O Diabo Veste Prada 2 (2026): voltando à moda com muito estilo
Críticas GeraisSurge um novo filme icônico

Sequências costumam me deixar com um pé atrás, ainda mais se for de um filme que basta por si só. Minha apreensão piora quando o filme original é bom e querido. Juntando tudo isso, eu estava com medo de que O Diabo Veste Prada 2 (2026) fosse uma “bomba”. Mas não é isso que acontece. Muito pelo contrário.
Vinte anos após os acontecimentos do primeiro filme, a centenária revista de moda Runway, comandada pela arrogante Miranda Priestley (Meryl Streep) encontra-se em meio a uma grande crise: sua imagem manchada, o fim da versão impressa e readaptação para as mídias digitais, conteúdos que não engajam e corte de gastos colocam a gigante da moda — e a carreira de Miranda — em cheque. Andy Sachs (Anne Hathaway), jornalista premiada e recém desempregada, é chamada para, novamente, integrar a equipe da Runway, dessa vez para tentar resgatar a credibilidade da revista. Nigel (Stanley Tucci) continua fiel ao trabalho de Miranda, enquanto Emily (Emily Blunt) saiu da revista e agora trabalha na Dior.


A sequência é muito bem pensada ao inserir a trama no mundo contemporâneo, com o domínio das redes sociais sobre as mídias tradicionais e a desvalorização da classe jornalística como parte do conflito central. O filme não se apoia na nostalgia. Há momentos de referência ao primeiro filme, claro, mas vai muito além disso.
O diretor David Frankel, também responsável pelo filme original, traz personalidade a esta sequência e sinto que essa é a força do filme. O querido quarteto principal mantém sua essência e é uma delícia reencontrá-los após tanto tempo. E agora, em um novo contexto, eles se tornam ainda mais interessantes. Vale destacar a atuação de Meryl Streep (parece óbvio, eu sei) que entrega uma “diaba” vulnerável diante das ameaças que rondam a Runway, mas sem perder a pose e a classe.


Além de novos nomes no elenco, como Patrick Brammall, Keneth Branagh, Lucy Liu e Justin Theroux, várias figuras do mundo da moda aparecem em cameos nesta sequência, como Law Roach, Donatella Versace, Anok Yai e, claro, Lady Gaga que contracena com Meryl e assina três músicas da trilha sonora original do filme. Essas aparições rápidas, de apenas alguns takes em cenas de eventos, dão um toque especial, nos inserindo ainda mais no mundo fashion. Em uma cena curta, Gaga já é melhor do que Gisele Bündchen no primeiro filme (e que não faz falta nenhuma aqui).
Claro que a nostalgia nos leva de volta às salas de cinema, mas se o filme fosse só isso, seria decepcionante. O Diabo Veste Prada 2 se sustenta sem depender do anterior. É um filme cheio de personalidade, atual e que usa bem os elementos nostálgicos — bem como referências a outros filmes, como Bonequinha de Luxo (1961) — sem ser cansativo. Voltou à moda e voltou com muito estilo.











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