Crítica - Lindas e Letais
Críticas Gerais
Lindas e Letais é uma bobagem divertida, inconsequente e com boas sequências de ação, embora não seja nada memorável.
Trazendo um grupo de bailarinas que se veem presas em uma pousada que não aparenta ser o que é onde usarão de suas habilidades para escapar, Lindas e Letais parte de uma premissa bobinha como desculpa para a ação, e o filme acerta por ter consciência disso já que não se leva a sério, e diverte a partir dos seus absurdos. Mesmo que o filme se prenda muito em ser de piada única (bailarinas usando suas habilidades de dança para se tornarem máquinas de matar), o que o leva a se tornar repetitivo, ainda bem que o filme é curto o bastante para distrair o espectador de forma inconsequente, e divertido o suficiente para não se tornar cansativo, sendo eficaz também na boa construção de suspense na primeira metade (onde ocorre também uma morte impactante e inesperada). Além disso, as sequências de ação são muito bacanas, onde usam os movimentos do balé como mote para a ação de forma criativa e surpreendente, especialmente ao retratar as bailarinas trabalhando em conjunto (e a primeira sequência de luta que envolve quatro bailarinas contra dois capangas é muitíssimo bem realizada).
Por outro lado, o roteiro falha por não trazer nada que já não tenhamos visto antes, e se o roteiro soa esquemático com seus personagens unidimensionais, ele ainda traz uma personagem inútil para a história, e que não faria a menor falta para a história, e é uma pena que esta seja a personagem interpretada pela atriz Millicent Simmonds, que é inacreditavelmente esquecida pelo roteiro por grande parte do filme. Para piorar, a jovem atriz repete o que tem feito a carreira toda que é trazer uma personagem excessivamente aborrecida e infantilizada em função de sua deficiência (a atriz e a personagem são mudas), e se em Um Lugar Silencioso ao menos a atriz ganhava força conforme a história se desenvolvia, aqui a atriz se torna a “café com leite”, tornando-se donzela, irritante, infantil e mal participando da ação, o que não só é uma pena, como surge como uma visão capacitista da produção, que a própria atriz tenha aceitado interpretar uma personagem assim é digno de pena, por reforçar um capacitismo que certamente a atriz não possui (e que soa forçado e cínico por parte do filme como escudo para críticas). Pior ainda é perceber que é a personagem a causa do mal-entendido por parte da professora, o que não só é um problema grave por ser artificial demais, como o filme parece tornar a personagem muito inocente e à parte dos acontecimentos de forma excessivamente proposital, que a atriz mantenha uma expressão aborrecida o tempo todo não ajuda muito.
Beneficiado pelo bom elenco (Maddie Ziegler confere imensa força para a protagonista, Avantika soa repetitiva em sua composição maluquinha, já que ela repete o que fez na fraca versão musical de Meninas Malvadas e Uma Thurman abraça uma composição divertidamente caricatural, o que é perfeito para os propósitos do filme), pelo belo design de produção (que confere uma estilização notável na pousada junto dos figurinos) e pela ótima maquiagem, enfim, é um filme bacana, que serve como bom passatempo, mesmo que eu duvide muito que eu vá lembrar dele daqui a algum tempo.
Gênero: Ação
Duração: 89 Minutos
Classificação Indicativa: 16 Anos (Violência Extrema, Drogas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Amazon Prime Video
Direção: Vicky Jewson
Elenco: Iris Apatow, Lana Condor, Millicent Simmonds, Avantika, Maddie Ziegler, Tamás Szabó Sipos e Uma Thurman
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
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