Fedora

Fedora (1978)★ 7.6/10

PG · FR,XWG · 116 min · 30 de mayo de 1978

  • Drama
  • Romance

Dirección: Billy Wilder

Guion: Billy Wilder, I.A.L. Diamond, Tom Tryon

En el funeral de Fedora, el productor Barry Detweiler recuerda haberla visto semanas antes, descubriendo verdades inquietantes que su muerte vuelve aún más oscuras.

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Reseñas

Nnatan vinicius11 de octubre de 2026
Contiene spoilers
O filme gira em torno da vida da fictícia atriz Fedora, uma famosa estrela reclusa que vive numa isolada vila em Corfu, na Grécia. A cada nova revelação, o filme se tornava ainda mais interessante e autoral — e podem ficar tranquilos, pois irei mencionar muito pouca coisa a respeito. Recomendo não pesquisarem nada sobre o filme, já que o plot twist é algo muito comentado, inclusive no magnífico texto da Pala de Walsh, "Fedora: 'For Old Times' Sake'", escrito por Joana Duarte.

Como já é costume na filmografia de Billy Wilder, diretor do longa, esse projeto não se abstém da hermenêutica classicista que havia consagrado Wilder décadas antes e que o colocava no patamar de figuras estrelares do cinema inglês (britânico e americano) — como Alfred Hitchcock —, hermenêutica que ele realizava com tanto prazer nas eras de ouro de Hollywood, mesmo esse filme tendo fortes conexões com a Europa também. Soma-se a isso a conexão com a própria vida de Wilder que, assim como o roteirista vivido por Holden, tinha problemas para captar recursos para realizar sua obra: uma comédia de erros composta por rejeições de elenco, problemas de saúde no set, conflitos com o estúdio e o choque com a nova estética de Hollywood — a Nova Hollywood de Brian De Palma, Martin Scorsese e Steven Spielberg, principalmente, mas contando também com diretores como Francis Ford Coppola, Dennis Hopper, Mike Nichols, George Lucas, Peter Bogdanovich, Hal Ashby e Arthur Penn, que durante vários anos dirigiram e realizaram obras como O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, Taxi Driver, Touro Indomável, Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Guerra nas Estrelas, American Graffiti, Carrie, a Estranha, Vestida para Matar, A Última Sessão de Cinema, MASH*, Nashville, Ensinando a Viver, Muito Além do Jardim e Bonnie e Clyde. Além de realizarem essas obras, alguns deles atuariam futuramente como produtores, caso de Spielberg, que produziu Poltergeist: O Fenômeno (1982), dirigido por Tobe Hooper, Os Goonies (1985), dirigido por Richard Donner, De Volta para o Futuro (1985), dirigido por Robert Zemeckis, Gremlins (1984), dirigido por Joe Dante, e Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Essa forma lucrativa do alto cinema de Hollywood — misturando o estilo europeu com críticas sociais e forte apelo artístico — criaria obras do início do blockbuster: produções de massa com altos lucros e grande investimento de marketing, inauguradas pelo já comentado Tubarão, de Spielberg, e consolidadas como uma forma lucrativa de conseguir dinheiro ao longo de toda a década de 70.

Billy Wilder, por ter se especializado na antiga hermenêutica clássica de Hollywood, tinha aos olhos dos estúdios apenas o estilo europeu, o que causou mais dificuldades para terminar esse filme. Assim como o personagem de Holden, Wilder famosamente teve problemas para captar recursos e verba para produzir o roteiro, realizá-lo e filmar em locação como queria; ainda mais por ter uma pequena ponta do astro Henry Fonda como diretor-presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar. Wilder queria Marlene Dietrich para o papel principal, mas ela odiou o roteiro e recusou o convite. Outros nomes planejados também caíram por terra, até a escalação de Marthe Keller, que sofreu sérios ferimentos no rosto em um acidente de carro durante as filmagens — o que impediu o uso da maquiagem de envelhecimento planejada e obrigou mudanças drásticas no conceito dos personagens.

O filme tem fortes conexões com o cinema e a literatura. Desde sua primeira cena, um dos poucos momentos de "ação" do filme, a governanta da propriedade em Corfu grita o nome de Fedora, que pula nos trilhos e é dilacerada pelo trem. Essa sequência é retomada na metade do filme, permitindo ao público entender o contexto completo: Fedora estaria esperando Michael York — que aparece em uma das cenas mais belas e poéticas de todo o filme, na qual deposita uma rosa sobre a falecida, e com quem ela se comunicava por cartas que nem sequer saíam de sua casa, quanto mais de Corfu. Essa cena referencia ao mesmo tempo a primeira cena do cinema e o final de Anna Karenina: a protagonista se jogando nos trilhos de um trem. O suicídio ecoa diretamente o final trágico do romance de Liev Tolstói, obra que o produtor Barry Detweiler tenta convencer a atriz a estrelar. Ao mesmo tempo, a cena homenageia o nascimento do próprio cinema, remetendo ao histórico e pioneiro filme dos irmãos Lumière, "A chegada de um trem à estação" (L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat), e ainda referencia outro início clássico de Wilder: seu filme mais famoso, "Crepúsculo dos Deuses", apenas trocando a Sunset Boulevard pela estação de trem de Corfu, onde novamente um personagem de William Holden narra a história. Holden trabalhou com Wilder em diversas ocasiões: Crepúsculo dos Deuses (1950), Inferno Número 17 (1953) — pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator — e Sabrina (1954). Anos depois, eles se reencontrariam no drama Fedora (1978).

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