O Relógio da Estação

Críticas Gerais

O Relógio da Estação
A estação de trem de Blackwood era uma relíquia do século passado. Tijolos escuros e rachados, uma plataforma de cimento manchada e, no topo da torre principal, um relógio enorme e silencioso. As engrenagens estavam paradas há décadas, os ponteiros congelados na meia-noite. Ninguém na cidade se lembrava de tê-lo visto funcionar. Até a noite em que o silêncio do relógio foi quebrado.
Era uma terça-feira chuvosa quando Lucas, um jovem maquinista, teve seu trem atrasado devido a um problema na linha. Frustrado e cansado, ele esperou na estação vazia. Apenas a luz fraca de um poste de rua iluminava a plataforma, e o eco de seus próprios passos o acompanhava. Foi então que ele ouviu. Um tique-taque lento e pesado. O som vinha do alto da torre.
Lucas levantou a cabeça. Os ponteiros do relógio, antes imóveis, tremiam. Ele esfregou os olhos, pensando que o cansaço estava lhe pregando uma peça. Mas o som se tornou mais alto, mais regular. Tique... taque... tique... taque... Os ponteiros, como se despertassem de um longo sono, começaram a se mover.
Uma lenda antiga sobre o relógio da estação circulava entre os mais velhos de Blackwood. Diziam que quando o relógio batesse a meia-noite novamente, uma alma perdida seria libertada. Mas não uma alma boa. A lenda contava sobre Malachi Thorne, um sádico condutor de trem que, no início do século XX, desviava os trens para um abismo na floresta, matando dezenas de pessoas. Ele desapareceu sem deixar vestígios, e logo depois, o relógio parou de funcionar.
Lucas sentiu um arrepio na espinha. O relógio avançava, e os minutos pareciam durar uma eternidade. Faltavam apenas 10 minutos para a meia-noite. O som das engrenagens enferrujadas ecoava por toda a estação. Lucas se sentia como um rato encurralado. Ele tentou ligar para a central, mas o telefone estava mudo.
Quando o ponteiro dos minutos chegou às 12 horas, um barulho metálico e estridente encheu o ar. As engrenagens se moveram com violência. O sino do relógio bateu. Uma batida. Duas. Três... onze. Doze. A cada batida, uma luz vermelha pálida emanava do relógio. A 12ª batida foi diferente. Foi um grito. Um grito de metal e de alma. As luzes da estação piscaram e se apagaram. A plataforma ficou na escuridão total.
Lucas ficou imóvel no meio da escuridão. O silêncio era absoluto. O tique-taque parou. Mas então, ele ouviu outro som. Um arrastar pesado. De ossos e metal. Um som que vinha de dentro do relógio.
Quando as luzes da estação voltaram, Lucas estava sozinho, tremendo. O relógio estava novamente parado, os ponteiros congelados na meia-noite. Mas a lenda urbana se tornou real para ele. E para a cidade de Blackwood. A partir daquela noite, os trens que passavam pela estação, se perdessem a atenção, ouviam uma voz fria e assustadora do rádio, que dizia: "Próxima parada, o abismo." E alguns maquinistas, os mais azarados, não chegavam ao próximo destino. Eles e seus trens simplesmente desapareciam, como se nunca tivessem existido. E em Blackwood, todos sabiam que era Malachi Thorne, o condutor das almas perdidas, que voltava para seu passeio. E ele sempre tinha uma vaga, especial, reservada no seu trem.
 

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Lari Ordenes29 de agosto de 2025
Que interessamte