A Longa Caminhada

A Longa Caminhada (1971)★ 7.7/10

Walkabout

GP · GB,AU,US · 100 min · 16 de maio de 1971

  • Aventura
  • Drama

Direção: Nicolas Roeg

Roteiro: Edward Bond, Donald G. Payne, Nicolas Roeg

Dois irmãos perdidos no deserto australiano com poucos recursos recebem ajuda de um jovem aborígene em seu walkabout, mas a sobrevivência é afetada pela cultura e pela falta de comunicação.

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Críticas

DDaniel Tanan28 de outubro de 2025
Trago mais uma recomendação de filme rápida por aqui, trata-se do filme A Longa Caminhada (Walkabout) de Nicholas Roeg de 1971.
Na cultura aborígene, o Walkabout é uma jornada que os jovens devem fazer, sobrevivendo sozinhos no deserto australiano apenas com os recursos da natureza, tratando-se de um rito que quando realizado marca a transição espiritual para a idade adulta.
No filme, acompanhamos dois irmãos britânicos, uma garota e um garotinho (o nome deles não é mencionado sequer no roteiro) cujo pai comete suicídio e os abandona no meio do deserto australiano, deixando os dois à própria sorte.
No caminho eles encontram esse garoto aborígene passando pelo seu próprio walkabout que os acompanha nessa "longa caminhada", assim os jovens também passam forçadamente pelo rito, tendo que se virar com os recursos da natureza, assim como o nativo.
Sobre a premissa, não vou falar muito mais além de que é uma bela história de amadurecimento, tanto que em 2005 o instituto britânico de cinema o colocou na lista de "50 filmes que você deve assistir aos seus 14 anos.
Entre os temas que o filme trata está o choque cultural e comunicação, sendo este um dos temas que o Roeg mais gosta de tratar em seus filmes, representado na dificuldade que os britânicos e o aborígene tem para se entender no início.
Outro tema são as diferentes visões que as duas culturas veem a natureza, um com uma visão demasiadamente exploratória e o outro vendo como algo que sustém sua vida e deve ser respeitado, não retirando mais que o estritamente necessário.
O estilo de montagem particular do Roeg se faz presente também, com algumas montagens paralelas bem criativas que sobrepõem o modo de vida dos nativos australianos com o dos Europeus que foram para lá depois, tecendo nessa comparação uma crítica à sociedade moderna.
Também, é claro, tem a sua camada espirítual que já está sugerida no título do filme, que pode ser lido como uma espécie de "retorno ao Eden" com a sua exaltação à natureza.
Enfim, é um filme recomendadíssimo que traz alguns temas legais para reflexão.

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