Crítica - June e John
Críticas Gerais
June e John é um romance que agrada e diverte, mesmo soando juvenil e irreal até demais.
Trazendo o pacato John conhecendo June por acaso e se entregando a um romance intenso e repleto de energia, June e John busca criar uma narrativa cheia de cor e energia, conseguindo equilibrar um romantismo cafona e ligeiramente contagiante. E ajuda muito que seus protagonistas consigam nos convencer acerca dos acontecimentos do roteiro, assim como a interação entre eles que, mesmo soando conveniente, tem a sua eficácia (é um romance, afinal). E com um ritmo bastante movimentado, o filme nunca soa cansativo, ganhando algum carisma pelo clima espirituoso da narrativa, mesmo com os diversos problemas que encontramos ao longo do filme.
Por outro lado, a inconstância da narrativa atinge níveis exagerados, pois o filme abraça o caos como ordem, e se sou capaz de dizer que é uma proposta consciente, afinal, é o espírito livre de June que leva o protagonista a sair do marasmo, mas há limite para isso. Afinal, os protagonistas conseguem fazer o que bem entendem, sem nenhum tipo de consequência, e com tamanha facilidade (e que em conjunto com a fotografia de cores intensas e carregadas quase acreditei que o filme poderia terminar dizendo que era tudo um sonho). Além disso, o filme soa juvenil e confuso em suas ideias e mensagens, onde as frases de June em que questiona o Sistema soam superficiais e saídas de alguém que ainda está na adolescência, e mesmo aquilo que o filme parece acertar (como a questão do homem moderno preso ao Capitalismo e à mediocridade da vida moderna), é abandonado pelo roteiro, e não tem como não observar a hipocrisia de seus personagens que falam que precisamos fugir da rotina, mas o fazem invadindo e curtindo em casas luxuosas e torrando dinheiro à vontade, quando a bem da verdade, seria impossível de acontecer na vida real, e vamos combinar, da forma como o filme mostra, assim fica fácil demais fugir da rotina. O que nos traz à própria June, cujo espírito livre, que poderia ser encarado como algo divertidinho, aos poucos ganha contornos irreais e insanos que me levam a acreditar que a garota soa mais como idealização do que uma figura real e minimamente verossímil (e a mudança de suas perucas e cores de cabelo além de soar como curiosa homenagem a O Profissional também de Luc Besson, nos remete também à Clementine da obra-prima Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças).
Por outro lado, por mais que seja curioso ver o diretor Luc Besson (mais acostumado a filmes de ação, e que aqui também escreve o roteiro) experimentando fazer um filme de romance (e rodando com câmeras de celular), o fato é que a falta de hábito com o gênero leva o diretor a adotar um clima espirituoso, que embora inicialmente contagiante, peca pelo excesso e pela inconstância de tons, o que leva a cenas absurdas como aquela que uma garota de programa e um mendigo abordam June na rua, e logo são convidados para um evento (algo que jamais aconteceria na vida real) ou aquelas mais dramáticas que surgem com uma mão muito pesada da sua parte, o que também leva o filme a se deixar contaminar pela inconsequência de seus protagonistas. E ao experimentar rodar o filme com celulares, a fotografia de cores vívidas impressiona e encanta com a gama intensa, ressaltando a intensidade daquele romance (embora em alguns momentos os detalhes nos rostos de seus atores se percam, conferindo uma artificialidade e um aspecto de boneco de cera ao elenco, mas ao menos, Besson se sai bem melhor e é bem mais contido que Danny Boyle e o excesso caótico de Extermínio: A Evolução).
Ainda bem que a dupla de protagonistas encontra ótimos intérpretes já que Matilda Price traz uma energia e uma audacidade tão extrema, o que junto com a personalidade doce e amável de June, nos leva a gostar dela (mesmo quando o roteiro exagera na vivacidade dela, convertendo-a em uma figura pouco real e que a aproxima do estereótipo Manic Pixie Dream Girl), enquanto Luke Stanton Eddy aposta em uma composição mais sóbria, e o ator confere imensa verdade a John, nos convencendo da sua paixão por June e também da sua própria personalidade que o torna um homem comum e simples.
Com isso, June e John se torna um filme de bons momentos, equilibrado por outros que soam forçados ou irritantes na imaturidade de seus personagens. E com um desfecho inconclusivo e que remete a Thelma e Louise, sou capaz de acreditar que o Amor deles foi sentido e é especial, mas o cínico que habita em mim acredita se tratar do maior lovebombing da história do Cinema, já que ao acabar em um momento importante, os personagens precisarão retornar à realidade que eles tanto fugiram e que não terá muita liberdade para que possam desfrutar da vida como eles puderam desfrutar até então.
Gênero: Romance
Duração: 93 Minutos
Distribuição: Diamond Films
Direção: Luc Besson
Elenco: Matilda Price e Luke Stanton Eddy
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
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