Crítica - The Mastermind

Críticas Gerais

The Mastermind subverte os filmes de assalto com elegância e se torna um eficaz estudo de personagem, mesmo que o ritmo oscile ocasionalmente.
Retratando um assalto e as suas consequências para a mente por trás do crime, The Mastermind busca subverter o clássico filme de assalto, abandonando o clima frequentemente descolado e eletrizante adotado no gênero para mergulhar em uma abordagem sóbria e disciplinada que chama a atenção por conseguir funcionar e ressaltar a tensão da narrativa de forma excelente, e nisso, toda a parte do planejamento e da execução são muitíssimo bem executados. E nesse aspecto, a excelente trilha sonora de Rob Mazurek carregada em temas de jazz, sugere a improvisação e a tensão necessárias para o roubo e também para a própria vida de seu protagonista, ganhando contornos melancólicos conforme a história e o ritmo do filme se alteram (e que merecia ter sido lembrada nas premiações). Com isso, o filme se mantém sempre envolvente, embora confesse que o filme encontre barrigas a partir da metade, onde o ritmo parece oscilar e a história parece não saber para onde andar, mesmo que seja uma decisão bastante consciente por parte da diretora Kelly Reichardt. Na verdade, essa escolha da diretora em querer subverter tanto o gênero para se adequar aos seus propósitos sóbrios vez ou outra sacrifica o ritmo do filme, já que a diretora deliberadamente permite planos se alongarem mais que o necessário (como aquele que gira dentro de um quarto onde James está enquanto ele faz uma identidade falsa), chamando atenção para si no processo. Por outro lado, o roteiro claramente não sabe o que fazer com o núcleo familiar do protagonista, já que é pouco desenvolvido para funcionar e frio demais para ter algum envolvimento emocional (e nesse aspecto, a personagem de Alana Haim é não só desperdiçada, mas surge apagada dentro do filme, mas ao menos sou obrigado a reconhecer que John Magaro consegue roubar o filme e criar interesse em sua pequena participação).
Pelo menos como estudo de personagem, a diretora acerta justamente por desfazer a clássica figura do protagonista do gênero, que se costumam ser inteligentes, disciplinados e com um ar ligeiramente blasé, aqui se revela muito mais algo performático por parte do protagonista (como o hábito de olhar o relógio com frequência ou o olhar confiante diante do planejamento ou do pequeno roubo no início do filme) do que como descrição do seu caráter e personalidade, que como percebemos, suas decisões acabam não sendo das melhores (como a ocultação das obras de arte, a escolha de um dos ajudantes e bem, qualquer coisa que ele venha a fazer depois do roubo). Nisso, o roteiro é hábil em retratar a história de um personagem, que no fundo, não passa de um sujeito que pode até passar uma aura de inteligência, mas no fundo é irresponsável, e que usa das consequências do roubo como forma de fugir da própria vida e das consequências das próprias escolhas, e ainda assim, tive a impressão que o filme não soube o que fazer com sua figura principal. Felizmente, o filme encontra em Josh O’Connor uma atuação excelente, conferindo carisma para suavizar alguns aspectos de seu personagem (o que nos leva a torcer para que ele faça a coisa certa) e interessante o bastante para sustentar nosso interesse no filme. Além disso, o filme é muito bem realizado em seu design de produção e nos figurinos (a recriação de época surge bem discreta), embora a fotografia adote uma paleta de cores sóbria demais em seus tons pastéis e difusos, o que torna o filme pouco interessante do ponto de vista visual.
Terminando em um desfecho perfeito e hilário em sua ironia, é quase como se o roteiro percebesse naquele momento que o protagonista precisava ser parado antes de se transformar em uma figura ainda mais irreconhecível daquela que vimos quando o filme começou, com isso, é como se o filme apontasse que no fundo, certos protagonistas (e isso inclui os dos filmes de assalto em geral) não merecem a nossa atenção e que não são o que aparentam ser, para o bem ou para o mal.
 

Gênero: Drama/Ação
Duração: 110 Minutos
Classificação Indicativa: 14 Anos (Violência, Drogas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: MUBI/Imagem Filmes
Direção: Kelly Reichardt
Elenco: Josh O’Connor, Alana Haim, Hope Davis, John Magaro, Gaby Hoffmann, Jasper Thompson, Sterling Thompson e Bill Camp

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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