Crítica - GOAT
Críticas Gerais
GOAT traz conceitos e ideias até que interessantes assim como um visual muito chamativo, é uma pena que seja uma bagunça narrativa.
Trazendo um jogador de futebol americano que é convidado para ser treinado por um grande ídolo dos jogos até que percebe coisas estranhas ao seu redor, GOAT busca criar uma narrativa instigante a partir da estranheza (como uma vela se apagando sozinha ainda no início do filme) e do desconforto (como as imagens fortes e os sons incômodos), alcançando certo sucesso na empreitada e conferindo uma atmosfera suficientemente estranha para nos levar ao filme. E o filme chama a atenção em seus aspectos visuais, especialmente no design de produção, cujo complexo esportivo surge grandioso e opulento em sua estética, e a fotografia busca aproveitar da sua grandeza e claro, das belas luzes, o que leva a enquadramentos esteticamente lindos como o plano geral que vemos o protagonista em uma banheira dentro de um espaço grande ou aquele do cartaz que vemos um imenso campo de futebol com o protagonista ensanguentado e diversos figurantes ao seu redor que ressaltam o espaço (poderia até dizer que esse enfoque para aproveitar os belos corpos masculinos e femininos que vemos pode até ser exagerado, mas não vou negar a sua beleza estética). Além disso, o fato do filme enfocar o futebol americano como uma verdadeira seita com fãs enlouquecidos e claro, do próprio conceito de ritual ocultista que o filme desenvolve, é curioso o bastante para funcionar, especialmente para um público que desconhece o esporte (e bem, isso não existe no Brasil).
Infelizmente, essas ideias surgem totalmente dispersas, e para piorar, a direção de Justin Tipping é esquizofrênica e jamais sabe o tom que quer dar à narrativa, já que em momentos leva a história a sério, carrega a atmosfera do seu cenário e é capaz de nos levar a experimentar a sensação de estarmos vendo algo que não é para ser visto por um mero espectador, em outros abraça um tom caricatural e absurdo que nada tem a ver com a seriedade imposta antes, quase flertando com a sátira (como comprova personagens como a fã Marjorie e seus seguidores assim como Elsie, cuja caracterização soa absurda naquele universo e que a converte na cantora/atriz Lady Gaga, ou os momentos exagerados que acontecem ao longo do filme). Além disso, o diretor exagera em vários momentos ao empregar visões térmicas (utilizadas mais para esconder a brutalidade de algumas das sequências mais violentas), aparentes alucinações e imagens surreais, mas sem nunca encontrar um centro ou propósito. Com isso, o filme parece não saber o que quer ser, e sua abordagem caótica ao invés de acrescentar à experiência, soa estúpida e inconsequente, e é justamente a partir da metade que ele se entrega de vez à estupidez, já que o próprio conceito quando é finalmente apresentado soa apenas bobo e sem muito impacto (afinal, o roteiro já dá pistas que nos levam a perceber que algo está errado, só basta o filme nos alcançar de certa maneira, e mesmo seu desfecho que dá a impressão de ser catártico em sua violência, é apenas idiota em sua conclusão, embora tenha algum impacto visual).
Beneficiado ao menos por algumas boas atuações (Marlon Wayans traz uma rara interpretação dramática, e o nosso costume do ator em comédias nos leva a gostar do sujeito, e ele consegue convencer, onde traz uma eficiente ambiguidade ao personagem, mesmo que em diversos momentos há um humor involuntário causado pela sua performance, mas isso é muito mais culpa da direção do que do ator, enquanto isso, Tyriq Withers aposta na fisicalidade da sua atuação, convencendo na ambição que tanto quer alcançar, e ainda temos Julia Fox cuja caracterização meio Lady Gaga é divertida, mesmo que pareça pertencer a outro filme), enfim, é um filme que traz alguns bons elementos e aparentemente, tem algo a dizer, mas sua bagunça narrativa é tanta que acaba causando mais indiferença do que qualquer outra coisa.
Gênero: Terror/Suspense
Duração: 96 Minutos
Classificação Indicativa: 18 Anos (Violência Extrema, Conteúdo Sexual e Drogas)
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Justin Tipping
Elenco: Marlon Wayans, Tyriq Withers, Julia Fox, Tim Heidecker e Jim Jefferies
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/











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