Crítica - Caminhos Do Crime
Críticas Gerais
Caminhos Do Crime é um policial muito eficaz e envolvente em sua história, apesar de demonstrar uma reverência muito grande ao cinema do diretor Michael Mann.
Ancorando sua história em diversos personagens cuja maior conexão é a de um ladrão e sua série de roubos, Caminhos Do Crime consegue nos envolver na história a partir da tensão que é construída gradualmente, e a montagem é brilhante ao conseguir estabelecer todas as figuras centrais e seus dramas ainda nos minutos iniciais, e perceber como cada personagem vai se conectar ao outro é um dos pequenos prazeres da narrativa. Pecando por trazer momentos que soam artificiais (a forma como Davis conhece Maya e dali inicia-se um relacionamento não me convenceu) e outros que parecem estender demais algumas passagens (como o roubo da joalheria com os vários erros que certo personagem toma), que embora não torne o filme cansativo, soa como uma longa extensão que pouco acrescenta. Ainda assim, é a sobriedade com que a história se desenrola que faz com que o filme se torne acima da média, onde leva a sua história bem a sério e busca tornar seus personagens mais como figuras humanas do que meros elementos de ação, ressaltando também o peso das escolhas e das possíveis consequências, o que leva a um desfecho satisfatório e que acerta ao convergir a trama de forma excelente.
Baseado em um livro que não li, diria que o roteiro cinematográfico e o seu título original (Crime 101), tal como o nome da rodovia onde acontece os crimes (101), também pode se referir a algo básico em Inglês, e não deixa de sê-lo, mas que é bem executada pela direção de Bart Layton (que dirigiu o excelente – e pouco visto – Uma Aventura Perigosa). Por outro lado, o cineasta se mostra incrivelmente referencial e reverente ao cinema do diretor Michael Mann, especialmente o excelente Fogo Contra Fogo de 1995, com isso, o cineasta aposta na sobriedade da ação, na disciplina dos movimentos de câmera, na fotografia urbana e atmosférica, e claro, na maneira com que retrata e desenvolve as interações entre os personagens. E se isso tudo pode soar como uma ótima influência, fica difícil quando diversas vezes a influência/homenagem fica perigosamente perto de parecer uma cópia e de nos fazer lembrar daquele filme, levando a uma comparação injusta (e bem, por mais que tentem, ninguém consegue fazer como Michael Mann), mas ao menos, o diretor teve o bom senso de não recriar alguns dos momentos mais memoráveis daquele filme, pois ele sabe que a comparação seria inevitável (e não incluo, claro, o brilhante tiroteio que serve como clímax do filme de 1995, mas o encontro entre polícia e ladrão, e que aqui além de surgir em um momento dramaticamente perfeito, subverte o grande momento daquele filme, já que naquele ponto, Al Pacino e Robert De Niro sabiam que eram oponentes, enquanto aqui, Chris Hemsworth e Mark Ruffalo, apenas um deles não sabe quem é que o persegue), tanto que é justamente os momentos que o filme não tenta ser um novo Fogo Contra Fogo que se encontram os momentos mais interessantes da história.
Contando com ótimas atuações (Chris Hemsworth confere disciplina ao seu personagem, mesmo que o ator falhe ao tentar conferir aspectos que o humanizem de maneira a retratá-lo como um homem que perdeu o contato humano, que mais o aproxima de um homem autista, Mark Ruffalo traz determinação e certo vigor, e o ator é inteligente ao conferir verdade em sua atuação, e há uma passagem específica no clímax onde ele tem que tomar uma decisão e cujo olhar e caminhar pesado revela o quanto reprovaria aquilo em outras circunstâncias, Barry Keoghan volta a mais um dos seus personagens perturbados, mas profundamente insanos e perigosos mesmo numa fachada aparentemente inocente, ainda que o ator demonstre aqui uma forte tendência ao histrionismo como ao cuspir diante de um policial ou o patente despreparo em um momento de um roubo e Halle Berry exala imensa competência e ambição como uma corretora de seguros), uma fotografia muito boa (e que explora a atmosfera urbanista da cidade), um ótimo design de som, enfim, é um ótimo filme.
Baseado no Livro de Don Winslow.
Gênero: Ação/Suspense/Policial
Duração: 140 Minutos
Classificação Indicativa: 14 Anos (Violência, Atos Criminosos, Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Amazon Prime Video/Sony Pictures
Direção: Bart Layton
Elenco: Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Monica Barbaro, Corey Hawkins, Jennifer Jason Leigh, Nick Nolte e Halle Berry
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/














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