Felizmente, o terceiro ato (e que envolve a missão da Apollo 11 em paralelo à gravação do pouso falso na Lua) faz o filme voltar aos eixos e consegue retomar o interesse, chegando até a trazer uma piadinha que surge frequentemente ao longo do filme (e de forma meio sem graça), mas que surge como uma recompensa perfeita no clímax. Mas sejamos francos, nem mesmo o competente diretor Greg Berlanti conseguiria fazer milagre, já que o filme não traz qualquer traço de tensão por já sabermos que a missão vai dar certo, com isso, os obstáculos que os personagens encontram soam falsos e parecem criados para tentar trazer alguma tensão ou conflito para o filme, e a título de comparação, o excelente O Primeiro Homem conseguiu a façanha de conferir tensão a algo que já sabemos o seu final (em que pese também que o filme era centrado em Neil Armstrong e havia um arco narrativo para o mesmo), e que evitava até mesmo o patriotismo que a história teria, algo que aqui é trazido quase de forma a ressaltar aqueles momentos icônicos, com direito a uma trilha sonora de temas gloriosos e emocionantes que soam irritantes. Ao menos o diretor adota uma atmosfera leve e agradável para a narrativa, o que ajuda bastante.
Contando com ótimas atuações (Scarlett Johansson está fantástica e confere uma imponência e certa malandragem para a personagem, que chega a adotar sotaques diferentes para conseguir o que quer, Channing Tatum e Ray Romano estão ótimos, Jim Rash rouba o filme como um diretor exigente e perfeccionista, Woody Harrelson é sempre divertido de assistir, e gosto de como ele consegue ser ameaçador e agradável, saltando entre esses espectros perfeitamente), um impecável trabalho técnico (o design de produção, a maquiagem e os figurinos fazem um belíssimo trabalho de época, enquanto a fotografia ressalta a beleza da época), uma correta trilha sonora e ótimos efeitos especiais, enfim, é um filme que apesar de seus problemas, consegue se manter sempre simpático e divertidinho.
 

Inspirado em Eventos Reais.

 

Gênero: Comédia Romântica
Duração: 132 Minutos
Classificação Indicativa: 12 Anos (Violência, Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Apple/Sony Pictures
Direção: Greg Berlanti
Elenco: Scarlett Johansson, Channing Tatum, Jim Rash, Anna Garcia, Donald Elise Watkins, Noah Robbins, Colin Woodell, Christian Zuber, Nick Dillenburg, Ray Romano e Woody Harrelson

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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