A EMPREGADA e a previsibilidade como piada

Críticas Gerais

 

 

“A Empregada” é um filme que se distingue dos suspenses tradicionais pela sua despretensão. Aparentemente falhando, logo de cara, na construção da atmosfera esperada para esse tipo de filme - o mistério dificilmente se estabelece em uma casa com iluminação superexposta que soa similar a uma série ou filme de comédia - o longa acaba acertando no cinismo. E no final das contas, funciona.

Para fãs e já iniciados na gramática do suspense, a proliferação de situações clichê de que “A Empregada” se alimenta para movimentar o enredo torna o filme previsível em alguma medida, quase como se a antecipação do espectador fosse uma preparação para uma piada. Aliada à iluminação que remete aos filmes e séries de comédia, até  às telenovelas, essa escolha, mesmo que acidental, soa harmônica.

Os personagens seguem esquemas bem conhecidos do suspense convencional e o filme se vale disso para, a partir do meio para o final, saturar-se de impudor. Seja em sequências de soft porn esquemáticas, seja em sessões de tortura farsesca, o filme faz questão de abandonar a seriedade e abraçar certo absurdo em reviravoltas novelescas das mais divertidas.

Parte da diversão se deve, para além de uma construção cênica elaborada, ao carisma dos atores (em especial a dupla de atrizes), que parecem entender muito bem o material e abraçam a disputa feminina com os arquétipos da Cinderela e da Megera má e louca. O deleite do filme reside na desconstrução do príncipe e na articulação do olhar, voltado para as diferenças de classe e, consequentemente, de poder, que afetam as dinâmicas dos relacionamentos.

No final, toda a trama se desdobra no arquétipo da justiceira, no melhor estilo super-heroína — como se o filme ensaiasse sua própria continuidade em franquia. A diferença é que aqui o poder não vem higienizado: há excesso, cor, erotismo e uma dose assumida de vulgaridade. Elementos que a padronização estética e o moralismo industrial vêm progressivamente expulsando dos blockbusters contemporâneos, cada vez mais neutros, assépticos e avessos ao risco.

Amanda Seyfried Sydney Sweeney Brandon Sklenar 

 

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