Ainda precisamos de Black Mirror em pleno 2025?
Críticas Gerais
Em 13 de março, foi lançado o primeiro trailer da 7ª temporada de Black Mirror, que está marcada para estrear em 10 de abril. De repente, me dei conta que já faz 14 anos desde que a 1ª temporada foi ao ar. Além disso, notei que alguns rostos familiares — Colin Ritman (Will Poulter) de Black Mirror: Bandersnatch (2018) e Nanette Cole (Cristin Milioti) de "USS Callister" (2017) — retornaram, aparentemente dando continuidade às suas histórias. Há também alguns rostos novos e quatro histórias inéditas, todas ainda explorando temas como virtualidade, fantasia e inovação tecnológica.
Pelo visto, a 7ª temporada continua fiel à mistura de ficção científica e suspense, o que certamente vai atrair inúmeros fãs antigos. Mas, ao refletir sobre o declínio da aclamação da série — da polêmica desencadeada pela estreia da 1ª temporada à queda na qualidade desde que a Netflix assumiu a produção na 3ª e a recepção morna da 6ª —, não posso deixar de me perguntar: Black Mirror se tornou desinteressante mesmo ou as preferências dos espectadores simplesmente evoluíram? E agora, enquanto vivenciamos a década de 2020, realmente precisamos da série com tanta urgência quanto antes?
Não há como negar que Black Mirror foi uma das séries mais influentes da década de 2010. Houve um tempo em que suas profecias deixavam as pessoas apreensivas — às vezes, até refletiam a própria realidade. Quem poderia esquecer a premissa de "Hino Nacional", da 1ª temporada, em que o primeiro-ministro foi forçado a ter relações sexuais com um porco ao vivo na televisão para salvar a princesa sequestrada? Mais tarde, o Daily Mail relatou que o então primeiro-ministro britânico David Cameron havia colocado "as partes íntimas" na boca de um porco morto para cumprir um ritual de iniciação universitária. Quando o produtor de Black Mirror, Charlie Brooker, ouviu falar disso, ele declarou: "Eu realmente me perguntei por um momento se a realidade era uma simulação, se ela existe apenas para me enganar".

Embora os ecos com a realidade tenham contribuído para o status lendário de Black Mirror, a essência desse sucesso todo está em sua crítica severa à tecnologia e à obsessão pela mídia, seus insights sombrios sobre a sociedade pós-moderna e sua estrutura narrativa sofisticada. De "Toda a sua história", da 1ª temporada, a "A Joan é péssima" e "Mazey Day", da 6ª, Black Mirror tem constantemente exposto como a tecnologia e a obsessão pela mídia podem destruir vidas, e como as pessoas, apesar do ceticismo inicial, acabam sucumbindo a elas.
Os criadores da série tentaram suavizar os aspectos potencialmente alienantes dos cenários de ficção científica ao incluir momentos emocionais icônicos. E funcionou — eles nos fizeram lembrar que, seja na dura distopia de "Quinze milhões de méritos" ou no conforto ilusório de "San Junipero", o amor e a humanidade ainda têm poder em um mundo tecnológico cruel.
No entanto, é inegável que a qualidade geral de Black Mirror caiu desde a 4ª temporada. Para uma série de antologia, flutuações na qualidade dos episódios são normais. A produção expandiu de três para seis histórias por temporada desde a 3ª (exceto na 5ª, mas o episódio independente Black Mirror: Bandersnatch deveria fazer parte dela), o que torna mais difícil manter sua qualidade.
Enquanto isso, vale a pena notar que a série atenuou sua crítica ao domínio tecnológico na década de 2020, mudando para vinhetas satíricas mais leves e elementos de suspense. Em "A Joan é péssima", as referências reais à Netflix diluem uma sátira ousada e poderosa em piadas divertidas e entretenimento para toda a família. De maneira semelhante, "Loch Henry" mal explora os limites entre a gravação do documentário e a realidade, faltando o toque incisivo de episódios como "Urso branco".

Quando as histórias de Black Mirror não tocam mais as feridas, elas se tornam mais do que apenas um desafio criativo para os roteiristas — também viram uma alegoria sombria dos nossos tempos. Ainda precisamos ser lembrados do perigo da tecnologia quando os algoritmos se infiltraram em todos os aspectos de nossas vidas, com nossos celulares entendendo nossos desejos melhor do que nós mesmos? Ainda podemos ver Black Mirror como uma criação artística genuína e não apenas mais um "conteúdo", quando a série em si também se tornou um "produto da tecnologia", impulsionado pelas demandas do mercado e pelas expectativas do público?
Agora que a realidade evoluiu a ponto de o ChatGPT ou o DeepSeek estarem escrevendo esboços de sequências para Black Mirror, talvez precisemos desse "entorpecente eletrônico" para neutralizar o absurdo surreal da vida. Em vez de esperar que Black Mirror continue sendo uma bola de cristal que prevê o futuro, podemos tratá-la como a versão da era tecnológica das Fábulas de Esopo — mesmo que saibamos que o "lobo" definitivamente virá, isso não nos impede de aproveitar o humor ácido do pastorzinho sendo devorado por algoritmos.
Afinal, no mundo moderno, onde todos estão se tornando ciborgues, nós precisamos de uma dose semanal cuidadosamente selecionada de "massagem espiritual da inteligência artificial". Tudo o que podemos fazer é torcer para que os roteiristas da 7ª temporada se lembrem de que o verdadeiro horror não é o quanto a tecnologia pode ser assustadora, mas, sim, o fato de que quando ela mostra suas presas, estamos sentados em frente às nossas telas, sorrindo como bobos enquanto enviamos presentes virtuais.








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