Crítica - Pecadores

Críticas Gerais

Pecadores é um filme excelente e diferenciado, que traz uma mistura ambiciosa e fascinante de gêneros.
Trazendo irmãos gêmeos que em pleno 1932 decide abrir um clube de Blues na sua cidade, sem saberem que estão prestes a serem cercados por vampiros, Pecadores surge como um filme bem diferente do esperado, acertando por saltar entre gêneros sem um afetar o outro, e sem parecer deslocado dentro da narrativa. E nesse aspecto, a direção e o roteiro de Ryan Coogler elevam o filme, e sua paciência em desenvolver inicialmente o seu universo e os personagens, para introduzir lentamente os elementos sobrenaturais e místicos é admirável, já que não só somos pegos de surpresa, como os personagens também (e o mais fascinante é perceber como essa transição é coesa e bem desenvolvida pelo roteiro). E mesmo analisando isoladamente, os elementos de cada gênero da narrativa são muitíssimo bem amarrados, respeitando tanto a mitologia clássica de vampiros enquanto as subverte, mas também funcionando belamente como um drama de gênero, evocando bem a tensão racial da época, ao mesmo tempo em que cria personagens carismáticos e interessantes o bastante para nos prender ao filme (e não tem como não destacar a excelente sequência que uma música atravessa e conecta o passado e o presente).
Ainda assim, senti que o roteiro deixa um pouco a desejar ao não desenvolver muito bem a questão envolvendo o poder da música e do objetivo de seu vilão em como aquilo uniria os vampiros, no passado e no presente. E o fato de seu diretor ter saído de dois filmes recentes da Marvel faz ele colocar duas cenas que sabe-se lá o motivo foram colocadas durante os créditos finais, quando poderiam facilmente terem sido combinadas e aí sim deixaria o desfecho ainda melhor. Mesmo com esses pecadilhos, o filme funciona maravilhosamente bem, divertindo e empolgando em alguns momentos, nos mantendo frequentemente tensos e fascinando nos seus diferenciais (e não ficarei surpreso caso o filme traga diversas leituras simbólicas sobre a sua narrativa, que certamente me passaram batido).
Impecável em seus aspectos técnicos, Pecadores encanta com a sua fotografia em película cuja paleta de cores transita entre diferentes estilos, indo da melancolia do período passando pelas sombras duras e cinzas do terror, mas evocando o calor humano que o clube do Blues possui (e a mudança na razão de aspecto surge surpreendente ao conferir uma escala ainda maior a diversas passagens do filme). Além disso, o design de produção faz uma fantástica recriação de época e é sempre belo de ver, combinando com os figurinos elegantes e espetaculares junto da ótima maquiagem (que faz um belo trabalho na concepção dos vampiros quando assumem sua versão mais sanguinária). Enquanto isso, o design de som é espetacular, conferindo uma mixagem imersiva e que confere força à narrativa e às músicas, nos fazendo senti-las, e todos esses aspectos técnicos e narrativos são embalados por uma trilha sonora excepcional em todos os sentidos, onde o compositor Ludwig Göransson combina diversos estilos musicais de forma brilhante e que torna a experiência sempre fascinante e sim, empolgante.
Contando ainda com atuações muito boas (Michael B. Jordan faz um belo trabalho ao diferenciar bem os irmãos gêmeos, conferindo diferentes personalidades e vulnerabilidades a eles – e o figurino dá uma ajudinha para diferenciá-los para o público, onde um veste uma boina azul e outro uma boina vermelha -, Hailee Steinfeld traz personalidade e sensualidade para sua personagem, Miles Caton é uma revelação, Jack O’Connell é sensacional como vilão, trazendo um divertido carisma, mas também conferindo imenso perigo e Wunmi Mosaku encanta em sua personagem) e ótimos efeitos especiais (que surgem orgânicos, evitando chamarem a atenção), enfim, é um filme excelente e muito diferente.
 

PS.: Há cenas adicionais durante e após os créditos finais.

 

Gênero: Suspense/Drama
Duração: 138 Minutos
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O’Connell, Wunmi Mosaku, Jayme Lawson, Omar Miller, Li Jun Li e Delroy Lindo

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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