A hora do que mesmo?
Críticas GeraisOntem eu tive contato com A Hora do Mal e olha, há o que se comentar em tantos aspectos que montei praticamente uma montagem não linear dos fatos — como quase tudo o que escrevo por aqui — mas é um filme que de fato não se casou comigo e está tudo bem, seu roteiro por vezes é atrapalhado e tropeça nas próprias pernas mas estamos tentando, não é? Não, não é.
A Hora do Mal me frustrou muito mais graças a justificativas do diretor a própria mediocridade, isso é um perigo crescente no cinema, os tais filmes de nicho me irritam profundamente. Se seu filme tem o argumento de “não é para você” significa que seu publico se limita a um grupo de indivíduos que vai se esforçar um pouco mais pra acompanhar sua obra que por ventura pode não ser das melhores.

Voltando para A Hora do Mal, o filme tenta sim criar toda uma atmosfera de terror psicológico do começo ao fim mas vai deixando caricato em um nível difícil de se compreender, estava esperando que no começo enquanto havia a corrida das crianças acabasse até mesmo começando uma musiquinha de ninar em um tom meio ameaçador mas não, o Zach Cregger respeitou o publico minimamente e impediu que isso acontecesse. Os sustos no filme são um dos principais problemas, lembra quando você era uma criança ou um adolescente e seu primo mais velho te chamou pra frente do computador na intenção de você percorrer o labirinto onde no final a Regan Macnail aparecia na tela com um grito alto? O nosso filme aqui é duas horas disso e em algum momento começamos a prever — o que não é difícil, já no segundo o padrão fica bem fácil de se perceber — não cativa de forma alguma e fora o pequeno Alex e sua família, nenhum personagem aqui cativa, em especial os principais.
A Personagem da Julia Garner, aqui, Justine é uma das piores final girls que eu tive o desprazer de acompanhar, pode sim haver o argumento que seu senso de professora falava mais alto em tentar proteger o Alex mas em muitos momentos ela se esforça pra parecer uma Stalker muito da esquisita, e pensando em retrospecto a trama funciona sim sem ela. Em alguns momentos na tela é constrangedor assistir como as relações dos adultos são construídas, em como ela e o personagem do Josh Brolin vão de inimigos a colegas de busca em duas cenas, é corrido e é sim mal feito em todos os sentidos, a relação de Justine com o Paul também é pedante e joga a personagem numa zona horrível que nos gera mais antipatia ainda.

Grandes questionamentos do filme ficam totalmente em aberto e isso é agonizante, não há imprensa nos Estados Unidos falando sobre o desaparecimento de 17 crianças em uma só noite, as autoridades federais não se metem no meio disso e toda a cidade parece estar vivendo uma vida normal sem grupos de busca e sem o menor interesse de nenhum dos pais que não seja o Archer (Josh Brolin) e da professora que parece ser muito mais pessoal que qualquer outra coisa. O filme ainda carrega consigo uma narração com voz de criança no começo e no final o que me tirou totalmente da imersão, e a vilã Gladys é terrivelmente sem sal, é um tipo de “coringa” onde todo filme que precisa de uma pessoa má sem justificativa buscam as características mais simples e superficiais a psicopatia.

Poupe suas horas e passe longe da Hora que foi má.





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