A Hora Do Mal
Críticas Gerais
A Hora Do Mal prende a atenção com sua história intrigante e mantém um clima tenso e sinistro do início ao fim.
Tendo como premissa o desaparecimento de 17 crianças de uma única sala de aula às 2h17, A Hora Do Mal instaura uma forte tensão desde o início e ainda cria um clima de mistério que não só aumenta a cada minuto, como trata de nos levar a temer pelos personagens por sabermos de informações que estes ainda não sabem e por mostrar os fortes riscos que estes enfrentam, e claro, por nos levar a imaginar como a história vai se amarrar. Além disso, o roteiro adota uma estrutura narrativa eficaz onde traz diferentes pontos de vista dos personagens, algo que se torna ainda mais fascinante por nos levar a montar as peças da história, e que a direção facilita ao trazer pistas ou elementos que vão se encontrando ao longo do filme e que vai amarrando a história aos poucos e sem chamar a atenção para si. E a montagem é feliz nesse aspecto ao fazer conexões entre uma história e outra a partir de enquadramentos diferentes de uma mesma ação, e ainda consegue sustentar o ritmo da história, assim como convergir a narrativa de forma perfeita.
Com isso, o diretor Zach Cregger (que também assina o roteiro) consegue instaurar um clima de tensão e paranoia no espectador, causando calafrios a partir de imagens como a das crianças correndo com os braços abertos em direção à escuridão, além de sustos inesperados e muito bem pensados, e mesmo quando não assusta, o diretor leva o filme bem a sério e adota um tom frequentemente mais formal em seus enquadramentos junto do diretor de fotografia Larkin Seiple, conseguindo nos levar ao medo a partir da simplicidade das suas escolhas (como uma porta se mover de forma cuidadosa, mantendo-se aberta por tempo demais ou a entrada de uma figura misteriosa em um carro) assim como confere um ar de mistério àquele subúrbio e aos cantos escuros. Além disso, o roteiro surpreende ao sabiamente explorar seus personagens interessantes, não se detendo apenas ao mistério que gira em torno do filme. Com tudo isso em mente, o filme nos agarra e não nos solta mais, e a história traz um desfecho que consegue amarrá-la, e também cria um acontecimento inesperado e brutal, que merece pontos pela ousadia do que acontece.
Ainda assim, o diretor/roteirista Zach Cregger volta a repetir o mesmo erro de seu filme anterior (o bom Noites Brutais), mas ao contrário daquele filme, o erro acontece apenas nos seus minutos finais, já que o acontecimento inesperado pode parecer exagerado demais a ponto de soar deslocado para alguns espectadores, ainda mais tendo em vista a abordagem sóbria e seríssima que o filme possui. E mesmo a história se amarrando perfeitamente, ela acaba criando perguntas que o Zach roteirista não quis responder, e cujas respostas dependem muito mais do nosso conhecimento prévio das convenções do gênero do que pela própria lógica do filme (afinal, por qual razão a tia Gladys sequestrou as crianças e por que ela aparentemente não conseguiu o que queria a ponto de querer se mudar ao final do filme? É algo que o filme não responde, mas a caracterização excessivamente simpática da tia Gladys remete a da vizinha de O Bebê De Rosemary e que se envolvia em práticas ocultistas, e o diretor parece não ter visto muitos filmes de terror, já que basta apenas um elemento triangular que já sabemos que o filme envolverá bruxaria/ocultismo, algo que é entregue na logo do próprio título do filme) e ainda por cima contradiz o próprio filme quando pensamos nele em retrospecto (já que a narração diz que o que realmente aconteceu foi “algo imensamente vergonhoso” e que “as crianças nunca mais voltaram“, algo que, bem, as crianças voltam, e os acontecimentos não considero vergonhosos, e sim assustadores demais para se contar, e bem, se a própria tia Gladys estava enfraquecida e as crianças não foram suficientes para deixá-la melhor, é surpreendente que ela consiga correr daquele jeito no final do filme, depois das crianças não estarem mais sobre sua influência, e o que dizer da aparição da tia Gladys nos sonhos de Justine e Archer, se eles nunca a viram? E se ela queria assustá-los, isso contradiz a própria regra dela de que ela não queria que ninguém soubesse sobre ela), logo, já dá para perceber uma tendência preocupante: Ele sabe conduzir a história e sustentar a tensão e os personagens, mas não sabe fechá-la com a chave de ouro que o filme merecia.
Apesar desse pecadilho, A Hora Do Mal é um suspense excelente e intrigante e ainda conta com ótimas atuações (Julia Garner e Josh Brolin convencem perfeitamente em suas atuações, Alden Ehrenreich é perfeito como um policial que se esforça para ser honesto, Austin Abrams quase rouba o filme para si como um morador de rua e Amy Madigan diverte e assusta a partir da sua caracterização, praticamente criando uma nova figura sinistra do gênero com a sua tia Gladys), uma trilha sonora sinistra e bastante eficaz em ressaltar a atmosfera do filme e suas descobertas junto com o espectador e uma maquiagem muito boa (o detalhe dos olhos ligeiramente saltados das vítimas consegue ser assustador, enquanto a maquiagem para envelhecer Amy Madigan a torna irreconhecível), enfim, é um filmaço.
Nota: 9,5!!!!
Status do Filme: Em Exibição Nos Cinemas
Gênero: Terror/Suspense
Duração: 128 Minutos
Classificação Indicativa: 18 Anos (Violência Extrema, Conteúdo Sexual e Drogas)
Distribuição: Warner Bros.
Direção: Zach Cregger
Elenco: Josh Brolin, Julia Garner, Alden Ehrenreich, Austin Abrams, Cary Christopher, Benedict Wong e Amy Madigan




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