Crítica - Baby
Críticas Gerais
Baby é um filme bastante interessante e que envolve a partir dos seus personagens e suas complexas relações.
Trazendo o jovem Wellington que saiu de um centro juvenil e que ao se ver sem-teto, conhece Ronaldo, que o leva a se tornar um garoto de programa, Baby é um filme que acerta por não fazer juízo de valor em cima dos seus personagens e das suas atitudes, e um dos méritos do Cinema é nos levar para dentro de realidades que passam bem longe da nossa e nos levar a exercitar nossa empatia. E o roteiro de Baby não deixa de se encaixar em um slice of life (pedaço da vida), e vemos o protagonista buscando não só um lugar nesse mundo, como também a compreensão de si próprio. Logo, se somos levados a inicialmente condenar as decisões de Baby em se tornar um garoto de programa (ou mesmo de seus pais se mudarem e deixá-lo para trás sem nenhum aviso), é inevitável chegar à constatação de que, assim como muitos por aí, não existe nenhuma outra escolha a não ser se tornar aquilo que a realidade do personagem acaba demandando, se não o mundo dá um jeito de nos devorar (e isso, vale dizer, envolve todos os personagens que habitam o filme).
E é a partir das suas complexas relações que o filme se constrói: Do traficante Torres passando por Alexandre, passando também por Priscila (ex de Ronaldo), os velhos amigos de Wellington e claro, a tia e mãe de Wellington, todos possuem seus próprios problemas e precisam “fazer seus corres” para sobreviver em São Paulo, e Wellington/Baby vai aos poucos compreendendo isso. E é claro que a relação mais complexa é aquela que ancora o filme (no caso, Wellington com Ronaldo): De uma atração inicial que se transforma em algo que parece ora se tornar uma relação afetuosa cheia de carinho ora se torna relação de trabalho (Ronaldo faz as vias de cafetão particular de Baby e demonstra ciúmes ao ver o seu protegido com outras pessoas). E é natural que Wellington encontre em Ronaldo um porto seguro, já que como o seu próprio apelido diz (Baby), ele ainda é um “bebê”, uma criança tentando entender o mundo (e também em necessidade de uma importante figura paterna), e é claro que ele sempre acaba voltando para os braços de Ronaldo, não por ser o certo, mas por Ronaldo fazer sentido para ele dentro do caos que habita a sua vida. E se o filme consegue funcionar bem, é graças à dinâmica que os atores João Pedro Mariano e Ricardo Teodoro trazem ao filme (e Teodoro em especial, consegue fazer um imenso esforço em não transformá-lo em um babaca, já que o ator é inteligente em suavizar os piores aspectos do personagem). E vale destacar, é claro, o talento da direção de Marcelo Caetano (que fez o ótimo Corpo Elétrico), que consegue extrair o afeto dos seus personagens ao mesmo tempo em que confere um ar urbano e ligeiramente melancólico à cidade de São Paulo (e extrai tensão em uma sequência impactante no terceiro ato).
Contando ainda com belas atuações (João Pedro Mariano se sai muitíssimo bem em uma atuação contida em seus sentimentos, mas que revela em alguns momentos os sentimentos e conflitos internos em pequenos momentos, e o ator também acerta em retratar a imaturidade natural da idade e a própria vulnerabilidade de seu personagem, Ricardo Teodoro está fantástico ao se revelar um homem que busca o melhor para o seu protegido, mas que também traz afeto para ele, assim como revela-se disciplinado no próprio trabalho, Ana Flavia Cavalcanti está ótima enquanto Marcelo Varzea tem uma participação tocante como Alexandre e que encontra em Baby uma possível futura relação, e o diálogo que seu personagem tem com Baby em que comenta sobre o seu passado é dolorosamente tocante e verdadeiro), uma ótima fotografia (que traz um certo urbanismo às imagens noturnas), uma boa montagem (embora o filme pareça um pouco sem ritmo em alguns momentos), uma trilha sonora irregular, enfim, é um ótimo filme.
Gênero: Drama
Duração: 107 Minutos
Distribuição: Vitrine Filmes
Direção: Marcelo Caetano
Elenco: João Pedro Mariano, Ricardo Teodoro, Ana Flavia Cavalcanti, Bruna Linzmeyer, Luiz Bertazzo, Marcelo Varzea, Patrick Coelho, Kyra Reis, Baco Pereira, Sylvia Prado e Kelly Campello
Essas e outras críticas, você pode ler aqui:
https://criticasdefilmes1.wordpress.com/




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