Review | Em sua terceira temporada, "Bridgerton" se perde entre tantas histórias paralelas

Críticas Gerais
3ª temporada de Bridgerton promete ser quente; Confira!

 

Querido e gentil leitor,

 

Chegamos ao fim de mais uma temporada de Bridgerton. A temporada de Penelope e Colin foi cercada de polêmicas desde o seu anúncio e não terminaria de outra maneira. Mas, antes de entrar nos detalhes das brigas da internet, vamos falar sobre o desenvolvimento da história em si. 

 

A história já começa de uma forma diferente das temporadas anteriores, onde nós víamos os protagonistas se conhecendo pela primeira vez. Penelope e Colin são amigos há anos, então acompanhamos o desenvolvimento da amizade deles nas outras temporadas também e deixava a temporada com um desafio e tanto nas mãos. É justo dizer que Nicola Coughlan, que interpreta Penelope, consegue superar esse desafio com maestria. A personagem recebe todos os holofotes e consegue retratar muito bem todo o drama familiar, os conflitos internos e a busca pela sua própria persona. 

 

O caldo começa a entornar quando falando de Luke Newton, o Colin. O personagem me pareceu completamente desconexo e não parou nem um pouco a impressão de que estava apaixonado por Penelope. Mesmo as cenas em que ele está com raiva da amada, não convencem... Não consigo dizer ao certo o que me bloqueou com relação a esse casal que me fez me sentir tão afastadas deles, mas em nenhum momento eu senti que havia uma química entre eles. 

Para piorar a situação e já entrar em uma das polêmicas da internet, a nova temporada traz inúmeras histórias paralelas. Não me entendam mal, caro e gentil leitor. A história de Cressida merecia um spin-off próprio e o interesse romântico de Violet é encantador. Mas se somarmos essas duas tramas, à história dos Mondrich, ao romance de Francesca, o tórrido affair de Benedict e o drama familiar de Lady Danbury... quase não sobrou espaço para o casal principal. Nem de tela nem de carinho do público.  

 

A escolha de dividir a temporada em duas não ajuda, já que o retorno parece brusco ao agregar o caráter de um relacionamento já muito bem estabelecido a um envolvimento romântico recente. E aqui vale outro questionamento (também oriundo da internet): será que não era melhor ter mantido a ordem original dos livros? Para os leitores daqui que não são – ainda – entendedores de Bridgerton, a trama de Penelope e Collin aparece apenas no livro 4 e teria um salto temporal muito maior (de quase dez anos desde o começo da história). Tivesse sigo seguido a ordem dos livros, teríamos de fato um cenário onde Penelope seria uma solteirona, no alto dos seus 28 anos, e já estaria à frente do Whistledown há mais de 10 anos. (Lembrando que para a sociedade, qualquer mulher com mais de 26 anos já ganhava o inglório título). O conflito de Penelope desistir do jornal seria muito mais crível se ela estivesse escrevendo há mais tempo. 

 

Cressida emerge como uma agradável surpresa nesta temporada, libertando-se de um estereótipo simplista que pouco acrescentava às tramas mais elaboradas. Por outro lado, Benedict demora a encontrar um caminho significativo na narrativa, girando em repetições no início, mas os dois últimos episódios finalmente justificam sua presença, delineando-o como o claro protagonista que se seguirá — seu envolvimento no baile de máscaras, que Eloise anuncia como um evento iminente, é essencial para isso.

 

Com isso em mente, o encerramento desta temporada sugere que seu foco pode não estar no romance, o que não é necessariamente um problema. O resultado para o casal central é adequado, apesar de algumas incertezas ao longo do caminho, deixando a impressão de que este terceiro ano atende bem a quase todos os envolvidos. Penelope, sem dúvida, se destaca intensamente em sua jornada de autodescoberta, uma busca pessoal e profunda que provoca excelentes interações com Eloise, Portia, Colin e Madame Delacroix. A trama envolvendo a revelação de Lady Whistledown é excepcionalmente bem executada, destacando-se os momentos de expressão e reflexão de Pen, aliados a um roteiro sólido que habilmente explora conflitos e personagens diversos.

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O grande refresco da série fica por conta de Francesca (Hannah Dodd). A atriz fez um ótimo trabalho com a personagem e deixou a sensação de que será um dos trunfos da série para seus próximos passos, e isso inclui a introdução de Michaela Stirling - uma mudança em relação ao material original, já que o livro apresenta um personagem masculino para esse papel. E cá chegamos à outra polêmica... Vamos lá, a polêmica a que me refiro não tem a ver com a questão de mudança de gênero, mas sim a condução da história. Em sua própria história, Frannie se apaixona perdidamente por John, que falece precocemente. E apenas após – e somente após - a morte do amado, ela vem a conhecer o primo do ex, que na série será Michaela Stirling, e se apaixona perdidamente por ele. 

 

O ponto aqui é: Frannie só tinha olhos para John, mas a série deixa bem claro que ela se apaixona por Michaela logo na primeira conversa. O que me leva à pergunta: por qual motivo não foi deixado à qual a história original? O que essa mudança no plot acrescentará à história? 

 

No núcleo Featherington, com Penelope como a protagonista, a aposta na comédia dos primeiros episódios se pagou especialmente com as cenas das irmãs Prudence e Philipa. Se a parte final investe um pouco mais no drama, focado na relação de Pen com sua mãe, isso tem importância para a trama - mas uma coisa não anula a outra, e teria sido ótimo assistir mais das cenas leves e divertidas envolvendo a dupla de irmãs. 

Para finalizar esse longo texto, fico feliz que Lady Whistledown (ou, agora, apenas Penelope Bridgerton) não vai desaparecer. Pen e Colin vivem um bom desfecho e o futuro da série promete o frescor de personagens já amados vivendo situações novas. Eloise, Francesca e Benedict têm todo o necessário para ganhar temporadas instigantes, rompendo expectativas e provando que Bridgerton sempre pode surpreender - mesmo (ou especialmente) quando precisa ficar corrigindo seus desvios de percurso.

 

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