Antes do Amor, a Vida

Críticas Gerais

"Toc Toc!"
"Quem É?"
"Mary."

Seus primeiros segundos recebem o público com uma ideia um tanto quanto expansiva quando se para pra pensar, na hora em que sua "quase" narradora personagem aparece fora dos cenários que se fazem parte da história para fazer um anúncio da sua personagem que terá o mesmo rosto daquilo que se representa em suas idéias é um artifício bastante interessante para demonstrar que é uma obra ambiciosa — uma ambição em querer tornar essa personagem da Noiva(Jessie Buckley) em uma imagem que queira se tornar como antítese do que a figura do Frankenstein(Christian Bale) é; o monstro está ali somente para "amar" sem compreender o que é um autêntico amor, justamente por não ser alguém com identidade, já a Noiva logo ao nascer procura mais do que um nome ou título; ela quer se descobrir para assim ter a sua própria voz contra aqueles que tentam ser contra a sua figura presente em uma sociedade tanto quanto classicista.

Depois de demonstrar que existem 3 tipos de "personalidades" presentes na cabeça da Noiva é como ter a resposta do que se diferencia entre a cabeça do monstro burro e clássico que se torna a figura da criatura que se nomeia como Frank — ele é mais "comportado" e procura sempre estar escondido com uma máscara que cobre suas imperfeições, ela quer demonstrar ao mundo o quanto pode ser uma mulher livre sem as amarras daqueles que se acham os donos do mundo; ele gosta do cinema clássico e tenta viver o sonho "americano" de se ter uma vida totalmente comum enquanto a mulher o serve como se propõe as más linguas de uma sociedade conservadora, já ela quer viver o grande momento da luxuria e do prazer ao ponto de que em uma cena onde o "casal" está pronto a ter um momento mais intimo, ela é quem domina e está pronta para tudo, já ele parece estar desconcertado pelo conceito de se ter prazeres pela primeira vez; inconcebível é a ideia de se ter a sensação de prazer, mas não é de uma forma comum em que ele sente isso, não não, é de uma forma onde a sua primeira forma de ter um sentimento autêntico que não seja tirado dos seus contos de fadas se torna como uma explosão de sentimentos que se molda quase como uma ansiedade — isso o faz ter dor por não conseguir equilibrar o que está sentindo, e talvez seja a verdadeira sensação de estar apaixonado; tão mágica, mas que no fim ao pensar e repensar só se torna mais confuso ou doloroso.

Maggie Gyllenhaal trata tudo com uma adolescente que descobre sobre a história das mulheres e faz sua própria fanfic usando elementos de muitas histórias tanto da literatura clássica quanto do cinema — muitos envolvendo casais que acabam com fins trágicos e isso começa a moldar o destino já esperado pelo casal, afinal, o que se esperar de algo como Frankenstein? Mas, apesar de toda a espera para vir uma grande tragédia envolvendo ambos, o que se resulta é em uma diretora que parece diferentemente de muitos diretores que soam um tanto quanto amargurados na forma que tenta atacar seu próprio publico em um primeiro projeto que não dizia tanto, ela sim está se divertindo bastante com um filme que parece caçoar de tudo que soa um tanto quanto antiquado de uma era que já passou — esta protagonista surge como o próprio raio que trouxe vida a ela; totalmente incomum não pela maneira que "ressurgiu" dos mortos, mas pela forma que começa a ser um protesto de vítimas do feminicidio que era tratado de forma tão comum na existência da Máfia; existe até mesmo um criminoso chamado Clyde(John Magaro) que poderia ser facilmente aquele que resulta a ultima tragédia; no entanto, existe uma outra figura ali que segura todas as seguras masculinas presentes no cenário onde o mesmo se encontra presente — todos os homens saem da sala e é nas mãos das mulheres exercendo profissões importantes da época onde homens eram quem carregavam esses títulos, que o dia consegue ter um final não feito da tragédia, mas de uma resolução onde mentes que só pensam com a cabeça de baixo nunca poderiam resolver ou sequer imaginar tal possibilidade; o olhar feminino traz para a tragédia uma revolução, a resposta contra a violência; menos morte, mais possibilidades de se escolher como viver até o último suspiro.

Dá para se destacar o quanto a Maggie Gyllenhaal se divertiu com esse projeto pela maneira que ela tem o seu próprio Bruce Campbell quando estava nas mãos da direção de Sam Raimi — Jake Gyllenhaal está presente como um grande canastrão que consegue formar todo o pensamento de Frank em como se comportar como um homem; ao encontrar com seu ídolo, um grande motivo de risadas entre todos aqueles que estavam presentes com o personagem de Gyllenhaal torna a fúria de Frank totalmente bem vinda; a Noiva vê, e resolve usar a sua voz contra a imagem do ator, que ao ser totalmente humilhado e ter roubado os holofotes, nasce o primeiro sinal de revolução — é um filme sobre reinventar mais uma vez o conceito da criatura e invés de realmente fazer o caminho mais óbvio do monstro ser uma figura tóxica para esse relacionamento, nasce a beleza de uma mulher que está se descobrindo como nova existência ser permitida a ensinar seu homem uma bela mas simples lição que todo mundo precisa — Frank antes de aprender a amar, ele aprende a viver por sí, viver por tudo o que gosta; isso o torna mais do que autêntico, ele agora existe tanto pelos próprios olhos quanto pelos olhos de alguém que está disposta a amar seus erros, isso é amor.

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