Crítica - Arco
Críticas Gerais
Arco é uma animação linda, encantadora e visualmente sublime, mesmo com alguns pecadilhos.
Trazendo um garotinho viajante do tempo chamado Arco que cai em 2075 onde com a ajuda de Iris, tentará retornar ao seu futuro, Arco encanta desde o início com a sua beleza estonteante. E o melhor é que a história consegue nos envolver (apesar dos problemas, como discutirei adiante), construindo uma bonita amizade entre Arco e Iris, e principalmente, ao conseguir nos fascinar com a imaginação do universo apresentado aqui (e ajuda muito que a trilha sonora seja tão linda, conferindo um clima de aventura, magia e encanto arrebatadores ao filme, e a sequência que Arco voa pela primeira vez é um exemplo disso). Aliás, a animação do filme é impressionante e de uma beleza estética que remete às obras do Studio Ghibli (e isso inclui a movimentação dos personagens que é mais quebrada e menos fluída como as animações 3D atuais) e das clássicas animações feitas à mão, adotando cores tão lindas – e a serviço de um design de produção extraordinário – que confesso, fiquei maravilhado com as imagens produzidas pelos animadores, desde aquela que vemos Arco voando pela primeira vez, passando por outra de uma floresta em chamas e claro, todos os cenários futuristas vistos aqui (e não tem como não se maravilhar com sequências como a perseguição entre salas de aula com projeções holográficas impressionantes). E a referência ao Studio Ghibli não é por acaso, já que o clima e atmosfera imaginativos e também melancólicos do filme é similar ao de obras do estúdio japonês, mas que aqui jamais soa como cópia, e sim, como uma influência clara.
Infelizmente, é uma pena que um filme que comece alçando à grandeza, cometa erros que poderiam ser evitados: Tratando como surpresa aquilo que qualquer um que já viu filmes de viagem no tempo, e que certamente adivinharão pontos da história (como o fato de Iris desenhar o futuro da forma como foi indicado por Arco e que fica igual ao que vimos no início do filme, e quem já viu o excelente e subestimado A Família Do Futuro vai perceber), como se julgasse ser mais esperto que o espectador, acreditando também que a beleza plástica da animação poderia disfarçar seus problemas. E os animadores erram ao trazer um design incrivelmente parecido tanto para a irmã e os pais de Arco quanto para os pais e o irmão de Iris (que é um bebê), que não só se revela óbvio no paralelo para conectar seus personagens, mas leva a uma confusão desnecessária levando-me a pensar que era na verdade, a irmã do protagonista anos antes (o que claro, não era, mas ainda assim, é muito parecido). E não basta as escolhas dos animadores, o roteiro se mostra inchado já que insere personagens demais para um filme que não precisa deles, e se o amigo de Iris ao menos tem alguma função lá no desfecho, os três homens com óculos de arco-íris são mal tratados pelo próprio filme, que claramente não sabe o que fazer com eles, já que inicialmente eles parecem que serão vilões, logo depois são excessivamente atrapalhados e bobões demais para serem vilões, e mais tarde se tornam ameaçadores na sequência com vários robôs (e que homenageia um momento similar do excelente Eu, Robô) para voltarem a serem atrapalhados, em outras palavras, foram criados para tentar trazer alguma tensão à narrativa, servindo às necessidades imediatas da mesma. Por sinal, falta tensão e mais emoção à narrativa, e por mais que o filme se esforce, confesso que em nenhum momento acreditei na ideia que Arco ficaria preso no passado, e mesmo com elementos de ficção científica, estes não são explorados tão a fundo, já que jamais sentimos o peso da busca dos pais de Arco, nem mesmo suas regras são exatamente claras (quando Arco faz sua segunda tentativa para retornar, em função da ausência do diamante que permite realizar a viagem, ele diz que conseguiria se tivesse sol e chuva ao mesmo tempo, mas ao fazê-lo e não conseguir, ele retorna afirmando que não havia luz o suficiente na capa para retornar, tipo assim, se fosse a chuva tudo bem, afinal, eram chafarizes pequenos, mas tendo iluminação direta do sol, ele precisava de ainda mais luz? E de onde surgiu aquela imensa caverna no meio de uma floresta?). E a ideia de que seus personagens se completem a partir do nome (Arco e Iris) também é óbvio em seu uso.
Com isso, Arco é um filme que me encantou como poucos, mas ao mesmo tempo me frustrou ao perceber seus problemas que, ao menos para mim, foram difíceis de passar batido. Ainda assim, é impossível não se encantar com uma animação tão bela e de imagens lindas, e que merece ser descoberta.
Indicado ao Oscar 2026 de Melhor Filme de Animação.
Gênero: Animação/Aventura
Duração: 89 Minutos
Classificação Indicativa: 10 Anos (Violência Fantasiosa e Temas Sensíveis)
Distribuição: MUBI/Mares Filmes
Direção: Ugo Bienvenu
Elenco de Vozes (Versão Original): Oscar Tresanini, Margot Ringard Oldra, Swann Arlaud, Alma Jodorowsky, Vincent Macaigne, William Lebghil e Louis Garrel
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/












Comentários 0
Ainda não há comentários.