Make Marvel Great Again

Críticas Gerais

Eu cresci com a Marvel. Desde pequeno, acompanhei as sagas mais icônicas, vibrei com cada grande evento e conheci personagens que moldaram meu gosto por histórias de heróis. Quando o MCU começou lá em 2008, foi como ver aqueles mundos ganharem vida diante dos meus olhos. E quando "Vingadores: Ultimato" encerrou aquela jornada de mais de uma década, parecia que a Marvel tinha atingido o topo do mundo. Mas depois disso… algo se perdeu completamente. 

 

Os filmes que vieram na sequência não conseguiram segurar o peso da própria grandiosidade e sucesso. A Marvel tentou expandir, diversificar e apostar em novas abordagens, mas parece que esqueceu o que fez dela o maior fenômeno do entretenimento: contar boas histórias. Em algum momento, os filmes começaram a se sentir mais como manifestos políticos do politicamente correto, com personagens completamente pirados, do que como aventuras épicas de super-heróis. Tudo ficou muito engessado, preocupado em agradar a todos, mas esquecendo do básico – entreter. 

 

E é por isso que "Capitão América: Admirável Mundo Novo" chega como um sinal de que talvez, só talvez, a Marvel tenha entendido o recado, absorvido as lições dos fracassos anteriores e esteja disposta a avançar. 

Os acertos do novo Capitão América

 

Se tem algo que "Admirável Mundo Novo" faz bem, é lembrar o público de que o Capitão América sempre foi um herói sobre ideais. Ele nunca foi apenas músculos e um escudo de vibranium; ele sempre representou algo maior. Ele não é um herói, ele é uma ideia (aqui isso se encaixa). 

 

Anthony Mackie finalmente tem a chance de ser protagonista. Seu Capitão América não tenta ser uma cópia do Steve Rogers – e nem poderia ou deveria. Ele carrega o peso da responsabilidade, e o filme mostra muito bem o desafio de se tornar o símbolo de uma nação dividida. O tom é mais sério, lembrando "O Soldado Invernal" (o melhor filme da Marvel), e as cenas de ação são bem coreografadas, sem exagero no CGI ou, aquilo que se tornou um dos maiores problemas do MCU, as piadas forçadas. 

 

"Thor: Amor e Trovão" foi um dos piores exemplos disso, transformando um dos personagens mais poderosos da Marvel em uma caricatura. "Admirável Mundo Novo" foge dessa armadilha. O humor existe, mas na medida certa. Sam Wilson é espirituoso e tem seu carisma, mas nunca parece um personagem que está ali apenas para soltar frases engraçadinhas.

 

Além disso, o filme tem um trunfo enorme: Harrison Ford no papel do Presidente dos EUA. A simples presença de Ford já eleva o filme, dando peso e credibilidade a um universo que vinha se tornando cada vez mais infantilizado. Seu personagem, o Presidente Thaddeus Ross, traz consigo uma aura de autoridade e ambiguidade moral, algo que pode abrir espaço para tramas mais maduras no futuro do MCU.

 

E não podemos esquecer da ação. "Capitão América: O Soldado Invernal" foi um marco no MCU por apresentar lutas corpo a corpo bem coreografadas, perseguições tensas e um ritmo de thriller político que conquistou os fãs. "Admirável Mundo Novo" tenta seguir essa linha, trazendo combates mais físicos e menos dependentes de CGI. O próprio Sam Wilson, agora como Capitão América, ainda mantém algumas de suas habilidades de luta aérea, usando suas asas em combate, mas o foco está na força bruta e estratégia – e isso é um acerto. Sam Wilson é um excelente Capitão América, assim como é nos quadrinhos – e sua presença não parece forçada, como era aquela menina que deveria se tornar a sucessora do Tony Stark. Se você lembrar o nome dela, comenta aí. Eu não lembro.

 

A Marvel se perdeu depois de Ultimato

Não dá pra negar que "Ultimato" foi um evento único. Só que, depois disso, a Marvel parecia tão perdida quanto outra franquia que a Disney derrubou, Star Wars. As duas franquias esqueceram o que os fãs queriam ver. 

 

O grande problema dos filmes pós-"Ultimato" foi o descaso com personagens clássicos e a aposta em conceitos que não empolgaram o público. "Eternos" tentou ser uma grande epopeia cósmica, mas falhou em criar personagens memoráveis, talvez se tivesse mais tempo de tela. "Thor: Amor e Trovão" transformou o Deus do Trovão em um piadista de stand-up. "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" prometeu um multiverso insano e foi o melhorzinho desses aí, mas nada que resolvesse.

 

E aí entra um ponto fundamental: falta de planejamento. E se tem algo que a Disney já provou que não sabe fazer, é planejar franquias. Quer um exemplo?

 

Marvel, não vire Star Wars!

A Marvel precisa aprender com o desastre absoluto que foi a nova trilogia de "Star Wars". O Episódio VII, "O Despertar da Força", até começou foi bem recebido (embora tenha zero originalidade e transforme várias coisas em cartunescas), criando hype e apresentando novos personagens interessantes. Mas aí… a Disney não planejou absolutamente nada.

 

J.J. Abrams montou um mistério atrás do outro, mas como em “Lost” ninguém sabia de nada. Rian Johnson chegou e jogou tudo no lixo em "Os Últimos Jedi" – mataram Snoke do nada, transformaram Luke num ermitão deprimido, e enfiaram uma mensagem de "apostar nos cavalos é ruim" no meio do filme. E quando a galera odiou? Trouxeram J.J. Abrams de volta para o Episódio IX, e ele passou duas horas tentando consertar a bagunça que ele ajudou a criar. No fim, Palpatine voltou - que parecia ser a pior decisão possível até aquele momento -, a Rey era neta dele (subvertendo tudo até aquele momento e tornando a pior decisão até aquele momento) e Kylo Ren virou herói (apagando tudo que o Episódio VIII fez, o que era a pior decisão até aquele momento) e culminando com um beijo esquisito que, talvez, tenha sido a única coisa inédita e resgatável daquele filme. Mas que muita gente, já de saco cheio, entendeu que era a pior decisão até aquele momento. 

 

Isso, meus amigos, é o que acontece quando você toca uma franquia gigantesca sem planejamento algum. Parece familiar? Pois é exatamente para onde o MCU estava indo nos últimos anos.

 

O Multiverso da Marvel tinha um potencial enorme, mas o que fizeram com ele? Nada que fizesse sentido. Vilões sem impacto, regras confusas, personagens indo e vindo sem propósito. A Marvel precisa fazer o que Kevin Feige fez no começo: criar um plano sólido e seguir ele até o fim. Sem correr atrás de modismos, sem jogar ideias soltas na tela sem saber onde vão dar.

 

Marvel, aprenda com Star Wars. Não vire Star Wars.

 

Oportunidade de ouro para a nova fase

Mas nem tudo está perdido. A Marvel tem uma chance de ouro de se redimir, e essa chance se chama Quarteto Fantástico. O Quarteto é o coração da Marvel nos quadrinhos. São personagens que abriram portas para tudo o que conhecemos hoje e, se forem bem aproveitados, podem trazer de volta aquele sentimento de novidade e empolgação que o MCU precisa. Heróis incríveis, clássicos, melhores do que nunca.

 

O que eles precisam fazer? Tratar o Quarteto com o respeito que merece. Sem piadas a cada dois minutos, sem CGI exagerado, sem mudar tudo o que fez esses personagens se tornarem icônicos. E, pelo amor de Stan Lee, Doutor Destino precisa ser o vilão definitivo do MCU. Esse é o caminho para fazer a MARVEL GREAT AGAIN! 

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