Crítica - Luta De Classes
Críticas Gerais
Luta De Classes tem uma ótima atuação de Denzel Washington, que ainda assim, não é páreo para as péssimas escolhas do diretor Spike Lee.
Retratando o sequestro do filho de um magnata de gravadora musical e a sucessão de acontecimentos que acontecem depois disso, Luta De Classes parte de uma premissa eficaz, acertando pela paciência com que retrata seus personagens inicialmente, evitando seguir um ritmo mais eletrizante e objetivo de uma obra do gênero. Buscando mergulhar sua história em uma lógica contemporânea ao trazer citações a memes, viralizações e cancelamento de forma a extrair a discussão moral que permeia parte da primeira metade (incluindo o universo de seus personagens), é uma pena que depois de um tempo, as más escolhas da direção passam a se tornar cada vez mais irritantes e ridículas, tornando o filme inacreditavelmente mais longo do que o necessário, com uma tensão que vai diluindo aos poucos e com uma história que vai ficando cada vez pior.
Mas nada se compara a uma das piores direções em toda a carreira de Spike Lee: Cineasta extremamente talentoso (o fantástico O Plano Perfeito é uma das suas melhores e mais subestimadas obras), é também genial quando tece comentários certeiros em suas obras, infelizmente, genialidade e sutileza nem sempre se encontram em suas obras, já que para cada obra como os excelentes Faça a Coisa Certa e Infiltrado Na Klan que encontra o discurso certo e a sutileza certa, as outras desconhecem o conceito de sutileza, e que neste filme, passa tão longe que afeta o filme de forma inacreditável. Se inspirando em Danny Boyle, aqui Spike Lee parece interessado em superdirigir o seu filme de forma a chamar a nossa atenção, com isso, a montagem enquadra objetos de cena que não acrescentam ou repete planos de uma mesma ação a partir de ângulos diferentes (como quando Kyle pega a faixa da cabeça de Trey), a fotografia depois de adotar uma lógica visual límpida (e rodada em digital), altera para uma lógica visual suja e altamente texturizada (e rodada em película) na sequência da entrega do dinheiro pelo metrô de uma forma escancarada e feita do nada, apenas para retornar à lógica visual de antes (isso sem contar os momentos que simulam o rolo de um filme), e a única coisa que me perguntei era, “qual o motivo para isso?”. E para cada momento de sutileza brilhante (como o plano e contraplano do depoimento do treinador para os policiais, que enquadra os policiais num ângulo bem mais alto, diminuindo o treinador naquele momento, e ressaltando, é claro, o perigo dos policiais para a comunidade negra, ou até mesmo um exercício de estilo eficaz como a tela dividida em uma cela de prisão, que vai se aproximando até praticamente se tornar um plano singular), o diretor também não sabe se quer ser um filme seríssimo ou se ele quer adotar uma lógica teatral, onde leva seus atores a declamarem seus diálogos com uma pompa exagerada e meio fora da realidade. E como se acreditasse que ninguém estava prestando atenção no filme, ainda chega ao cúmulo do ridículo de permitir a cena que o filho do protagonista diz que “Meu pai, o homem com o melhor ouvido do ramo, mas o coração mais frio” em um diálogo que parece ter sido escrito com o intuito de descrever aquilo que já estava bem óbvio para o espectador (e ainda assim, não é tão ridículo como o momento que ao chegarem em um apartamento, é identificada como A24, um dos estúdios produtores do filme ou do inacreditável momento que a mochila de dinheiro cai no local certo, e que exigiria muita sorte).
Além disso, a fraca trilha sonora faz uma escolha diferente de adotar temas melancólicos e mais animados com uso de pianos que contrastam com a tensão retratada (e filmes do gênero investem em temas mais tensos), chegando ao ponto de soar excessivamente intrusiva para que percebamos sua presença assim como a emoção que devemos sentir (como as diversas sequências que os personagens conversam entre si no primeiro ato que teriam muito mais impacto caso não tivesse música) e principalmente, é exagerada a ponto de dar a impressão que o filme é satírico ou novelesco (observe o momento que avisam que o filho foi sequestrado com o rompante exagerado da música). Infelizmente, até mesmo a escolha de músicas para acompanhar o filme é péssima e horrível (ao menos, dentro do contexto do filme), e assistir o videoclipe gratuito que surge pouco antes da última conversa entre o protagonista e o sequestrador é um ponto baixíssimo. Aliás, é o primeiro filme do cineasta sem seu compositor habitual Terence Blanchard, e ainda assim, o seu substituto (Howard Drossin) imita totalmente o estilo dele.
Beneficiado pela ótima presença de Denzel Washington, que carismático como de hábito, confere intensidade e presença de tela magnéticas, mas que ainda assim, é vencido pela péssima direção. Aliás, sendo uma refilmagem de um filme clássico do grande Akira Kurosawa, acredito que a intenção era nos fazer ir atrás da versão original (algo que Spike Lee já fez quando refilmou Oldboy em uma refilmagem eficiente, mas já esquecida), se essa foi sua intenção, então seu filme merece a nota máxima.
Baseado no Livro de Ed McBain.
Refilmagem de Céu e Inferno de 1963.
Gênero: Drama/Suspense
Duração: 133 Minutos
Classificação Indicativa: 16 Anos (Violência, Drogas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Apple TV+
Direção: Spike Lee
Elenco: Denzel Washington, Jeffrey Wright, Ilfenesh Hadera e A$AP Rocky
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/










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