O que esperar da última temporada de Stranger Things?
Críticas GeraisStranger Things consegue reacender a chama de toda uma geração que cresceu e continua apaixonada por história de fantasia ou ficção científica. A série dialoga com quem viveu os anos 80, mas também com quem cresceu consumindo narrativas que unem amizade, aventura e monstros simbólicos. Ontem, por exemplo, vi muitos amigos, inclusive, eu mesma, se preparando para receber a 5ª e última temporada da série. Esse preparo foi feito com pizza e doces, algo que eu fazia na adolescência. Olhar para isso, tirando - claro - uma grande jogada de marketing e muito estudo sobre consumo, é sempre interessante. O cinema e o audiovisual comove, une e atrai as pessoas.
Eu me lembro na pandemia de como os filmes e as séries (e novelas, por que não?) movimentavam o meu dia. Ou ainda, de quando meu avô adoeceu e eu lhe contei o enredo inteiro de um filme. Fiz parecer que era a história de alguém que a gente conhecia. Ele não era muito apegado ao cinema, mas gostou do que contei. Acredito que não haja um único ser humano que não goste de histórias. Eu queria, naquele momento, que meu avô ouvisse uma coisa diferente da minha vida, na época era ir à faculdade; eu queria que ele tivesse algo que o entretesse, que o tirasse momentaneamente dos próprios pensamentos. Acho que é isso que os grandes filmes e os bons entretenimentos fazem conosco.

Stranger Things tem isso. Usa uma fórmula já conhecida: um grupo de amigos que precisa salvar o mundo de um grande mal. Para melhorar a fórmula, colocaram tudo isso com atores que marcaram toda uma geração, como Winona Ryder e Linda Hamilton; com roupas e apetrechos dos anos 80 e, claro, boas músicas. Quem não ouviu Running Up That Hill, da Kate Bush, até cansar, viu a série de um jeito errado. Assim, os irmãos Matt Duffer e Ross Duffer fizeram a lição de casa. Toda essa junção realmente funciona. Isso significa que devemos esperar um final previsível? Eu não acho, embora não queira ficar elucubrando muito sobre as possibilidades de finais.
Em todo caso, uma coisa é certa: a gente vive esperando, mas esperar o final da série, além de emocionante, nos ajuda a lidar melhor com as esperas que temos que fazer na vida fora da ficção e das telas. Bom, talvez o ajudar aqui signifique que é mais fácil esperar o final no audiovisual do que na vida cotidiana. Querer saber se algum personagem vai morrer, ou ainda, que horas a Max vai acordar, parece-me mais fácil do que esperar o resultado de um exame difícil ou alguém que conhecemos acordar de uma cirurgia ou coma. Na vida fora da tela, é preferível não tentar adivinhar qual vai ser o desfecho de alguém próximo (ou distante), mas podemos falar sobre os personagens. A gente não quer falar da morte das pessoas que amamos ou mesmo conhecemos, mas a gente consegue lidar com esse tema difícil na ficção, no cinema.
No entanto, em vez de lançar hipóteses, vou falar do piloto da 5ª temporada. Não sei vocês, mas eu senti que os criadores entregaram aquilo que prometeram: voltar ao início. Dessa maneira, eles nos prometeram um fechamento redondo sem pontas soltas, ou seja, prometeram conectar tudo ao início da série. Isso foi feito de tal forma que logo no início vemos Will, pequeno, como o da 1ª temporada e sua relação com o mundo invertido. A mesma relação, inclusive, pode ser atribuída a Holly, irmã mais nova de Nancy e Mike.
O piloto não foi tão bem desenhado com o da 4ª temporada, no entanto, isso não significa que ele seja ruim. Na verdade, gostei muito perceber que a maioria das cenas e imagens que vemos nesse primeiro episódio são também as imagens que vemos no trailer. Dessa maneira, eu imagino que a gente possa esperar grandes e boas surpresas do que vem pela frente.

Com relação à apresentação dos personagens, nenhuma me decepcionou. Você deve ter seu personagem preferido, leitor, inclusive, deia aqui nos comentários quem é. O meu, clichê ou não, é a Eleven (Onze), porque ela é corajosa, tem super poderes e tem ótimos momentos na trama. Eu, particularmente, adoro as cenas de treinamento, por isso adorei como ela vou reapresentada treinando, algo muito comum em obras de fantasia e ação. Ao lado de seu mentor e pai, Hopper, faz aquilo que tentou em todas as temporadas - dar o seu melhor para salvar os amigos.
Para roteiro e para a psicologia de Jung não instituiu essa categoria para engessar as pessoas, mas para entender melhor como as pessoas se veem ou como elas querem ser vistas. Quando falamos de roteiro, isso não significa apenas ser um tipo de personagem, mas, sim, atribuir uma base para o personagem. Assim, Eleven está muito mais próxima de Naturo ou Sakura Card Captor do que de heróis como Hércules. Esses três heróis têm suas missões, mas também são muito jovens; por isso, precisam lidar com os problemas da adolescência: amor, amizade, inveja, responsabilidades e inseguranças.
Outro ponto que podemos perceber no primeiro olhar é que Mike também vai entregar seu melhor na temporada. Sinceramente, acho que a postura dele na temporada passada foi chata. O que acham? Eu gosto mais quando os criadores brincam com o perfil de jogo de RPG que os próprios personagens têm. Acho que, no fundo, o que a gente mais pode esperar dessa temporada é o fortalecimento da função de cada um do grupo, inclusive, porque a amizade é o elo mais forte de toda narrativa. A série sempre mostrou isso: a coragem aparece porque existe um vínculo antes dela que é construído na união do grupo.
Além dessa relação de amizade entre o grupo, também podemos destacar os pequenos bandinhos. A relação entre Steve (perfeito) e Jonathan, ou ainda, entre Will e Robin. Eu realmente espero que a relação de Will e Robin ajude a melhorar a representação LGBTQIAPN+, uma vez que na 4ª temporada essa relação ficou muito escondida atrás de estereótipos: o amigo ciumento, apaixonado em silêncio pelo melhor amigo hétero, preso naquela mistura de culpa, medo e desejo que a gente já viu mil vezes. Por mais que eu entenda que a adolescência seja um período confuso, acho que passamos da hora de pensar personagens Queers que tenham seus finais felizes, ou pelo menos não estejam nessa de gostar do amigo (supostamente) hétero. O mundo já é difícil o suficiente, na ficção, dá para sonhar com finais um pouco mais generosos.

Por fim, acho que a série desperta uma nostalgia emocional em todo mundo que assiste. Para os mais velhos, pode ser aquela sensação de ter um grupo de amigos, de fazer várias coisas juntos ou simplesmente não fazer nada. Muita gente não viveu aquela época, mas viveu o sentimento de conversar na rua até tarde, de saber que os amigos eram um porto seguro, de ter aquele grupinho que parecia um escudo contra qualquer Demogorgon. Stranger Things acende essa memória coletiva do que é crescer junto. No fim das contas, é isso que me faz continuar assistindo: a sensação de que, mesmo com monstros, portais e laboratórios secretos, o que realmente sustenta tudo são as relações. A amizade, as pequenas lealdades, os gestos simples. Todo mundo ali está tentando crescer, errando, voltando, abrindo espaço para o outro. Nós, espectadores, vamos junto, porque também estamos tentando.
Não respondi à pergunta do título, mas se você quiser me contar o que você espera, eu vou gostar de saber.










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