Crítica - Eternidade
Críticas Gerais
Eternidade consegue ser divertido e eficaz na discussão temática, mesmo ficando aquém do esperado com sua premissa.
Trazendo a protagonista Joan, que após a morte, precisa escolher entre passar a eternidade com o seu primeiro marido (falecido há anos) ou o atual com quem viveu uma vida e teve filhos, Eternidade parte de uma premissa instigante e de um conflito complexo para sustentar sua história. Com isso, o filme fascina ao explorar como seria o pós-morte de forma que nos deixe intrigados e com desejo de explorar mais aquele universo e sua funcionalidade, algo que o design de produção busca explorar através dos detalhes com pessoas vendendo opções diferentes de eternidade, indicando também outros tipos que já foram descontinuados, o que é particularmente fascinante. Além disso, o filme mantém uma atmosfera leve e com um ritmo agradável, que se desenrola muitíssimo bem, e que explora o humor físico na disputa entre Larry e Luke para convencer a querida Joan a escolher entre um deles ou mesmo nos diálogos divertidos cujas tiradas são eficazes (e a melhor delas é a que envolve uma criança de 9 anos em uma praia), enquanto explora o romantismo da história com eficácia (e as sequências envolvendo Luke envolvem um romantismo idealizado e tocante, quase clássico, como se existisse além do tempo).
Por outro lado, ao criar um triângulo amoroso difícil, o filme nos leva ao dilema da protagonista, nos fazendo questionar se seria justo passarmos uma eternidade com quem passamos a vida, ou com quem tivemos um breve e belo relacionamento (e que nos esperou por vários anos) ou escolher outro caminho, e o filme consegue brilhar quando se permite racionalizar essa escolha, afinal, realmente precisamos passar a eternidade com alguém ou podemos ter uma vida por conta própria? Infelizmente, o roteiro e a direção de David Freyne (o mesmo do maravilhoso Meus Encontros Com Amber) se equivoca ao trapacear na própria história, já que acaba dando um enfoque maior para um do que para outro de uma forma que prejudica a nossa visão do dilema e nos leva a escolher outro de imediato, o que é desonesto não só com a própria premissa, mas com os personagens (tudo bem que isso muda lá no terceiro ato, mas é muito tarde para remediar, e francamente, parece uma maneira de seguir convenções), e nem mesmo o eficiente e equivocado Amores Materialistas cometeu o mesmo erro de nos levar a preferir um do que outro (lá a escolha era muito mais racional, o que permitia ao espectador ponderar o bastante sobre os dois homens apaixonados pela protagonista para que a nossa bússola seja levada pela personagem, mesmo que não concordássemos com a escolha, e sem ser tendencioso). Além disso, o filme decepciona ao não explorar mais a fundo o próprio universo e as próprias regras, o que nos leva a perguntas que o filme não se interessa em responder, nem em explicar melhor o funcionamento do seu universo por estar mais interessado na história romântica (afinal, como funciona os Arquivos? O que vemos lá são memórias? Lembrando que havia panos no cenário que emulavam o ambiente que eles viam, e ainda temos aparentes visões como na ótima sequência que homenageia os brilhantes Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças em que a protagonista parece atravessar várias memórias, chegando a sair de dentro de uma máquina de lavar. Sim, eu sei que é o pós-vida e que não precisa ter um sentido propriamente dito, mas se é para apresentar um universo fantasioso, que ao menos tenha a paciência de explicar bem as regras).
Contando ainda com ótimas atuações (Elizabeth Olsen está excelente, indo do humor físico ao intenso dilema pessoal enquanto traz humanidade ao se perceber dividida – a reação de choque ao ver o antigo amado causa certo impacto -, Miles Teller traz a sua persona de hábito, o que é sempre eficiente, evocando bem as próprias chatices do seu personagem – e deve-se destacar a inteligência dos atores de adotarem o jeito de falar de suas contrapartes idosas quando chegam no pós-morte -, enquanto Callum Turner confere um charme irresistível e um tocante romantismo a seu personagem, enquanto a sempre ótima Da’Vine Joy Randolph confere imenso humor e carisma como uma espécie de assistente do pós-morte), um design de produção fascinante (e que concebe o universo pós-morte como algo caótico e fora do comum em sua organização, mas também romantizado, retrô e futurista, algo que se complementa com os figurinos), uma agradável trilha sonora, ótimos efeitos especiais (que ajudam a complementar e expandir o universo do pós-morte), enfim, é um ótimo filme.
Gênero: Comédia Romântica e Dramática
Duração: 114 Minutos
Classificação Indicativa: 14 Anos (Violência, Temas Sensíveis, Conteúdo Sexual e Drogas)
Distribuição: A24/Apple TV/Elo Studios
Direção: David Freyne
Elenco: Miles Teller, Elizabeth Olsen, Callum Turner, John Early, Olga Merediz e Da’Vine Joy Randolph
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/












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