Crítica - Socorro!
Críticas Gerais
Socorro! Que filme divertidíssimo, que equilibra tensão, racionalidade e um exagero maravilhoso!
Trazendo uma mulher e seu chefe que após sofrerem um acidente de avião, precisam sobreviver juntos em uma ilha, Socorro! traz uma premissa instigante, e melhor ainda é que o filme não perde muito tempo e em poucos minutos já estabelece os principais pontos dos personagens, onde ao caírem na ilha serão levados a extremos para sobreviverem, além de aprenderem a lidar um com o outro. E ao colocar personagens antagônicos (e que já começam o filme se odiando, com o filme favorecendo a personagem de Rachel McAdams em função da exploração e humilhação no trabalho), o roteiro pode brincar e exercitar sua narrativa de forma mais intelectual, onde observamos as mudanças e aprendizados de cada um numa situação extrema assim como os momentos que eles revelam mais de si (como na sequência ao redor de uma fogueira à noite), e perceber que um pode estar jogando com o outro se torna um dos prazeres do filme, que ainda se engrandece quando se deixa levar pela insanidade cada vez maior de seus personagens, assim como sua dinâmica na ilha. E claro, o frequente embate entre seus personagens não poderia ser o retrato perfeito da rotina de trabalho, onde os colegas de trabalho (ditos “amigos”) sempre tentam superar o outro, nem que seja ceder em um momento para “passar a perna” em outro.
Mas o melhor de tudo é ver Sam Raimi de volta às raízes do terror, que foi onde ele iniciou sua carreira (mas que ele sempre exercita de alguma maneira em seus filmes, como comprova a sequência fabulosa do dr. Octopus na sala de cirurgia em Homem-Aranha 2), e Socorro! é o filme perfeito para isso, sendo seu retorno ao gênero 17 anos depois do maravilhoso Arraste-me Para o Inferno. Aproveitando dos extremos que os personagens terão que lidar na ilha, Raimi se equilibra entre a tensão e a racionalidade da narrativa, injetando sua característica violência com imagens nojentas, que são grotescas e exageradas o bastante para serem divertidas, nos levando ao riso nervoso e sem nos afastar da história (exemplo disso é a sequência da caçada do javali, cujo desfecho com o sangue praticamente mirando o rosto e a boca da protagonista causa nojo e diverte ao mesmo tempo, ou uma briga entre os personagens no terceiro ato que diverte pelo exagero com que ela vai escalando, e momentos assim me fizeram matar saudades do diretor que também fez a trilogia A Morte Do Demônio - Uma Noite Alucinante), e perceber o quão sujos seus personagens estão no terceiro ato é outra de suas marcas, que é levar os personagens a provações completas para saírem vivos. Por outro lado, o diretor se mostra até que contido em sua câmera, usando-a nos momentos mais apropriados para chamar atenção (no caso, os sustos com seus divertidos zooms, a sequência de um pesadelo que chega a adotar um efeito visual reverso, além é claro, de dois momentos que quebram a quarta parede). Mas o melhor momento que alcança as intenções de seu diretor (onde combina a racionalidade, a tensão, o grotesco e a diversão) é a sequência em que um personagem se vê paralisado: é uma sequência que me fez rir pelo momento em que ela acontece e em função dos seus diálogos, e com a ajuda dos efeitos sonoros, me levou a me contorcer na poltrona imaginando o pior.
Trazendo um desfecho satisfatório e prazeroso diante da jornada de seus personagens, o filme ainda conta com excelentes atuações (Rachel McAdams faz um trabalho impecável, indo de uma insegurança tocante a uma mulher bem mais segura de si e com uma força muito maior do que aparenta, pontuando com uma divertida insanidade e maluquice desde os primeiros minutos que ao serem plantados no começo do filme já nos faz perceber mais tarde que aquilo já era a semente do que veremos dela ao longo do filme, além disso, é notável a atriz conferir certa vulnerabilidade e um desejo de pertencer à personagem que se torna tocante – como quando pede “licença médica” na ilha ou o olhar que lança em um momento dentro de um caverna –, já Dylan O’Brien confere o máximo de desprezo a seu personagem, o que torna interessante de perceber sua aparente mudança ao longo do filme, indo da arrogância à vulnerabilidade e à compreensão de que as coisas não são iguais ao escritório, aliás, perceber como os dois personagens vão aos poucos se tornando espelho um do outro é um aspecto muito interessante do roteiro), uma ótima fotografia (que se sai bem ao contrapor a grandeza e beleza da ilha com os planos mais fechados que ressaltam a tensão ou o grotesco, algo que certamente deve ter beneficiado a versão 3D), uma montagem muito boa (que apesar do ritmo perfeito, confesso que nesse aspecto, a montagem não conferiu uma sensação de que tempo demais se passou na ilha, por outro lado, não tem como não gostar da economia de quando vemos Bradley ao longos das horas seguintes ao ser deixado por Linda, ou aquele divertido que vemos uma bolinha de golfe como plano seguinte ao de um violento golpe), uma climática trilha sonora (que confere o clima certo de aventura e tensão, numa abordagem meio clássica, aliás, o uso da canção One Way Or Another não só é perfeito ao amarrar o início com o fim do filme, como faz uma conexão perfeita com o clássico Meninas Malvadas de 2004 que também utilizava essa canção e também era estrelado por Rachel McAdams), bons efeitos especiais (que apesar de denunciarem o uso de tela verde em alguns momentos, são eficazes o bastante para funcionarem e ainda respeitam as raízes do trash por parte de Sam Raimi), um imersivo design de som, uma maquiagem muito boa (e que evidencia bem as mudanças físicas dos seus protagonistas, além das nojeiras que enfrentam), enfim, é um filme excelente.
Gênero: Suspense
Duração: 113 Minutos
Distribuição: Disney
Direção: Sam Raimi
Elenco: Rachel McAdams e Dylan O’Brien
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/








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