Crítica - Juntos
Críticas Gerais
Juntos comenta sobre a dependência emocional em relacionamentos enquanto leva sua história a extremos intensos que o tornam um filme ótimo e surpreendentemente eficaz.
Trazendo um casal que ao se mudar para uma nova casa, percebe que acontecimentos fisiológicos estranhos estão acontecendo entre eles, Juntos busca criar uma narrativa de suspense, permitindo que a história se desenrole com calma enquanto provoca tensão no espectador a partir dos acontecimentos bizarros e estranhos que vão acontecendo na história, que vão escalando de maneira surpreendente (e o início do filme já dá o tom ao trazer uma sequência tensa e impactante em seu desfecho). Com isso, a direção de Michael Shanks se sai muito bem ao equilibrar passagens que exploram seus personagens (como a que Tim conta uma história da infância) com outras absolutamente tensas (como aquela que traz Millie encostada no vidro da porta de correr que parece uma influência dos filmes de terror asiáticos), se entregando, é claro, ao horror corporal para máximo impacto e choque do espectador, onde confere um aspecto sombrio através do design de som com seus efeitos sonoros que ressaltam a tensão e o impacto de diversas passagens (e as sequências de pesadelo são um exemplo disso, surgindo também como um raro uso importante para a narrativa).
Sem medo de extrair risos nervosos a partir do grotesco de suas imagens e de parte de algumas situações que acontecem no filme (como a sequência do banheiro na escola ou mesmo aquela envolvendo uma pequena serra elétrica), o filme também se beneficia fortemente pelo uso impecável de próteses e efeitos de maquiagem para retratar os horrores que tomam conta da narrativa (deixando os efeitos de computação gráfica apenas para quando se mostram realmente necessários), causando nojo a partir do grotesco por reconhecermos a veracidade das próteses (e a impactante sequência de abertura envolvendo cachorros não deixa de ser um curioso aceno para o clássico O Enigma De Outro Mundo), e elevando o conceito de dependência emocional e afetiva a extremos que levarão o espectador a quase se retorcer na poltrona.
Mas de fato, é sobre a dependência emocional e afetiva que o filme retrata, com isso, o roteiro é eficaz em comentar como de certa forma mudamos quando um relacionamento afetivo se torna tão parte da nossa vida que esquecemos de quem éramos antes dele, e mais ainda, de como nos tornamos codependentes do outro de tal maneira que pode parecer tóxico ou até retirar parte da individualidade de cada um. Com isso, ao trazer o casal passando por certa crise no relacionamento, os extremos que levam o casal a parecer se unificar revelam muito da nossa dependência afetiva no outro que nos leva a praticamente grudar no outro, e a própria questão envolvendo um possível término entre eles confere um conflito a eles que nos leva a questionar até que ponto estamos nos acomodando em uma relação a ponto de não terminarmos por certo comodismo ou por temermos o que acontecerá logo após o término (especialmente em tempos que os relacionamentos modernos estão se tornando difíceis).
Claro, há furos impossíveis de negar (como que a criatura unificada do casal desaparecido que surge para Tim na metade do filme não apareceu para eles antes na caverna, se teoricamente a criatura deveria estar lá? E como que ninguém da equipe de busca encontrou a caverna antes?), ainda assim, é impossível não aplaudir o filme pela audácia em levar sua história até as últimas consequências, e eu jamais imaginaria que o uso de uma música bem conhecida das Spice Girls seria tão divertido, mas também completamente adequado para o filme, num belo toque de humor do filme.
Contando ainda com ótimas atuações (Dave Franco e Alison Brie, que por sinal, são um casal na vida real, convencem totalmente a partir da maneira com que conversam, aproveitando brechas para trazer vulnerabilidade a eles, com isso, Franco confere uma certa imaturidade que soa engraçadinha, tóxica e tocante, enquanto Brie confere um nervosismo crescente para sua personagem), uma ótima fotografia (que confere uma atmosfera evocativa, e o enquadramento feito através do reflexo da poça na caverna é espetacular), um eficiente design de produção (a caverna se mostra curiosa e sinistra em seu visual), uma climática trilha sonora, enfim, é um filme muito bom.
Gênero: Terror/Suspense
Duração: 102 Minutos
Classificação Indicativa: 16 Anos (Violência e Conteúdo Sexual)
Distribuição: Diamond Films
Direção: Michael Shanks
Elenco: Dave Franco, Alison Brie e Damon Herriman
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/









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