Crítica - Devoradores De Estrelas

Críticas Gerais

Devoradores De Estrelas é uma aventura empolgante e espetacular e uma ficção científica que encanta com suas imagens e conceitos.
Trazendo um cientista em uma missão espacial para salvar o Sol (que está morrendo) e que conhece um ser alienígena, Devoradores De Estrelas começa de forma curiosa ao adotar o in media res – quando a narrativa já está acontecendo – em conjunto da sua estrutura narrativa, se aproveitando da falta de memória do protagonista para nos envolver na história enquanto vamos entendendo como o protagonista foi parar no espaço. Remetendo inicialmente a Perdido Em Marte ao trazer um protagonista em uma situação extrema no espaço (não à toa, o livro que inspirou esse filme é do mesmo autor daquele), com isso, o filme é extremamente eficaz ao apresentar a sua Ciência de forma relativamente didática e fascinante, e trazer personagens que amam Ciência acima de tudo e que esmiúçam seus aspectos científicos com o mesmo prazer que explica seus conceitos só torna tudo ainda melhor. Além disso, a vantagem de ter diretores como Phil Lord e Christopher Miller, que vieram de animações e comédias, ajuda a conferir uma atmosfera impecável, conferindo bom humor e reverência à narrativa, sem sacrificar os elementos mais sérios da história, sendo inteligentes em preservar a humanidade dos seus personagens (como comprova a sequência do karaokê).
Ainda assim, o filme traz alguns inchaços e uma autoindulgência que os diretores certamente não demonstraram em seus outros filmes, e com 156 minutos, apesar de não cansar, tive a sensação de que o filme poderia ficar mais enxuto, e a decisão no terceiro ato de colocar certo personagem para buscar outro logo após o filme encaminhar a história para o seu desfecho, peca justamente por se estender quando já parecia bem encaminhado. Além disso, o roteiro deixa algumas questões em aberto, por exemplo, como que Rocky simplesmente voltou à vida sendo que ficou dias sem dar sinal de vida? Como que Rocky conseguiria criar o combustível para retornar? São pontos em aberto que me pareceram descuido (ainda mais levando em conta o cuidado que a obra teve de apresentar seus elementos científicos), mas que não afeta a visão do filme que afinal, é uma aventura de ficção científica.
Mas o centro do filme é de fato, a amizade entre o cientista Ryland Grace e o alienígena Rocky: Construída com imenso esmero, o filme fascina ao retratar a aproximação gradual e a busca por comunicação entre ambos, remetendo ao encanto e fascínio das melhores obras que abordam o tema (como A Chegada e Contatos Imediatos Do Terceiro Grau). Além disso, a amizade entre eles acaba sendo bonita e tocante, e o filme acerta por ressaltar a conexão entre eles não só pela missão em comum, como também por terem paralelos pessoais e pela forma com que um ajuda ao outro, em especial o cientista Grace, cujo crescimento ao longo da história é um dos pontos altos.
Beneficiado por um trabalho técnico absolutamente espetacular (e que os diretores demonstram imenso orgulho ao permitir pausar a história apenas para que possamos apreciar a qualidade técnica), o filme é engrandecido pelo design de produção, que impressiona com a grandiosidade da nave de Rocky e com a beleza dos planetas vistos no espaço, assim como a própria nave que Grace vive, e que se complementa com a bela fotografia, que adota uma razão de aspecto em 2.39 na Terra com uma paleta mais lavada e límpida, abrindo a razão de aspecto para 2.00 para todas as sequências no espaço com uma paleta de cores muito mais variada e colorida, aproveitando para criar enquadramentos lindos como aquele que vemos toda a grandeza do espaço e do planeta esverdeado. E claro, o design de som surge imersivo e impecável em seus efeitos sonoros (a sequência da explosão na Terra impressiona com o cuidado científico de retratar a explosão com um atraso), enquanto os efeitos especiais são espetaculares e impressionam pela escala grandiosa, que tira o fôlego com a imensidão do espaço e se mostram absolutamente convincentes (o design rochoso de Rocky é fantástico, e sua barreira de proteção remete muito ao efeito especial para retratar o escudo de proteção visto no Duna de 1984, o que não deixa de ser um aceno divertido).
Contando ainda com uma bela trilha sonora (que equilibra seus temas grandiosos e épicos com outros mais intimistas e contemplativos, conferindo o clima perfeito de aventura e fascinação que o filme causa) e atuações muito boas (Sandra Hüller faz um ótimo trabalho, conferindo certa ambiguidade e uma imponência sutil à sua personagem, enquanto James Ortiz confere humor e uma divertida curiosidade para Rocky, mas o destaque mesmo é Ryan Gosling, que retorna ao espaço depois do excelente O Primeiro Homem, e que além de trazer seu charme habitual, domina a tela desde a primeira cena e é absolutamente convincente ao retratar a inteligência, a coragem gradual e as emoções internas de seu personagem, convencendo no arco narrativo e no seu crescimento ao longo do filme), enfim, é um filme excelente.
 

Baseado no Livro de Andy Weir.

 

Gênero: Aventura/Ficção Científica
Duração: 156 Minutos
Classificação Indicativa: 14 Anos (Violência, Temas Sensíveis e Drogas Lícitas)
Distribuição: Amazon Prime Video/Sony Pictures
Direção: Phil Lord e Christopher Miller
Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, James Ortiz e Lionel Boyce

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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