Crítica - Anônimo 2
Críticas Gerais
Lançado em 2021 em plena pandemia, Anônimo surpreendeu ao entregar um filme altamente divertido e empolgante, e não seria surpresa caso uma continuação acontecesse. E felizmente, Anônimo 2 pode não superar o excelente anterior, mas ainda é altamente divertido.
Trazendo Hutch em férias com a família, até que ele percebe que terá que usar suas habilidades, Anônimo 2 busca manter o clima descompromissado do anterior, ao mesmo tempo em que explora alguns pontos narrativos que evita que essa continuação seja uma mera repetição daquilo que funcionou tão bem antes. Logo, se o filme tende a se repetir em algumas situações já vistas antes (a motivação impulsiva para o primeiro embate, a vilã que gosta de dançar, o grande conflito final, o depoimento à polícia), o filme possui novidades interessantes, e a melhor delas é a maior participação de Becca, esposa de Hutch, na trama, que acaba ajudando a conferir certo peso na história (além disso, a decisão de iniciar o filme retratando a rotina dela, ao invés da dele – como aconteceu no primeiro filme -, surge incrivelmente eficaz e surpreendente, subvertendo o próprio início do primeiro filme, e retratando como as coisas mudaram para ele).
Por outro lado, o filme surpreende naquilo que certamente não me pareceu intencional dos realizadores que é a discussão da violência e de como ela tende a se propagar indiretamente, ou mesmo como ela sempre retorna. E o filme ressalta esse aspecto desde o fato de que o filho de Hutch tem apresentado uma forte tendência à violência, refletindo o próprio pai no processo, chegando à frase dita pelo chefe de Hutch, como se a violência e as habilidades de Hutch para a mesma fizessem parte da natureza dele, e que como tal, a mesma sempre retornaria, mesmo que ele a evitasse (algo que volta ao que vimos no anterior, em que Hutch tentou ter uma vida pacata até não conseguir mais). Com isso, o filme discute até que ponto a mesma se torna justificável, mesmo que o filme não escolha lados.
Felizmente, esta continuação mantém a essência do anterior, e mesmo com a troca de direção (sai Ilya Naishuller e entra Timo Tjahjanto, do ótimo A Noite Nos Persegue), o filme mantém suas melhores características, com isso, as sequências de ação continuam divertidíssimas, frequentemente claras em sua concepção (o terceiro ato em um parque de diversões é sensacional) e se equilibram entre algo brutal, mas divertido e sempre empolgante (e a primeira que vemos logo no início do filme é curta, mas fantástica), e o ótimo bom humor do filme também se faz presente (há momentos que os personagens usam qualquer coisa do cenário para lutar, chegando a exageros divertidinhos como no fliperama). Por outro lado, a escolha de músicas para acompanhar algumas passagens, embora mantenha o padrão de colocar algo atípico e que surpreende na escolha (como a música da Céline Dion, funcionando surpreendentemente bem), não se mostra tão inspirada e nem mesmo algumas das músicas escolhidas são boas.
Contando ainda com ótimas atuações (Bob Odenkirk retorna sensacional, mantendo a energia vista antes, ao mesmo tempo que denota sutilmente certo cansaço da sua vida, Connie Nielsen aproveita o maior tempo de tela para se tornar muito mais que uma mera vendedora e esposa, mas uma que se torna também a força do próprio marido, John Ortiz é ótimo em seu personagem, Christopher Lloyd volta a roubar a cena e Sharon Stone está muito bem como vilã, mesmo que seja desperdiçada), uma fotografia eficiente, uma montagem muito boa (e que confere um ritmo eletrizante ao filme, e que sempre acerta pelas sequências de ação, mantendo-as sempre claras ao espectador), um ótimo design de som, enfim, é um ótimo filme.
Gênero: Ação
Duração: 89 Minutos
Classificação Indicativa: 18 Anos (Violência Extrema, Drogas Lícitas e Linguagem Imprópria)
Distribuição: Universal Pictures
Direção: Timo Tjahjanto
Elenco: Bob Odenkirk, Connie Nielsen, John Ortiz, Colin Hanks, RZA, Christopher Lloyd e Sharon Stone
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/













Comentários 0
Ainda não há comentários.