#01 - Superman: LEGACY

Críticas Gerais

Todo mundo deveria querer ser um super-homem na vida real, obviamente nos moldes da sua origem nos quadrinhos, bem como na versão de 2025. É uma delícia poder coroar o resgate da DC nas telas, com o primeiro longa do DCU, pela maestria de James Gunn, com esse sentimento tão grandioso, saudável e cheio de esperança.

Para os desavisados, há 3 séculos os acontecimentos do universo DC começam a ser registrados, uma era de deuses e monstros como eles dizem. Há 3 décadas um casal simples Kansas encontra uma criança abandonada no milharal. Há 3 anos essa criança, agora adulta, se apresenta publicamente como Superman. Há 3 semanas, o meta-humano Superman impediu que a nação soberana e fictícia “Jaranpur” fosse invadida pela opressora e financiada pelos Estados Unidos “Borávia”.

Os eventos do filme começam com Super Homem se embrenhando em 3h de combate contra um meta-humano que se autodenomina como Martelo da Borávia, mas entendendo que talvez não poderia superá-lo após 2h e 57minutos de combate, ele fracassa em sua primeira luta. 1,2… 3, nosso herói, derrotado e super ferido, se encontra prostrado na neve e assim começa nosso filme.

Resgate Disruptivo da Essência

Esse crescendo, interrompido pela inesperada e brilhante derrota do protagonista, é apenas uma das muitas fagulhas criativas muito próprias do diretor e roteirista James Gunn. Ele tem total controle e consciência sobre a história que quer contar e principalmente sobre a ideia que quer transmitir.

Estamos acostumados com vitórias e até mesmo, há pouco tempo atrás, elas sobre qualquer custo, mas Clark Kent/Kal-el tem prioridades mais importantes que seu próprio ego, por isso vamos reapresentar o personagem como ele realmente é e como ele será nesse universo quer o espectador goste ou não dessa “interpretação.”

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Expositivo e Sobre Controle

Com uma escrita leve e deliciosa, o roteiro é sim bem cliché sem muitas novidades, mas ainda assim muito saboroso e impactante na maioria das piadas e apelos sentimentais muito bem posicionados. Há, porém, um excesso de expositividade que incomodam durante todo o longa, principalmente na personagem da Engenheira, interpretada pela María Gabriela de Faria.

A direção é emocional e envolvente, a mão de James Gunn parece poderosamente “pastorear” os atores e atrizes na história, extraindo o melhor de cada cena uma atrás da outra. Usando planos simples, sem muita inventividade, a câmera ainda consegue surpreender com destaques “super” bem-vindos em determinado momentos, diria até poéticos de certa forma. 

Um Super Elenco

Debaixo da regência de James Gunn, o elenco acaba por ser um destaque independente entre si, cada um brilhando na luminosidade e intensidade corretos, mais uma vez o forte do diretor e da equipe do longa é reconhecido pelas escalações impecáveis.

Sim, temos figuras já consagradas trabalhando com Gunn, porém Rachel Brosnahan, David Corenswet, Nicholas Hoult e Edi Gathegi tem o filme na mão, preenchendo a tela de maneira particular e dando vida a personagens amados, ou odiados no caso de Lex (Nicholas), de maneira vivida, com uma química artesanalmente trabalhada e engajante. Simplesmente, eu poderia gastar um parágrafo para cada um desses no mínimo, tamanho o encaixe perfeito em seus respectivos personagens. Há de se destacar ao menos um desses atores de maneira mais profunda.

Assumir o “S” de esperança depois de tantas versões em tela não é uma tarefa fácil. Gera uma apreensão por parte do protagonista e principalmente do público, mas David se faz caber na roupa azul, no escudo e nas botas, capa e cueca vermelhas, que por sua defesa permaneceram no personagem, tão bem como não vimos há muito tempo.

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O Super-Homem NÃO é Indestrutível

A versão anterior do personagem, Man of Steel, adaptação de Zack Snyder, possuia um objetivo muito claro e uma abordagem bem controversa pelo todo encontrado nos quadrinhos e em outras adaptações. Snyder aborda o conceito de implacabilidade de um ser divinizado, muito superior ao homem comum e inalcançável, portanto um “super-homem”, ao que Nietzsche traz para nós como Übermensch.

Essa é a perspectiva de Lex Luthor, tanto no filme de 2025 como na vasta maioria das encarnações do personagem. A perspectiva de que a humanidade está vulnerável ante a uma ameaça kryptoniana que a qualquer momento pode colapsar e destruir a todos não é a essência do personagem, essência essa que é tão desprezada e descartada no filme de 2013. Graças a Deus, James não comete o mesmo erro e toma outro caminho de maneira genial.

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A Mensagem

No começo do segundo arco, há um destaque a mensagem kryptoniana dos pais de Kal-el, mensagem que nos é apresentada no começo do longa e já nos é comunicado sobre o poder e influência que ela exerce sobre nosso herói, aqui Gunn coloca o coração do filme. Presumimos, assim como nosso protagonista, de que a mensagem seja positiva e encorajadora, mas nos é revelado um manifesto imperialista, intergalático de dominação e sobrevivência de uma cultura opressiva e colonialista da parte de Jor-el e da elite de Krypton.

A mensagem é verdadeira! Ela precisa ser, para deixar nosso protagonista em crise e então poder superá-la, fazendo a mensagem holográfica perder a sua importância para Kal-el, abandonando sua “muleta de altruísmo”. Pouco importa o que seus pais aspiravam para ele em Krypton, o que ele aprendeu aqui na terra foi que “suas escolhas é o que realmente definem quem você é”, fala do Pruitt Taylor como o verdadeiro pai do Superman, Jonathan Kent.

Chega de “muletas” de um chamado superior para ser uma boa pessoa. Não mais um holograma como reduto “do canalha”, mas agora fazer o bem e atender a justiça porque isso é o certo, foi assim que ele foi criado, foi isso que seus pais o ensinaram na pequena Smallville. Falsa, verdadeira, eu repito, não interessa, mesmo que o filme não de nenhuma margem de que ela (a mensagem) tenha sido alterada, o longa se encerra mostrando o como ela foi superada, ironicamente por uma criação de pais comuns e humanos, bem longe da “invencibilidade” kryptoniana.

Seja um Punk Rock!

Apesar do recorrente defeito do James Gunn em não conseguir focar no desenvolvimento de apenas um personagem, usando sim uma “muleta de supergrupos”, para o andamento do filme. A forma colorida, leve e essencial que a obra é executada possui um charme único, sendo um espetáculo a parte, bem longe do fantasma sombrio e realista que assombrava o universo da editora nos cinemas. É lindo ver a cor, o legado e a esperança respeitados em tela trazendo a DC de volta com muita esperança.

Jogue seu estoicismo no lixo e seja um punk rock. ;)

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