
Exquisite Corpse (2021)★ 4.6/10
- Drama
- Horror
- Thriller
Directed by: Lucía Vasallo
Written by: Sebastián Cortés, Lucía Vasallo
While her girlfriend is hospitalized in a coma state after finding her floating in a bathtub without any vital signs, Clara stars on a path of physical and psychological transformation, with the goal of "possessing" her in some way.
Cast & crew
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Sofía Gala CastiglioneClara
Blanca Nieves VillalbaBlanca
Rafael SpregelburdLucas
Nico García HumeHombre en el bar
Analía CouceyroEnfermera
Lorena VegaAndrea
Agustín Vásquez CorbalánCompañera de trabajo de Blanca
Marcela ChavesMadre de Blanca
Santiago GobernoriMarcos
Lola BanfiChica Bar 1
Brenda UrlacherChica Bar 2
Ágatha FrescoRecepcionista HospitalReviews
C
Cinematografia QueerMarch 27, 2025
Cinematografia QueerMarch 27, 2025Cadáver Exquisito, dirigido pela argentina Lucía Vassallo, é um thriller psicológico que mergulha na obsessão e na perda de identidade através de uma relação conturbada. O filme começa com uma cena impactante: Blanca (Blanca Nieves Villalba), uma jovem albina, é encontrada por sua namorada Clara (Sofía Gala) boiando na banheira, sem sinais vitais. A partir desse momento, Clara embarca em uma jornada de transformação física e psicológica, movida pelo desejo de possuir Blanca de alguma forma, mesmo que ela esteja em coma, internada em um hospital.
A estética do filme é estabelecida logo na sequência introdutória, com a brancura quase etérea de Blanca — sua pele albina, seus cabelos claros, sua presença que parece dissolver-se na luz. O diretor de fotografia, Fernando Marticorena, usa essa transparência como um recurso visual que atravessa toda a narrativa, simbolizando a fragilidade e a dissolução da identidade de Blanca, enquanto Clara, por outro lado, se afunda em uma escuridão emocional. Vassallo define um tom sórdido, conceitual e misterioso, articulando esses elementos em uma crescente tensão que não dá trégua ao espectador.
A narrativa, fragmentada por saltos temporais, alterna entre o presente — com Blanca em estado vegetativo — e o passado, onde conhecemos os altos e baixos de sua relação com Clara. Blanca, uma cientista brilhante, pesquisa o comportamento dos hormônios e sua aplicação no tratamento de distúrbios como o autismo, mas sua investigação toma um rumo pessoal: ela decide testar o tratamento em seu próprio corpo, um experimento que pode estar ligado ao incidente na banheira. Clara, por sua vez, é consumida pela paixão e pela monogamia que sente por Blanca, mas sua devoção se transforma em paranoia quando descobre supostas infidelidades da namorada. Essa desconfiança a leva a um labirinto psicológico, onde a realidade e a obsessão se confundem.
O filme é, em essência, uma história de fantasmas — não os espectros tradicionais, mas os fantasmas da identidade que assombram Clara. Incapaz de lidar com a perda potencial de Blanca, ela se torna uma figura solitária e compulsiva, presa a um luto não resolvido. Vassallo explora o sinistro no cotidiano, transformando o apartamento que as duas dividiam em um espaço de estranhamento, onde o branco, associado à pureza e à fragilidade, revela uma escuridão inesperada. A brancura de Blanca, que inicialmente sugere vulnerabilidade, desencadeia o oposto: uma força destrutiva que consome Clara e a leva à beira da loucura.
Sofía Gala entrega uma atuação visceral como Clara, capturando a angústia de uma mulher que, ao tentar segurar o que resta de sua amada, perde a si mesma. Blanca Nieves Villalba, por outro lado, traz uma presença quase espectral, reforçando a dualidade entre a fragilidade física de sua personagem e o impacto avassalador que ela exerce sobre Clara. A direção de Vassallo, combinada à fotografia de Marticorena, cria uma mise-en-scène que pulsa com tensão, usando o contraste entre luz e sombra para refletir o colapso emocional das protagonistas.
Cadáver Exquisito é um filme que desafia o espectador a mergulhar nas camadas de uma relação marcada por desejo, traição e ciência sombria. É um terror queer que não se limita a sustos, mas explora as profundezas do que significa amar alguém a ponto de se perder — e, talvez, de nunca mais se encontrar.
A estética do filme é estabelecida logo na sequência introdutória, com a brancura quase etérea de Blanca — sua pele albina, seus cabelos claros, sua presença que parece dissolver-se na luz. O diretor de fotografia, Fernando Marticorena, usa essa transparência como um recurso visual que atravessa toda a narrativa, simbolizando a fragilidade e a dissolução da identidade de Blanca, enquanto Clara, por outro lado, se afunda em uma escuridão emocional. Vassallo define um tom sórdido, conceitual e misterioso, articulando esses elementos em uma crescente tensão que não dá trégua ao espectador.
A narrativa, fragmentada por saltos temporais, alterna entre o presente — com Blanca em estado vegetativo — e o passado, onde conhecemos os altos e baixos de sua relação com Clara. Blanca, uma cientista brilhante, pesquisa o comportamento dos hormônios e sua aplicação no tratamento de distúrbios como o autismo, mas sua investigação toma um rumo pessoal: ela decide testar o tratamento em seu próprio corpo, um experimento que pode estar ligado ao incidente na banheira. Clara, por sua vez, é consumida pela paixão e pela monogamia que sente por Blanca, mas sua devoção se transforma em paranoia quando descobre supostas infidelidades da namorada. Essa desconfiança a leva a um labirinto psicológico, onde a realidade e a obsessão se confundem.
O filme é, em essência, uma história de fantasmas — não os espectros tradicionais, mas os fantasmas da identidade que assombram Clara. Incapaz de lidar com a perda potencial de Blanca, ela se torna uma figura solitária e compulsiva, presa a um luto não resolvido. Vassallo explora o sinistro no cotidiano, transformando o apartamento que as duas dividiam em um espaço de estranhamento, onde o branco, associado à pureza e à fragilidade, revela uma escuridão inesperada. A brancura de Blanca, que inicialmente sugere vulnerabilidade, desencadeia o oposto: uma força destrutiva que consome Clara e a leva à beira da loucura.
Sofía Gala entrega uma atuação visceral como Clara, capturando a angústia de uma mulher que, ao tentar segurar o que resta de sua amada, perde a si mesma. Blanca Nieves Villalba, por outro lado, traz uma presença quase espectral, reforçando a dualidade entre a fragilidade física de sua personagem e o impacto avassalador que ela exerce sobre Clara. A direção de Vassallo, combinada à fotografia de Marticorena, cria uma mise-en-scène que pulsa com tensão, usando o contraste entre luz e sombra para refletir o colapso emocional das protagonistas.
Cadáver Exquisito é um filme que desafia o espectador a mergulhar nas camadas de uma relação marcada por desejo, traição e ciência sombria. É um terror queer que não se limita a sustos, mas explora as profundezas do que significa amar alguém a ponto de se perder — e, talvez, de nunca mais se encontrar.