O Macaco

Críticas Gerais

O Macaco é curiosamente divertido e igualmente tenso e estúpido em sua narrativa.
Trazendo a história de dois irmãos que são assombrados por uma espécie de macaco de brinquedo capaz de causar a morte de pessoas ao seu redor, O Macaco trata de inteligentemente indicar ao espectador logo em seus minutos iniciais o tipo de filme que estaremos assistindo, e basta dizer que se você não rir ou gargalhar na primeira morte, eu sugiro procurar outro filme. Pois o fato é que O Macaco consegue uma façanha admirável (algo que credito ao diretor Osgood Perkins) que é criar uma narrativa que, ciente do absurdo de sua temática, abraça com gosto um humor sombrio e mórbido, e é tão exagerado nas cenas de morte (e até mesmo os personagens que habitam o filme) que fica difícil não rir, já que elas ultrapassam a linha entre o chocante e o estilizado, o que acaba sendo engraçado (diria que as mortes vistas aqui rivalizam com as da franquia Premonição). Felizmente, o filme consegue prender a atenção, e é notável que o filme faz proezas para sustentar o nosso interesse e a tensão da narrativa (que traz um ritmo bastante crescente), e é aqui que a inspiração em Premonição fica mais clara, pois no momento que o macaco começa a bater nos tambores, é difícil não ficar tenso e temer o que pode acontecer, que aliás, se mostra absolutamente implacável na escolha de suas vítimas e na forma que os personagens morrem. Ainda assim, aqui e ali o diretor exagera um pouco na dose como uma sequência de sonho bobinha demais (que serve mais para fazer uma referência gratuita ao clássico Um Corpo Que Cai) e nem sempre o tom adotado (que vai para extremos com frequência) funciona, já que em algumas passagens fica ridículo demais.
Consciente de sua própria estupidez e do absurdo retratado e flertando com o camp frequentemente (como a trilha sonora divertidamente exagerada e dramática), o filme chega a se dar ao luxo de usar o próprio objeto como metáfora da morte, e que assim como ela, é inevitável e jamais nos dá avisos (e que é tratada pelo filme de forma divertida e bem-humorada), e ainda encontra uma surpreendente catarse emocional em seu clímax que acaba funcionando bem, mas não sem antes garantir mais algumas risadas ao espectador.
Contando ainda com boas atuações (Theo James se sai bem ao trazer composições diferentes para cada irmão, e embora tenha uma leve tendência à caricatura, o ator se sai bem e leva o filme com o mesmo bom humor que a direção trouxe e Rohan Campbell diverte com sua caracterização similar ao do saudoso Ozzy Osbourne), uma fotografia eficiente (ainda que os enquadramentos do filme incomodem por frequentemente deixar muito espaço vazio da parte central à superior da imagem, e se inicialmente pensei que era uma escolha narrativa para criar certa apreensão, acaba sendo uma escolha inconsequente), bons efeitos especiais, enfim, é um filme bacana e bem divertido.
 

Baseado no Conto de Stephen King.

 

Gênero: Terror/Comédia
Duração: 98 Minutos
Distribuição: Paris Filmes
Direção: Osgood Perkins
Elenco: Theo James, Tatiana Maslany, Christian Convery, Colin O’Brien, Rohan Campbell, Adam Scott e Elijah Wood

 

Essas e outras críticas, você pode ler aqui:

https://criticasdefilmes1.wordpress.com/

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