Questionando Sem Querer Querendo ...
Críticas GeraisQuestionando com minha esposa sobre a questão das biografias após assistir Chesperito – Sem Querer Querendo, minissérie da HBO Max sobre o maior comediante mexicano de todos os tempos, Roberto Gómez Bolaños desde sobre sua infância, os primeiros anos e o sua obra prima: o capítulo de Acapulco do Chaves. Uma grande vantagem: os oito capítulos passam voando nos olhos.
Um dos maiores medos de qualquer biografia levada a filme ou a série: será que vai ser chapa branca? Bem, é importante ter em conta que a série é criada por Roberto Gómez Fernandez, filho de Bolaños que também participava nos projetos do pai nos últimos anos dos programas do Chaves e do Chapolin Colorado. E que também produziu novelas, as versões animadas do Chaves e do Chapolin. Com essa informação, o critério fica ao leitor.
Assim como muitos imaginam, existem muitos altos e baixos tanto em capítulos quanto na direção. Na minissérie mescla duas linhas temporais (E que curiosamente refletiam no formato de tela), a do capítulo que está contando e os preparativos e logísticas para filmar o capitulo. Afinal, não era a mesma coisa um cenário que locações reais.

Se um poderia perguntar: por que não diz os nomes de Florinda Meza e Carlos Villagran? O mais lógico é por questões legais. Nas séries\filmes biográficos, principalmente no México, o pessoal troca nomes contra um possível processo. Dou como um exemplo, na série de Luis Miguel em um momento diz ao espectador sem nenhum problema: não quero tal pessoa para evitar problemas legais. E deixando um momento de reflexão: Em uma entrevista com Florinda Meza com Bolaños, ela dizia que Roberto tinha 7 defeitos: seus 6 filhos e uma esposa. Pensem por um segundo: a esposa do seu pai dizendo em entrevistas para a tv que você seja o maior defeito. Então, quando um se surpreende a mudança de nomes em biografias, aqui se compreende um por que.
Agora vamos falar o que realmente fez a diferença na série: a direção. Quando olhamos por alto, a série se comporta em um certo aspecto como qualquer biografia: Começa forte, tem o seu capítulo que faz toda a diferença, lida bem com os momentos mornos e o último capítulo tem suas magias e terminando com uma nota altíssima aonde o homenageado olha o ator que o dá vida e um sorriso de orgulho. 
Entretanto, é no quarto capítulo que brilha com sua totalidade a série e logo no seu momento bisagra: A criação do Chaves. Com uma fotografia preto e branco e mostrando os momentos difíceis que passou Bolaños com os tios em Guadalajara nos anos 30. E encontrou o conforto em uma espécie de cortiço onde existia aquele pai solteiro com a filha tentando sobreviver, a solteirona, a fofoqueira com seu filho, o homem que cobra aluguel e ainda com o tema original tocando de fundo em um arranjo sinfônico belíssimo. E os momentos finais, um monologo espetacular e um frame que talvez seja uma das coisas mais lindas que se viu em séries esse ano.
Chesperito – Foi Sem Querer Querendo termina com uma nota muito alta e ainda mais, aumenta ainda mais o impacto cultural dos personagens de Bolaños, mas ao mesmo tempo reconhecem que a criatura comeu o criador porém ainda assim o nome do criador conseguiu ecoar fronteiras e lugares onde menos imagina que as pessoas pudessem compreender seu humor e para onde apontavam. Nunca a frase: não importa quantas vezes pode repetir a piada, sempre irei rir como se fosse a primeira vez.




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