Pânico 7 | Crítica

Críticas Gerais

A sétima entrada de uma tão popular franquia é exatamente o que pode se esperar dela, um amontoado de ideias requentadas, com o estúdio preferindo jogar no seguro, ao invés de apostar em grandes inovações. Isso fica evidente logo na abertura, a famosa opening kill de Pânico, que outrora já rendeu momentos consagrados no cinema de terror, e agora se limita a copiar aquilo que costumava dar certo, apostando em previsíveis sustos falsos e recapitulação de eventos ocorridos nos filmes pretéritos. Contudo, essa falta de originalidade é compensada por um gostoso senso de familiaridade e boas doses de sanguinolência. A cena não é a mais memorável da saga – longe disso – mas entretém o suficiente, principalmente quando para de narrar o enredo do primeiro filme.

Após a morte de Wes Craven – diretor dos quatro primeiros filmes – a saga perdeu aquele charme típico de seu idealizador. Porém Pânico 7 – e o 6 também – conseguem, ao menos, preservar a simpatia inerente aos slashers adolescentes: dramas baratos e violência estilizada. (Quase) todas as mortes são bastante gráficas e a câmera não esconde a maioria delas, duas destacam-se pela composição da cena: a menina pendurada no teatro da escola, como um anjo caído e o garoto que minutos antes de morrer entrelaça suas mãos ensanguentadas com a da menina por quem nutria sentimentos – é piegas, mas o amor adolescente costuma ser assim.

Em geral os novos personagens são arquétipos bem aproveitados – o namorado suspeito, o viciado em true crime, a amiga descoladinha, a loira diva do teatro – sem muita profundidade, eles cumprem a função de servirem como vítimas deliciosamente descartáveis, estando ali apenas para serem brutalmente assassinadas.   Já os antigos retornam a serviço da nostalgia, que funciona especificamente em relação às personagens vividas por Campbell e Cox, graças ao carisma das duas atrizes e a dinâmica estabelecida entre elas ao longo dos anos. Por outro lado, o mistério em torno da “volta dos mortos” de um dos personagens cai no mau gosto da nostalgia ruim, forçada e despropositada, que culmina em uma cena semelhante à do portal em Vingadores Ultimato e tão constrangedora quanto. Reaparecem, ainda, os irmãos dos filmes 5 e 6, que operam como alívio cômico, no meio termo entre o nostálgico – pois já podem ser considerados personagens legados – e um frescor de modernidade, com tiradinhas engraçadas típicas de Pânico. Pela dinâmica dessas três gerações entrelaçadas, percebe-se uma clara intenção de começar a passar o bastão, garantindo a existência da franquia por mais alguns bons anos. 

Se por um lado, a bobagem adolescente e os clichês do conflito geracional de mãe e filha não comprometem o bom andamento da narrativa, ao serem intercalados com boas cenas de violência e perseguição – uma fuga claustrofóbica pelas paredes que aproveita bem a geografia da casa ou a menina correndo pelas ruas desertas da cidade suplicando por uma ajuda que não virá. Por outro, a revelação do ghostface deixa a desejar e se consagra como a pior de toda saga, não apenas por se tratarem de personagens completamente irrelevantes, como também pela falta de timing: um circo todo é cuidadosamente armado para resultar em algo totalmente anticlimático. São mais de uma revelação e nenhuma delas desperta qualquer reação, deixando o público com uma sensação de apatia e indiferença. Para um longa que reforça tanto o caráter icônico de seus antecessores, é curiosa a escolha de ghostfaces tão sem expressividade. 

Neve Campbell as Sidney in Scream 7

Em suma, o maior problema do novo filme não é o apelo nostálgico em si, porque o diretor até sabe trabalhar isso pontualmente, a questão mais incômoda é que ao investir tanto em auto referências, acaba por negligenciar o humor de referências envolvendo a indústria de terror como um todo, algo tão característico a essa franquia. Na tentativa de reafirmar-se como pertencente àquele universo, ignora um de seus principais aspectos, fazendo com que mais pareça uma entrada de Stab do que de Scream, em especial quanto aos assassinos e suas pífias motivações. Apesar do desfecho deixar um gosto amargo na boca, o decorrer do filme é marcado por momentos divertidos e visualmente interessante, tornando o saldo final positivo. 

 

Nota: 3/5

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